Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

sexta-feira, abril 27, 2007

A Casa da Praia


A casa da praia é o cofre onde guardo as palavras mais valiosas... aquelas que a minha boca nunca pronunciou.

Passam o Outono em silêncio, murchando como árvores despidas pela queda das suas folhas... enfrentam o Inverno encerradas na humidade e bafio da sua auto-claustrofobia... recebem a Primavera como uma promessa de liberdade, quais andorinhas que regressam a horizontes mais felizes...

E o Verão aqui tão perto...

sexta-feira, abril 13, 2007



Não sei o que me faz olhar uma imagem e tentar transformá-la num poema...

Talvez seja eu próprio que me veja assim, talvez seja o meu inconsciente a tentar buscar o caminho certo, um caminho que está traçado, algures entre o que sou e sonhei ser... porque há um muro que nos separa daquilo que somos e sonhámos...

Lembrei-me do poeta e daquele verso, "ninguém cumpre o destino que lhe cumpre, nem deseja o que cumpre nem cumpre o que deseja...",

apesar de tudo de uma coisa posso estar certo... fosse qual fosse o caminho, o céu seria sempre azul... e eu, muito provávelmente, chegaria ao mesmo dilema... como se transforma uma imagem num poema...

quarta-feira, abril 11, 2007

A reflexão activa de um momento passivo

Lamento muito poucas coisas na minha vida, mas há algo que me entristece duma forma que remete para além da própria tristeza...

Tenho pena de viver numa época em que é mais importante compreender as coisas do que deixar-nos maravilhar com o seu vivenciar.

De que me serve saber na ponta da língua o processo do ciclo da água se depois não for capaz de saborear a chuva a beijar-me o rosto?

De que me serve compreender o funcionamento dessa máquina perfeita que é o meu corpo se depois não gosto d eme ver ao espelho?

De que nos serve saber o que causa as trovoadas se estas continuam a infundir medo primário no coração dos homens?

A ira dos deuses não se aprende no manual de nenhuma ciência... vive em tudo aquilo que não nos é permitido alcançar.

sábado, abril 07, 2007

Porque Tu És Esse Imenso Cosmos



É por Ti que o Universo existe,

É por Ti que Ele criou o Mundo onde habitas,

É por Ti que o Mundo gira, incansávelmente até ao fim dos teus dias.

Se o céu é azul alguém o fez para que o olhasses,

Se a flôr mais bela te deixa maravilhado,

Se o canto das aves te faz sonhar,

Se sentes que pertences a este Todo, que fazes parte Dele,

Então Tu és isso mesmo,

Tu és Deus,

És o Universo,

És a pequena flôr que teima em brilhar,

És o canto daquela ave além,

És a Palavra, o Verbo do início dos Tempos,

Serás o sonho que ainda não foi sonhado,

Tu... Tu serás a Melodia deste imenso Cosmos,

Porque.... simplesmente és esse imenso Cosmos...

domingo, abril 01, 2007

2º andar direito


Uma luz acesa na janela de algum prédio no meu caminho afigura-se-me sempre como uma promessa de felicidade.

Ali há gente que vive e se chega à janela para espreitar cá para fora.

Eu parado na rua com o olhar cavado pela enxada da curiosidade planto a flor da imaginação no vaso vazio do momento.

Talvez ali viva a mulher com a qual não sonhei ainda mas que suspeito existir por aí algures... aquela que lê nos meus pensamentos a mesma fria e inultrapassável impossibilidade que eu leio nos dela.

sexta-feira, março 30, 2007

Inquietudes


A inquieta sensação de os dias passarem sem que eu possa reescrever neles a minha história...
Saber que tudo o vento leva... tanto a saudade como o passado...
As incertezas de um destino que se cumpre...
Ao longe desenha-se um infinito que secretamente se esconde de mim...
que se esconde de todos nós,
Aguardo por aquela gaivota que no céu, um dia, me indicará o caminho.

domingo, março 25, 2007

Entre mim e as palavras



Poderei eu abandonar este carro na berma e inventar para mim um caminho novo, livre de medos e amarras ?

