Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

domingo, fevereiro 04, 2007

O Começo De Uma Qualquer História


Naquele imenso estuário veio-me à ideia de que a tua história bem poderia ter sido a minha. Que num qualquer lugar do Tempo eu estava onde tu estás e tu existias onde eu estou. Eu olhava para ti sem saber que, num qualquer ponto do Universo, a minha história começava no momento em que tu nasceste. Porque a tua era a minha história.
No horizonte que contemplei, imaginei as histórias que começavam, aquelas que acabavam e aquelas em que eu poderia ter habitado.

sábado, fevereiro 03, 2007

Lentidão


Ah! A inigualável sensação de estar sentado nos dias com se dum divã se tratassem... olhar para os pensamentos e ver pássaros a cruzar o infinito.

Que maravilha é beber o mar com os olhos como se dum refresco se tratasse.

A tarde passeia dentro de mim num jardim à beira mar... Se existe um paraíso ele esconde-se dentro de nós.

Haverá maior felicidade do que preguiçar no período de tempo fronteiriço entre a Alegria e a Tristeza?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Diário de um louco

Percorri a rua onde o frio da pedra cinzenta me acompanhou, incessante e contundente. O espaço onde me movi deixava de existir assim que, passo a passo, me deslocava e saía daquele lugar.
Apressadamente saí dali.
Não eram gentes quem se cruzava comigo, eram demónios de capa negra que voavam entre paredes de pedra e que nelas habitavam.
Fechei os olhos para que o olhar devorador de quem me fitava não me cegasse.

Corri para dentro de um pátio onde alguém me sorriu... aquele lugar confundia-se com aquela presença brilhante e apaziguadora. Ao seu redor uma auréola ténue e azulada fazia-me sentir em casa.
Aquela presença apontou-me para um canto onde jazia uma folha caída em cima de outra folha.
Uns segundos depois aquela cor quente encheu aquele lugar e eu acordei junto ao mar num lugar de um imenso azul...

Alguém me chamou... mais um doente deu entrada nas urgências... e eu fui trabalhar...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Longe de Ti


Porque será que é precisamente quando estás tão perto que o meu bafo bate em ti devolvendo o calor à minha pele que te sinto mais longe?

Na tua ausência vejo-te Aqui com os olhos da saudade.

Vejo-Te mesmo, através do olho do meu amor.

Não haverá um barco que eu possa tomar para subir o rio da Vida rumo à cidade que tu És?

Não poderei eu ainda um dia deslumbrar-me com a visão da chegada junto ao porto que atraca em Ti, desembarcar na luz da tua Presença e subir as estreitas e labirínticas ruas que levam à casa onde vive a tua Verdade Absoluta?

Em que língua me poderia responder uma Ilusão?

terça-feira, janeiro 30, 2007

A Torre Sem Nome


O lugar do Tempo surge nos meus sonhos,
lado a lado com imagens desesperadas,
de árvores que procuram abrigo,
na velha Torre sem nome.

Saberão as árvores dizer,
se na roda da Vida,
valerá procurar abrigo,
mesmo sabendo que não se o tem?

A dor ar



A dor ar...

A dor é o ar que inspiro e expiro.

A dor é o tudo à volta e o nada em redor.

A dor respira-me e pensa para com os seus botões que eu sou um tipo de poluição que urge combater.

A dor decide que chegou a hora de me proibir em todos os recintos fechados e em todos os espaços abertos.

A dor aumenta-me o preço e calcula montantes para as multas a aplicar caso alguma das suas irmãs tente sacar-me de dentro dum maço de melancolia.

Ai de quem seja doravante apanhado a fumar a minha dor!!!

sexta-feira, janeiro 26, 2007



Sinto-me suspenso pela Luz que me envolve e à qual pertenço,
faço parte daquele lado de lá,
onde escuto,
outras formas de existência.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Debaixo dum céu impossível



A minha sombra é a prova científica da existência do centro de gravidade da luz do sol, mas a verdadeira Luz fica para lá do contorno das pessoas e das coisas... fica onde há uma completa ausência de escuridão ...e aí as sombras não têm lugar.

Era uma viagem a empreender, largar tudo e partir em demanda desse lugar onde nada vive ou morre aos meus pés... mas, desafortunadamente, a minha pele é muito mais do que uma casa cheia de Nada.


