Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Lágrimas do tempo


As lágrimas do tempo são uma chuva que cai para dentro de mim, levando tudo no dilúvio que transforma o meu coração na arca de Noé dum mundo virgem de tristeza e infelicidade.

sábado, fevereiro 17, 2007

O Primeiro Dia


" Há uma batalha mais antiga que nem os Homens algum dia irão conhecer. Há um Tempo em que a Humanidade ainda era sonhada... o Tempo do Sonho como dizem os aborígenes...
Então a Luz inundou o Mundo, os céus se abriram e por momentos A Energia pulsante no longínquo Universo indicou um planeta e o escolheu para Paraíso... a semente da Vida estava lançada... por uns instantes tudo pareceu suspenso... este seria o Primeiro dia...
A batalha estava ganha...
A Terra seria tocada pelo dom da Vida... "

Os reflexos bóiam ao sabor de que marés?

Se o barco bóia ao sabor da marés que embalam a água como um berço onde dorme a verdade primordial das coisas, então onde poderá bóiar o reflexo do barco?

Será que um reflexo repousa sobre a realidade das coisas?

Será que o meu reflexo me observa do mesmo modo como eu me miro e estudo na aberrante distorção das vagas que me fazem navegar para além da imaginação?

Que figura sinistra e asustadora não devo ser eu para o meu reflexo!...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A intangível perfeição dos dias imperfeitos


Ah... a intangível perfeição dos dias imperfeitos!

Bem posso resmungar e barafustar, mas o certo é que este uivo do vento e este quentinho no coração partilham-me de igual modo...

Resta-me tomar um cházinho para fazer as pazes com o vento... talvez assim ele nunca deixe de me sonhar.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Cada passo que damos no nosso caminho esconde uma incerteza de que faz parte a nossa existência. Seguir em frente implica uma escolha e todos os dias é preciso escolher... todos os dias é preciso ir além, todos os dias a única certeza é a de que tudo é, certamente, incerto.
Mas é preciso seguir em frente... a caminho da incerteza.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

1 só céu


Todos gostamos da palavra "um".

Os U2 cantavam que há apenas um amor, um sangue e uma vida.

O Sting complementava que um mundo chegava para todos nós.

E quantas pessoas não ficaram já com essas melodias e palavras aprisionadas dentro da cabeça?

Quantas pessoas não ouviram estas canções na rádio e não passaram o dia a cantarolá-las?

Mas a verdade é que todas essas pessoas queriam uma única coisa: ser o número 1.

Todos queriam ser o número um da compaixão mas, sobretudo, ser o número um na lista dos donos da verdade, derrotando e humilhando todo o resto da humanidade pelo caminho.

E quantos campeões da boa vontade pode haver debaixo dum único céu? Ninguém se contenta em ser o segundo, pois este, dizem, é o primeiro dos últimos.

Espero que os U2 e o Sting ao menos tenham conseguido ser número um do top de vendas, já que não conseguiram fazer deste lugar um só mundo.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

No Caminho Da Eternidade


Recentemente o Mundo inteiro ficou tocado por uma história surpreendente... a descoberta de duas ossadas, pertencentes a duas pessoas, que morreram há muito tempo... abraçadas para sempre.
Li sobre esta história e a sua descoberta... de facto há coisas tão simples que parecem pertencer a contos de fadas ou a algum romance imaginário, escrito por alguém super dotado.
Num jornal inglês lia-se que os arqueólogos e as pessoas, que com eles procediam às escavações, quando se depararam com tal cenário ficaram sem dizer nada durante um longo período de tempo, houve até quem chorasse.
A mensagem daquelas duas pessoas era mais que evidente.
Um testemunho de um ser humano que quis amar um outro ser humano para sempre...
Há no Mundo algo maior que os Homens, algo para além da nossa compreensão.
Uma prova de amor para a humanidade foi o que estas duas pessoas deixaram e, em plena era materialista, fomos abalados por uma imagem tão forte que nos deixa a pensar...
No fundo de nós mesmos desejamos amar assim, para todo o sempre...