As estradas de alcatrão nada mais são do que um empecilho quando pretendemos voar nas asas da felicidade.

Este carro conduz-me na ilusão de que sou eu a conduzir.

Quantas vezes não me perdi em viagens que me levaram mais longe do que aquilo que eu pensava efectivamente poder errar?

Quantas vezes não estudei já o Mapa do Incidente que se tornou a minha vida?

Quantas vezes não acordei da exaustão da minha tristeza falhando em reconhecer como meu o toque do telemóvel que me despertava?

A linha do horizonte afigura-se-me um infinito degradé de distâncias... quão longe poderei realmente chegar?

E se eu encostasse já ali?

E se eu estacionasse mesmo debaixo da primeira árvore do último bosque antes da cidade?

E se eu pousasse a minha caneta e poupasse a próxima folha do diário das minhas inquietações?

Escrever é também, em certa medida, uma vaga, misteriosa e inesperada espécie de felicidade.

sexta-feira, março 23, 2007

Te Recuerdas?


Os dias fazem-nos lembrar dias em que por vezes uma única frase, ou palavra, nos remete para um tempo que nos parece tão presente como o dia em que o recordamos.
As ínfimas gotas daquela chuva de verão, soaram, naquela manhã, tão límpidas e luminosas que pensei habitar um sonho.
A tua presença era por mim sentida de uma forma tão intensa que me virei para te dizer como gostava de te ter a meu lado, mas tu não estavas lá...
Então pareceu-me ouvir-te dizer... "- Te recuerdas?"
E é claro que te recordava, claro que me recordava daquele Tempo... como hoje, neste instante...

domingo, março 18, 2007

O Outro Lado


E aquela melodia, de novo, soava em todo o bosque como um apelo ao imenso cosmos onde Deuses escutavam a voz da Vida.

sexta-feira, março 16, 2007

Sul

O meu destino fica a sul... Não tenho mapa, não tenho bússola, nem sequer sei ler os pontos cardeais, todavia sei que vou para sul...

O meu sul talvez não seja o sul geográfico... é donde venho e é para onde me dirijo, fica para trás e para diante.

De ninguém me despeço, ninguém me dá as boas vindas...

Mas virá o dia em que terei feito norte do sul e completado uma volta ao mundo... talvez nessa data nos reencontremos aqui, neste preciso local à mesma hora de outro dia igual a este... que dirás quando leres estas palavras sem lembrar (ou mesmo sem nunca teres conhecido) o tom da minha voz?

quinta-feira, março 15, 2007

O Todo



Para mim não é importante quem foi o arquitecto da mais deslumbrante paisagem, nem quem fez existir a complexa floresta, pouco me importa quem deu o perfume às flores, quem inventou o sorriso das crianças, quem foi o inventor do amor, da palavra, das cores... nada, mas nada disso me importa... porque o mais importante para mim é, QUEM é isso tudo ? Porque mesmo que me digam que foi Deus que fez isso, pouco me importa... o mais importante para mim é que Deus é isso tudo...

quarta-feira, março 14, 2007

Labirinto




Construímos um labirinto à nossa volta de coisas que nos liguem a uma realidade em que julgamos ser reis. Atulhados de crenças, ideias e amuletos para nos ajudarem a acalmar quando percorremos esse labirinto onde cada vez mais nos sentimos perdidos... porque cada vez mais estamos à deriva por não saborearmos um Tempo que não sabemos que existe...

terça-feira, março 13, 2007

Re Atar


Antigamente os livros eram sinónimo de conhecimento.

Depois os livros tornaram-se um produto.

E eis que hoje os livros contam a história do regresso dos que nunca partiram.

Basta passar os olhos na secção de livros do Hipermercado mais próximo.

domingo, março 11, 2007

À Escala do Coração


Pela escala do coração ninguém é maior que ninguém.

