Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

quinta-feira, março 08, 2007

No Labirinto Do Tempo



Normalmente as palavras escritas saem-me melhor que as palavras faladas... no entanto houve um tempo em que só as imagens falavam por mim... as imagens eram eu próprio, possuíam vida, a minha própria vida.
É estranho rever algumas dessas "frases"... apesar de ser eu próprio que me revejo, por vezes não sei quem era esse outro eu.

Aos olhos do momento


Estranha sensação esta de chegar atrasado ao cinema, entrar na sala às escuras e de repente perceber que o filme é sobre a minha vida.

Não me recordo de ter cedido os direitos da minha biografia aos estúdios de Holywood... Mas é certo que me esqueço da maior parte das coisas e que das outras já nem me lembro.

Serei mesmo eu aquela personagem trágica e cómica com quem os dias se cruzam como um carro passando despreocupadamente numa passagem de combóio sem guarda?

quarta-feira, março 07, 2007

O velho moinho de maré


Ontem fiz aquela pequena viagem de barco que me levou, em tempos, para uma realidade onde sómente tu e eu existíamos.
O velho moinho de maré foi sempre a testemunha dos sorrisos e cumplicidade que teimávamos esconder um do outro. Eu sentia-me seguro quando o olhava da janela escurecida do barco. Algo me dizia que aquele velho moinho guardava um segredo, que eu nunca desvendaria, nem queria desvendar. O segredo bem poderia ser o nosso futuro ou o nosso passado.
Hoje olhei demoradamente o velho moinho enquanto o barco passava. E lá estava, imponente, mágico, guardião de sonhos e esperanças. Olhava-me calmo e sereno enquanto eu, mais uma vez, me sentia seguro.
De repente o teu sorriso voltou a brilhar como antigamente dentro de mim e uma saudade imensa invadiu-me. Quis voltar para trás para te rever, no entanto, minutos antes, tinha estado contigo e não percebi o teu olhar ainda de menina a brilhar como dantes.
Despedi-me do velho moinho levantando a mão na sua direcção e pareceu-me vislumbrar um sorriso...
Que imaginação esta a minha!

Bom


Foi bom estar aqui um dia ...ainda assim, não sei se será correcto dar esta morada como sinónimo da felicidade.
As memórias vivem da traição da saudade ...mas a verdade é que me sinto bem aqui.
Sei que é bom voltar aqui, como se regressado a um dos locais sagrados do meu Ser.
Porque será que nunca te reencontrei em nenhuma das minhas romarias?
Em que tempo viverás tu agora?
Pode ser que vivas hoje num futuro recheado de brilho e luminosidade, zombando do meu apego a um negro e escuro passado...
Talvez nem sequer tenhas sido tu a roubar-me o presente ...talvez tenha sido eu a esquecê-lo num banco de jardim ou quem sabe se não me caíu da carteira numa travessa esquecida da cidade interior.
De cada vez que levanto os olhos tudo o que alcanço é que o deserto é uma miragem que vejo a partir do oásis do meu comodismo.