Serei comedido em relação a esta questão - contentar-me-ei com o facto do meu corpo ser um ponteiro do relógio que dá as horas à Eternidade.

terça-feira, janeiro 23, 2007

No Dia Em Que A Natureza Chorar

Sempre gostei da andar à chuva. Hoje foi um dia desses...
No entanto senti que algo não estava bem, ou era eu, ou algo à minha volta...
Havia alguma mensagem algures naquele Parque, pensei eu.
Imaginação minha certamente... mas aquela estátua parecia ter lágrimas, seria essa a mensagem? Que coincidência.... a gota estava exactamente no lugar e Tempo certos. Eu também estava no lugar certo para testemunhar e fotografar o momento...

domingo, janeiro 21, 2007

Porta com porta


Acordo todos os dias como se num sonho estivesse. Uns dias o sonho é bom noutros é mau - por vezes é mesmo um pesadelo.

O despertador também sabe tocar dentro dum sonho, sabiam?

Quando saio para o trabalho nunca sei qual foi a porta por que saí... Saí pela porta da realidade ou pela porta do sonho? É difícil dizer, elas ficam uma ao lado da outra, como o reflexo produzido pelo espelho duma realidade paralela onde o limite é a imaginação.

Eu sei que não é desculpa, mas a verdade é que eu sou um pouco distraído. Já me aconteceu sair pela porta da realidade e deixar a chave na porta... À noite quando cheguei a casa procurei a chave em todos os bolsos, acabando por encontrá-la na fechadura. Tive sorte, ninguém deu por ela... mas entrei em casa auto recriminando-me ferozmente.

É usual deixar a chave na porta dos sonhos, faz sempre falta uma pitada extra de ilusão nessa grande ilusão que é a vida. Também já me aconteceu trazê-la por engano no bolso da minha mente... foi um dia muito estranho e bizarro: é insólito ver os sonhos dos outros quando temos os nossos próprios sonhos fechados em casa.

Nunca mais!

Mas o que ia ter piada era era um dia esquecer-me da chave na porta dos sonhos quando estivesse mergulhado num sono profundo e fecharem-me dentro do sonho.

E talvez tenha sido isso mesmo que aconteceu... que provas tenho eu do contrário?

Como saimos dum sonho se não sabemos que estamos a sonhar?

Hmmm... Preciso de alguém que me acorde.

sábado, janeiro 20, 2007

Vermelho frio


Ilusões numa cidade fria,
resgatam a alma para os confins dos sentidos.
Revejo-me e não me conheço neste lugar,
onde as metáforas da realidade,
me levam para lugares sem destino.

Além, onde a catedral se ergue,
a noite é rasgada pela sua côr,
ao luar de um vermelho frio,
sinto o que ninguém sonha,
procurando a sombra de uma flôr.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

As duas luas


Tenho duas luas na minha sala. Há duas luas cheias a adornar o céu do meu mundo. As marés dos 70% de água por que é constituido o meu corpo vão e vêm ao sabor dum acende/apaga nos meus dedos. A astrologia do signo da minha vida resume-se ao acender e apagar do interruptor. Tenho o destino na ponta dos meus dedos.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Histórias Na Floresta Mágica


Acordo e vejo-te,
estás a caminho de um lugar,
onde irás perguntar a ti mesmo,
porque razão a tua sombra não te acompanha...

Lá, onde não existem sombras, é onde nascem os sonhos,
é onde nasceu o Universo,
é onde tu e eu pertencemos...

Escuta o silêncio, o teu silêncio...

Dá-me a mão... eu guiar-te-ei...

Na boca de mil demónios dum buraco negro esconde-se sempre um segredo de Luz.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Gaivotas em terra


"Gaivotas em terra, tempestade no mar." Diz o provérbio.

Mas quando a tempestade for no nosso coração qual será o sinal?

Quem são as gaivotas e onde é a terra quando se anuncia uma tempestade no coração?

Hmm...

Palavras desconexas na boca, tempestade no coração?...

"Hoje o dia está muito bonito, só faltava passar aqui um jacto supersónico para ensurdecer o grito a dizer AMO-TE que está entalado na minha garganta!" Diria com os meus olhos se a minha imaginação não fosse refém das palavras mal engendradas pela minha mente.

Ah!, a magia das palavras grávidas de imagens!

domingo, janeiro 14, 2007

Escrito nas folhas


Nesta manhã serena e secreta, tento ler nas folhas qual o meu destino, talvez um dia saberei a mensagem que os deuses guardam para mim.
Procuro não lhes tocar para que o segredo continue como foi enviado.
A brisa da manhã deixa cair algumas "letras" desta mensagem que ao anoitecer me foram enviadas.
É sómente a Natureza a dar-me a ajuda que pedi.
De repente tudo faz sentido, mais uma lição aprendida... quando um momento nos é dado, quer seja pelo destino ou por outra razão qualquer, há que ter consciência de que esse momento nunca se repetirá. Nunca mais aquelas gotas, que habitavam na folha antes da brisa as ter levado voltarão a estar naquele lugar, naquela hora, naquele Tempo.
Da próxima vez, e sempre que puder, direi o que possívelmente nunca mais poderei dizer, porque nada se repete... porque as minhas palavras poderão perder-se para sempre, como aquelas gotas...