Na escala do coração a dor e o prazer são os dois lados da moeda que paga o preço da vida.

É à escala do coração que eu meço os actos e as palavras da humanidade... não pelo dinheiro, não pelas posses, não pelos títulos que ostentem à frente do nome.

sábado, março 10, 2007




A Verdade de um momento é a imagem à pergunta que ainda não tínhamos formulado...

sexta-feira, março 09, 2007

Fardo


Não sei se gosto mais de pensar por palavras ou por imagens...

Por imagens definitivamente: as imagens são mais puras e cristalinas... como retratos da minha alma.

Mais difícil é a escolha entre as minhas fotografias e os meus textos... Apesar de ter plena consciência de que as imagens sobrevivem melhor sem os textos do que os textos sem as imagens, isso não torna mais fácil a opção.

Fossem estes todos os dilemas e as dores de cabeça dum pobre caçador de palavras...

quinta-feira, março 08, 2007

No Labirinto Do Tempo



Normalmente as palavras escritas saem-me melhor que as palavras faladas... no entanto houve um tempo em que só as imagens falavam por mim... as imagens eram eu próprio, possuíam vida, a minha própria vida.
É estranho rever algumas dessas "frases"... apesar de ser eu próprio que me revejo, por vezes não sei quem era esse outro eu.

Aos olhos do momento


Estranha sensação esta de chegar atrasado ao cinema, entrar na sala às escuras e de repente perceber que o filme é sobre a minha vida.

Não me recordo de ter cedido os direitos da minha biografia aos estúdios de Holywood... Mas é certo que me esqueço da maior parte das coisas e que das outras já nem me lembro.

Serei mesmo eu aquela personagem trágica e cómica com quem os dias se cruzam como um carro passando despreocupadamente numa passagem de combóio sem guarda?

quarta-feira, março 07, 2007

O velho moinho de maré


Ontem fiz aquela pequena viagem de barco que me levou, em tempos, para uma realidade onde sómente tu e eu existíamos.
O velho moinho de maré foi sempre a testemunha dos sorrisos e cumplicidade que teimávamos esconder um do outro. Eu sentia-me seguro quando o olhava da janela escurecida do barco. Algo me dizia que aquele velho moinho guardava um segredo, que eu nunca desvendaria, nem queria desvendar. O segredo bem poderia ser o nosso futuro ou o nosso passado.
Hoje olhei demoradamente o velho moinho enquanto o barco passava. E lá estava, imponente, mágico, guardião de sonhos e esperanças. Olhava-me calmo e sereno enquanto eu, mais uma vez, me sentia seguro.
De repente o teu sorriso voltou a brilhar como antigamente dentro de mim e uma saudade imensa invadiu-me. Quis voltar para trás para te rever, no entanto, minutos antes, tinha estado contigo e não percebi o teu olhar ainda de menina a brilhar como dantes.
Despedi-me do velho moinho levantando a mão na sua direcção e pareceu-me vislumbrar um sorriso...
Que imaginação esta a minha!

Bom


Foi bom estar aqui um dia ...ainda assim, não sei se será correcto dar esta morada como sinónimo da felicidade.
As memórias vivem da traição da saudade ...mas a verdade é que me sinto bem aqui.
Sei que é bom voltar aqui, como se regressado a um dos locais sagrados do meu Ser.
Porque será que nunca te reencontrei em nenhuma das minhas romarias?
Em que tempo viverás tu agora?
Pode ser que vivas hoje num futuro recheado de brilho e luminosidade, zombando do meu apego a um negro e escuro passado...
Talvez nem sequer tenhas sido tu a roubar-me o presente ...talvez tenha sido eu a esquecê-lo num banco de jardim ou quem sabe se não me caíu da carteira numa travessa esquecida da cidade interior.
De cada vez que levanto os olhos tudo o que alcanço é que o deserto é uma miragem que vejo a partir do oásis do meu comodismo.

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