Pretérito perfeito


As memórias são um olhar para fora que nos traz para dentro.

Lembro-me do dia em que fomos tomar banho à velha pedreira abandonada. Que idade tinhamos exactamente? Não consigo recordar... Acho que éramos ainda novos demais para acreditar que um dia seríamos adultos.

Gostávamos de ficar a chapinhar na água que se acumulara nos buracos donde fora extraída a pedra. Acho que nessa tarde faltáramos às aulas para usufruir daquele nosso pequeno paraíso.
Também não recordo duma forma muito clara a forma como começou a discussão... Sei que nos desentendemos. Do nada surgiu um atrito que nos fez enrugar a testa e levantar a voz. Tu pegaste na tua roupa e afastaste-te de mim a passos largos.

Eu fiquei a ver-te desaparecer atrás duma árvore e exclamei em voz alta:

- Estúpida!

Não tenho dúvidas de que estava zangadíssimo. Não falámos durante uns dias, depois voltou tudo ao normal. Também não tenho nenhuma ideia da reconciliação. Depois o ano lectivo acabou e acho que nunca mais nos tornámos a ver... Se não estou em erro o teu pai foi trabalhar para fora.

É tudo muito vago e indefinido... pergunto-me se terás existido mesmo ou se não terás sido apenas mais um produto da minha imaginação.

Todas as memórias são perfeitas no sentido em que com o tempo ganham sentido e nos dão a ilusão de que a nossa vida tem sentido... não te parece?

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A Profecia

Lá longe num mundo que é Lei,
há-de um dia o Homem morrer,
não porque o seu Tempo chegou,
mas por a Máquina o escolher.

domingo, fevereiro 11, 2007

Hangar da Luz


Sinto o meu velho corpo desgastado por todas as missões empreendidas no mundo dos homens...

Vejo-me ao espelho e sinto-me um pouco como um velho avião de guerra em que a tripulação gravou poemas, desenhos e símbolos na fuselagem, transformando-o num gigantestica mensagem de desespero e resignação prestes a descolar para mais um voo para além das linhas inimigas...

Só que os ditos poemas, desenhos e símbolos não estão gravados a ferro em brasa no meu corpo, mas sim tatuados em fumo na minha alma.

Cansam-me os homens... talvez fosse já o tempo de recolher ao hangar e transformar-me num museu à memória da Humanidade.

Mas amanhã há um novo dia... e porque não uma nova aventura pelo mundo dos homens?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

À velocidade do pensamento



O vendedor explicava-me como utilizar o aparelho maravilha por forma a manter a casa sempre imaculadamente limpa.

No fim da explicação perguntou-me:

- Tem alguma dúvida a que queira que eu responda?

Pensei durante um instante e disparei de chofre:

- Donde é que vêm os pensamentos?

- Como?... - Sobressaltou-se o homem.

- Donde é que vêm os pensamentos? - Repeti. E, depois de pensar meio instante, acrescentei - E para onde é que vão?

- Não sei se compreendo... - Abriu o vendedor muito os olhos.

- É simples. - Clarifiquei. - Todos os dias somos assaltados por milhões de pensamentos. Pensamos no que vestir, o que vestir, o que comer, de quem gostamos, de quem não gostamos, nque aconteceu há dez anos, no que vai acontecer daqui a dez anos, o que fazer agora, o que fazer a seguir... Pois bem, a minha questão é donde vêm essa multidão de pensamentos?

O vendedor olhava perplexo para mim.

- Nunca se fez esta pergunta? - Insisti.

- Bem... não... - Confessou encavacado o vendedor.

- Eu não sei donde vêm, mas acho que há uma roda gigante a girar dentro de nós.

O homem olhava-me gravemente sem soltar uma palavra.