terça-feira, março 06, 2007

A Casa Da Aprendizagem





Por vezes damos um salto no modo como entendemos as coisas, as pessoas ou mesmo o mundo onde habitamos.
Um dia o meu avô contou-me uma pequena história (sabe-se lá onde ele a foi encontrar, pode muito bem ter sido o avô dele a contar-lha e ele contou-nos a nós...).
Na altura confesso (tinha por volta de 7 anos de idade) não entendi a mensagem.
É uma pequena história de dois meninos que nunca tinham visto o seu próprio reflexo.
Um dia a mãe pediu-lhes para não se aproximarem de um poço, ainda não tinham idade...
Os dois meninos eram muito diferentes em temperamento, embora fossem da mesma idade cada um tinha o seu próprio feitio e modo de ver as coisas...
Um dia decidiram chegar perto do poço e olhar lá para baixo... que segredo guardaria?
O primeiro a espreitar foi o menino de temperamento mais sisudo... olhou para baixo e assustou-se, lá em baixo estava um ser horrível a olhar para ele com uns olhos que parecia que o queria devorar... ele tinha visto um ser muito mau e certamente muito perigoso... tentou bater-lhe com um pau, mas o monstro lá em baixo pegou num pau ainda maior para lhe bater. Fugiu dali para fora... nunca mais se aproximaria daquele lugar...
O outro menino, embora apreensivo com o relato do seu amigo, resolveu ele próprio verificar como era aquele monstro, debruçou-se a medo e espreitou devagar... lá em baixo viu um animal, ou algo parecido a espreitar devagar também... recuou ligeiramente e o ser do poço também recuou... resolveu acenar-lhe e dizer adeus.... o ser do poço também lhe acenou e disse-lhe adeus. O menino sorriu e ficou espantado por aquele ser, tão simpático, também lhe ter sorrido. Afinal o seu amigo estava enganado mas que simpático aquele animal, ou ser, que habitava aquele poço tão escuro e feio... de certeza de que lá voltaria para brincar com ele... tinha feito um amigo!!

O modo como vemos o mundo resume-se numa pequena história que de tão simples impressiona... e que bela mensagem (pelo menos para mim foi) nos tentou passar.

Apesar de ter passado tantos anos ainda me lembro das histórias que o meu avô desencantava, não sei onde, e nos contava nas tardes de verão quando o calor se tornava insuportável para brincar lá fora.

Dentro de dentro


Na outra noite sonhei que me dizias que conhecias o meu segredo.

E, apesar de sentir o coração assustado, eu não tive medo.

Sabia que estava dentro de um sonho e que tu sabias o meu segredo apenas dentro do sonho.

Ah!, suprema ironia de saber que tudo é uma ilusão.

Talvez um dia eu te conte a verdade e então te possa confidenciar porque é que o sol mente e as palavras brilham.

segunda-feira, março 05, 2007



"As tuas marcas podem dizer muito, mas não consigo ler a tua mensagem...
A tua côr revela marcas do tempo, de um Tempo em que exististe sem saber que em cada dia caminhavas para uma viagem sem retorno, onde só as tuas recordações continuavam presas ao tronco que abandonaste.
Sei que depois de deixar este local só eu saberei onde te encontravas, em que local preciso da tua existência te olhei... e ainda te recordo, ainda recordo aquele outono... mas sei que não mais te irei ver..."

domingo, março 04, 2007

A Comédia Divina


Gosto de acreditar que a chave para a casa de Deus não é um pedaço de metal que nos introduza numa fria nave de pedra onde alguém com má cara nos interpela com um tom imperativo "É proibido fotografar!"

Algo me diz que a chave para a casa de Deus é uma verdade camuflada dentro de nós, um não sei quê informe e escorregadio, que poderia accionar essa engrenagem mágica que é um segredo acerca nós próprios.

Na minha opinião ninguém pode graffitar a verdadeira fechadura da casa de Deus.

sábado, março 03, 2007

Believe Or Not Believe?




" Entre o acreditar e o não acreditar habitam as nossas certezas... mas essas são só nossas... pelo menos isso..."

sexta-feira, março 02, 2007

O último barco


Procurei bilhete para o último barco com partida para a Felicidade.

Comprei-o ou não comprei?

Talvez tenha feito a reserva e depois esquecido de o levantar.

Este imperdoável esquecimento deixou-me do lado de lá da saudade.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Promete-me O Amanhã



Num caminho que cruzámos,
entrelaçam-se destinos,
alguns sós,
outros com promessas de partilha...
Seguramos assim a nossa existência,
com esperanças e sonhos...
Olhando no espelho pedimos a nós mesmos,
"promete-me o amanhã..."

A Fuga do Céu

Notícia de última hora: o Céu fugiu!

Através de engenhosas artimanhas o Céu iludiu os seus captores e laboriosamente furou a grelha que impedia a sua livre circulação.