Velocidade da Luz


Encostara o meu carro à berma. Cansaço talvez. A viagem durava há muito, mas só agora era altura do regresso a casa. Tentei calcular dali a quantas horas poderia dizer "lar doce lar". Podia contar com todo o tempo que gastara até chegar àquela vereda e mais ainda o imposto de valor acrescentado inerente a um dia que já ia longo.

Aspirei o ar frio da noite que implacável se aproximava. Íria fazer toda a viagem às escuras, atravessando longas extensões de estrada que passavam por lugar nenhum. Talvez o carro avariasse, talvez não houvesse rede de telemóvel, talvez eu adentrasse a noite escura, como quem mergulha num passado distante, onde não há carros, nem telemóveis, nem bilhetes de identidade, e a manhã encontrasse apenas o meu carro abandonado na borda da estrada, porta aberta e o rádio a cantar uma canção para ninguém.

Um carro dobrou a curva e aproximou-se de mim encadeando-me com a luz branca dos seus faróis e desapareceu para trás das minhas costas.

Um carro passou de cá para lá, deixando uma memória vermelha que se gravou a fogo no meu olhar, continuando a ver-se mesmo muito depois de se ter desvanecido para além da curva.

Os dois carros cruzaram-se no meu olhar, talvez à velocidade da luz, e levaram-me para norte e para sul, para poente e para nascente, para ali e para além... o meu carro ficou com a porta aberta, o rádio continuou a cantar uma canção para ninguém.

sábado, janeiro 13, 2007

Sexta-feira 13


Sexta-feira 13...

Esta frase revela todo o embuste que nos rodeia acerca da verdade.

Enquanto eu dizia Sexta-feira o relógio deu o salto mágico para o dia seguinte e 13 é realmente o sábado que sucedeu à Sexta-feira.

Assim, ao fim ao cabo, e embora houvessem já homens dispostos a morrer pela Sexta-feira 13 (os fundamentalismos são um dos fenómenos humanos mais populares) na realidade "Sexta-feira 13 Sábado" sucede a "Quinta-feira 12 Sexta-feira".

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A Árvore Da Luz

Não quero escrever das guerras, hoje,
nem tão pouco do Homem que tira a Vida a outro Homem.
Hoje quero sentir o vento da Vida,
o sopro da existência que sai de uma qualquer árvore,
simplesmente tocando-lhe.
Quero sentir o olhar das crianças quando não sabem onde estão,
para as apaziguar e fazê-las sentir seguras.
Quero saber voar para ver o mundo de que faço parte,
não para ser dono de alguma coisa, mas para vislumbrar onde me foi concedido habitar.
Quero ser aquela ave, a que voa mais alto que uma montanha,
aquela que me disse um dia,
"vem, acompanha-me, vou mostrar-te o meu mundo, aquele que os Homens não querem partilhar".
Quero ouvir a melodia de um amanhecer,
juntamente com toda a Humanidade, em silêncio, e em todos os cantos do mundo.
Quero congelar todos os momentos para os levar comigo até à Eternidade,
porque desse lado não há um Tempo, esse lado é o Tempo,
e nesse Tempo estaremos Todos juntos... novamente.
Quero sentir o que ainda nem os sentidos entendem,
quando vejo a verdade ser usada em nome da destruição e morte.
Quero entender o meu lugar num Universo que um dia me fez existir,
juntamente com tudo o que me rodeia...
Quero perceber a árvore que um dia deixou passar a Luz,
para que eu soubesse, nesse mesmo instante, como seria estar perante Deus.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A Caminho


E a melodia levava-me a um lugar onde eu tocava o céu, onde eu descrevia um arco num imenso azul.
Ao sabor do vento eu olhava o Caminho... e voava... tendo aves a meu lado como guias, pégasos como companheiros e um Tempo infinito dentro de mim...
Os Deuses lá em cima olhavam-me como se fosse um deles... porque nada, mesmo nada me conseguiria deter no meu Caminho...
E sempre a melodia dentro de mim a guiar-me mais além, para mais além.... para o lugar dos sonhos, para um lugar onde habita a essência de todo o Universo...
Sinais vindos do céu em forma de música alimentavam a minha alma, e eu sabia que o Caminho era este mesmo...
E a caminhada prossegue... o grupo agora é enorme, todos juntos somos um cometa de Luz, onde de mãos dadas, entramos no mundo dos sonhos...

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