- Uma roda que... - Continuei. - Como lhe hei-de explicar? - Uma roda... uma roda... uma engrenagem a girar no vazio. Uma engrenagem em constante movimento, mas nós só conseguimos ver a roda de frente... tipo como se olhássemos para uma tela de cinema... só percebemos que está em movimento porque os pensamentos começam a surgir tenuemente na ponta esquerda e... VRUM!!!, desaparecem pela ponta direita. Não se consegue contabilizar-lhe a duração, o peso ou qualquer outra característica ou qualidade. O que lhe parece.

O vendedor coçava intrigado o cocuruto da cabeça.

- Claro que há outras hipóteses. - Prossegui entusiasmado anets dele ter tempo de responder. - Também já pensei num daqueles monitores de hospital que se vêm nos filmes. Está a ver? - Interroguei. - Daqueles que servem para ver os sinais vitais. Há uma linha que é o nada e de repente PIP!, lá vem um pensamento e outro e outro e outro. PIP!!! PIP!!! PIP!!! Nessa perspectiva os pensamentos são o que nos separa da morte... são o oposto de estar morto, sendo a morte o estado que precedeu o nosso nascimento e aquilo que nos espera quando o corpo colapsar.

Hesitei um segundo e embalei para uma outra ideia:

- E agora que penso nisso, observo que há ainda outra analogia que podemos fazer: os pensamentos são quase como as linhas na folha acabadina de retirar dum sismógrafo após um terramoto. Os pensamentos são como um tremor de terra dentro de nós.

Expliquei triunfante.

- Só que - continuei refreando o meu entusiasmo -, evidentemente, nada disto responde à minha questão inicial: donde é que vêm e para onde é que vão os pensamentos. Tanto a roda-tela-de-cinema, como o monitor dos pensamentos-vida como os pensmaentos-folha-de-papel-do-sismógrafo são imagens que enquadram e descrevem os pensamentos mas não me dizem nada sobre a sua origem e verdadeira natureza.

Seguiu-se um silêncio comprometido até que o vendedor arriscou perguntar:

- Mas sempre compra o aparelhozinho ou não?


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

As Pedras Também Vivem


Lembro-me de um Tempo em que até as pedras viviam...
Em que o meu acordar era Vida,
qual sopro divino...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Nave carril

...e chegou o dia da partida.

"Levas-me contigo?" Perguntaras incontáveis vezes.

"Claro." Respondera sempre eu, sem hesitação, sem sombra de dúvida, sossegando-te com a minha mão sobre a tua.

Mas a verdade é que no dia da partida não te chamei...

Cobardia? Realismo? Medo?

Não o sei dizer.

O facto é que a terra avançou mar adentro e eu nem sequer olhei para onde ficava a tua casa... nem um último olhar guardei para a despedida.

A distância entre nós aumentou virtiginosamente embora o número de passos entre a minha nave e a tua casa se mantivesse insolitamente inalterada.

Eu era o viajante e a viagem, eu era o veículo e o caminho...

Não me recriminarias tu um dia por eu te ter trazido na minha jornada?

Não me recriminarias tu um dia por eu te ter deixado para trás?

Não me recrimanaria eu um dia por não te saber amar?

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A Barca dos Sonhos


Há muito, muito Tempo ele prometeu a si mesmo ser um marinheiro que embarcaria, um dia, numa viagem alucinante rumo ao seu próprio destino.
Nada o deterá, a sua alma já se encontra algures onde a realidade já deixou de existir e, cada dia que passa, mesmo que seja só em sonhos, ele reencontra aquele menino que, olhos nos olhos, um dia prometeu a si mesmo embarcar na sua barca dos sonhos... esteja onde estiver, venha o que vier e haja o que houver ele viajará toda a noite rumo à Luz de si próprio...
Porque o seuTempo chegou!
E um dia será dono do seu próprio destino!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

O mundo não ouve


O mundo não ouve... Por mais que eu grite e esperneie o eco das minhas palavras morre no ruído de fundo do mundo.