Que fazer agoraque toda a esperança abandonou esta terra sem Céu?

Uma generosa gratificação aguarda todo aquele que forneça informações sobre o paradeiro do Céu.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

O Vendedor de Utopias


Lembro-me bem dele... Ele contava o seu dia de trás para a frente e da frente para trás. Tudo o que lhe acontecia, desde o mais insignificante dos episódios até ao mais crucial dos acontecimentos, ganhava um tom exoticamente épico e apaixonado na sua voz.

Ele não alugava a atenção das pessoas, ele mudava-se pra dentro da cabeça do ouvinte - pelo menos enquanto houvesse uma história para contar.

Na realidade, e por muito absurdo que isto lhe soasse se alguém o confrontasse com o facto, ele exaltava e glorificava eventos impossíveis...

Aquele amigo, reencontrado inesperadamente um passo à sua frente na fila dos correios, voltara a desaparecer como se nunca tivesse existido tão logo desviara o olhar...

Aquele restaurante onde comera a melhor mousse de chocolate do universo desintegra-se tão logo lhe voltara as costas...

A fila de trânsito que o atrasara para o nosso encontro tornara-se impossível logo que os carros retomaram a marcha...

No fim de contas ele vivia num mundo que deixava de existir mal abria a boca...

Não lhe valia de nada martirizar-se a pensar no que poderia ter dito na situação X depois de tudo passado e encerrado... "As coisas dentro da nossa memória parecem sempre bastante mais claras e lógicas, suscitam-nos aquela resposta de mestre que ficou por dar no calor do momento que nos toldou o raciocínio." Desabafou certa vez.

Talvez o frustasse saber que não podia contar-me o futuro, pois essa seria a prova acabada de que ele existia realmente e que tudo à sua volta era muito mais do que uma simples ilusão.

Mas são estas as miudezas e as glórias dum contador de histórias...

Em certa medida eu concordo com ele - esta é a vida ideal para contar histórias, mas sobretudo para as viver.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O Portal Do Tempo



Por vezes um sinal é o bastante,
para seguir na estrada do Portal do Tempo,
ao encontro de nós mesmos...

Um descanso


Por vezes vale a pena sentarmo-nos num banco em diagonal com o Tempo - é uma maneira de ficar entalados na porta entre o passado e o presente.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A Catedral

Todos os dias renascemos com a promessa de que um novo dia nos permita viver os sonhos mais secretos que habitam no mais recôndito desfiladeiro da nossa alma...
É pena que nos falte, na maior parte do Tempo, coragem para o vivermos...

Resta-nos então entrar na Catedral criada para nós e pedir aos Deuses uma nova chance...

Mais rápido que a própria sombra

Mais rápido que a própria sombra corri atrás de mim, cortando mato por entre as armadilhas ocultas na luz do dia.

Nunca me consegui alcançar... tenho más pernas para correr, mas uma rara astúcia para me despistar.

Cansado e faminto encostei-me à velha ponte dos tempos... fechei os olhos à noite que se avizinhava, escolhendo em seu lugar a noite dos meus pensamentos.

No fim de contas todos nós conhecemos um desfiladeiro secreto onde alguém nos conseguiu encurralar muito antes do nascer do sol.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Sem fuga


Não adianta trocar de meio de transporte quando o perseguidor que pretendemos despistar somos nós próprios.


A Nave Dos Tempos


Aguardo a chegada de um Tempo,
onde possa ouvir a melodia do Cosmos...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Demanda


Para quê viajar até onde os olhos não alcançam, se estamos todos de passagem?

Qual a utilidade de experimentar o exotismo de outras culturas, se as vemos sempre através dos binóculos invertidos dos nossos preconceitos?

De que serve conhecer o mundo de lés a lés, se não nos conhecemos a nós próprios?

Estou convencido de que a verdadeira viagem nos levaria simplesmente até ao outro lado do espelho.

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