O mundo não ouve... o mundo não quer perceber que o melhor som do mundo é a minha voz...

Se eu fosse o rei do mundo todos viveriam muito melhor... eu pelo menos não tenho dúvidas de que viveria muito melhor...

Venha uma revolução que me coloque no trono do mundo!

Mas o que faria eu então? Encostava a uma parede diante dum pelotão de fuzilamento todos os que os que não me ouvissem? Talvez esse fosse um momento tão bom como qualquer outro para aprender também eu a ouvir...
Talvez este seja um momento tão bom como qualquer outro para começar também eu a ouvir!...

O mundo somos nós... só é pena sermos surdos e mudos para tudo o que não ecoe os nossos pensamentos.

domingo, fevereiro 04, 2007

O Começo De Uma Qualquer História


Naquele imenso estuário veio-me à ideia de que a tua história bem poderia ter sido a minha. Que num qualquer lugar do Tempo eu estava onde tu estás e tu existias onde eu estou. Eu olhava para ti sem saber que, num qualquer ponto do Universo, a minha história começava no momento em que tu nasceste. Porque a tua era a minha história.
No horizonte que contemplei, imaginei as histórias que começavam, aquelas que acabavam e aquelas em que eu poderia ter habitado.

sábado, fevereiro 03, 2007

Lentidão


Ah! A inigualável sensação de estar sentado nos dias com se dum divã se tratassem... olhar para os pensamentos e ver pássaros a cruzar o infinito.

Que maravilha é beber o mar com os olhos como se dum refresco se tratasse.

A tarde passeia dentro de mim num jardim à beira mar... Se existe um paraíso ele esconde-se dentro de nós.

Haverá maior felicidade do que preguiçar no período de tempo fronteiriço entre a Alegria e a Tristeza?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Diário de um louco

Percorri a rua onde o frio da pedra cinzenta me acompanhou, incessante e contundente. O espaço onde me movi deixava de existir assim que, passo a passo, me deslocava e saía daquele lugar.
Apressadamente saí dali.
Não eram gentes quem se cruzava comigo, eram demónios de capa negra que voavam entre paredes de pedra e que nelas habitavam.
Fechei os olhos para que o olhar devorador de quem me fitava não me cegasse.

Corri para dentro de um pátio onde alguém me sorriu... aquele lugar confundia-se com aquela presença brilhante e apaziguadora. Ao seu redor uma auréola ténue e azulada fazia-me sentir em casa.
Aquela presença apontou-me para um canto onde jazia uma folha caída em cima de outra folha.
Uns segundos depois aquela cor quente encheu aquele lugar e eu acordei junto ao mar num lugar de um imenso azul...

Alguém me chamou... mais um doente deu entrada nas urgências... e eu fui trabalhar...

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Longe de Ti


Porque será que é precisamente quando estás tão perto que o meu bafo bate em ti devolvendo o calor à minha pele que te sinto mais longe?

Na tua ausência vejo-te Aqui com os olhos da saudade.

Vejo-Te mesmo, através do olho do meu amor.

Não haverá um barco que eu possa tomar para subir o rio da Vida rumo à cidade que tu És?

Não poderei eu ainda um dia deslumbrar-me com a visão da chegada junto ao porto que atraca em Ti, desembarcar na luz da tua Presença e subir as estreitas e labirínticas ruas que levam à casa onde vive a tua Verdade Absoluta?

Em que língua me poderia responder uma Ilusão?

terça-feira, janeiro 30, 2007

A Torre Sem Nome


O lugar do Tempo surge nos meus sonhos,
lado a lado com imagens desesperadas,
de árvores que procuram abrigo,
na velha Torre sem nome.

Saberão as árvores dizer,
se na roda da Vida,
valerá procurar abrigo,
mesmo sabendo que não se o tem?

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