
Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui
Uma viagem conduzida por:
sábado, setembro 15, 2007
Para Além da Verdade...

terça-feira, setembro 11, 2007
Fascination street
Com tristeza ele voltou as costas e atravessou pesaroso a rua.
Na memória bailavam as imagens agora impossíveis duma outra despedida.
A mulher que então ficara para trás e a mulher que agora ficava para trás olhavam-se desconfiadamente, estudando-se mutuamente dentro seu olhar.
Eram ilusões da sua mente, e ele bem o sabia, mas, ainda assim, continuava sem fazer a miníma ideia do que pensavam uma e outra.
A verdade era relativamente simples: uma possuia o elemento-maravilha e a outra não... uma era instantaneamente desejável fazendo disparar-lhe o coração a mil à hora e a outra deixava-o perfeitamente indiferente e, por mais que apreciasse a sua companhia, que apreciava sem margem para dúvida, sem o mais leve traço de emoção... e que bom seria se ele pudesse amar a mulher de hoje como amara incondicionalmente a mulher de outrora!...
Triste era que a mulher de outrora, de quando voltara as costas e se afastara a passos largos desse outro lugar, sentira por ele exactamente o mesmo que ele sentia neste preciso momento pela mulher de agora, caminhando rapidamente através daquela rua que parecia nunca mais terminar, enquanto os olhos dela se cravavam pelas suas costas como dois punhais de fogo.
Ele experimentava ao mesmo tempo o corte frio e dilacerante dos dois gumes da faca da rejeição... perfurava-lhe a pele debaixo da pele da pele a lâmina ainda afiada do dia já longinquo em que fora rejeitado e também a lâmina incandescente do ainda mal acabado instante em que rejeitara da mesma forma que fora rejeitado...
"A rejeição é um adeus a nós próprios na voz doutra pessoa." Pensou ele quando finalmente dobrou a esquina.
domingo, setembro 09, 2007
O Altar do Tempo

sexta-feira, setembro 07, 2007
Fora de horas

As longas barbas brancas talvez escondessem ainda a suavidade da pele do jovem impetuoso de outros dias menos esquecidos do que o dia de ontem e ainda assim não tão longinquos como o dia de amanhã.
Quem lhe ensinara mais?
O homem que lhe ensinara a sagrada arte e o secreto ofício que agora se incumbia de transmitir a outros mais jovens e inocentes, ou os olhos da mulher que amava ainda para além da morte?
Quem fora na verdade o Mestre mais precioso?
Desejou ardentemente encontrar esse mesmo olhar quando se voltasse para averiguar que estranho restolhar fora aquele logo atrás de si... porém o mais certo era ser apenas um dos seus protegidos ...ou na pior das hipóteses um dos soldados da horda inimiga prestes a desferir sobre si o golpe de misericórdia.
Fosse como fosse não poderia prolongar eternamente o prodígio daquele instante entre o último gole de água e o acto de se virar...
Às vezes acredito que o futuro está escrito nos teus olhos... Deve ser por isso que temo olhá-los bem fundo... como se esticasse os pés e espreitasse através duma janela onde o futuro, o passado e o presente se confundem e amalgamam como uma singular inominabilidade. Inquietantes cenários e enigmáticas situações envolvendo improváveis objectos parecem acontecer dentro deles... o impossível não parece tão irremediável durante o tempo que dura o teu olhar... É na inolvidável maravilha do teu olhar que o chumbo dos meus pensamento se metamorfoseia no ouro das asas dum pássaro que voa livre para além do Tempo. Nem que vivesse mil anos encontraria descrição mais apropriada do que esta para a alquimia da tua presença...
quinta-feira, setembro 06, 2007
O Regresso
domingo, setembro 02, 2007
A Visão
Na escura noite em que o cavaleiro nos levou a mensagem todos pressentimos de que algo não estava bem, só aquela fogueira nos pareceu real, a própria Lua, companheira dos solitários e caminhantes, parecia diferente...
Atrás de nós pareceu-nos ouvir um estalar de ramos, como se alguém andasse perdido naquele imenso bosque. Olhámos uns para os outros, pareceu-nos que ninguém faltava, mas ao mesmo tempo alguém que deveria estar connosco não estava e isso perturbou-nos a todos...
O mais velho de nós apagou a fogueira e disse:
- Temos de seguir, como sabem está na hora, a Lua deu-nos o sinal... hoje é a noite da batalha, aquela que todos tememos e aquela que todos esperamos.
Alguém então perguntou...
- Quem anda na floresta?
O velho sábio olhou para nós dizendo:
- Quem procura encontra, somos mais do que somos aqui... há guerreiros da Luz que nos acompanham sem saber, no entanto estão no caminho certo... um dia quando acordarem seguirão, mesmo de olhos vendados e na noite mais escura a Luz que nunca viram mas que sabem existir...
Seguimos em frente... o som de alguém atrás de nós, por momentos, deixou-se de ouvir... o nosso companheiro desconhecido havia de voltar a encontrar o nosso caminho... e isso para todos nós era uma verdade.
Torre

Lembro-me que era fim de tarde. Estava em casa. Talvez lesse um livro ou qualquer coisa do género. Era o meu último dia de férias. No dia seguinte teria impreterivelmente de me apresentar ao trabalho.
A luz que entrava pelas amplas janelas da sala começava a definhar e a dar espaço para as sombras crescerem. Se quisesse ir dar o tal passeio que pensara pela mata circundante à minha casa teria de sair agora, caso contrário ficaria demasiado escuro e seria já noite demais.
Levantei-me do sofá num único impulso, apanhei a chave de casa e saí. Atravessei a estrada tomando o caminho da mata. As altas árvores já nem me deixavam ver o por do sol, mas havia ainda claridade mais do que suficiente.
Em vez de seguir os trilhos do costume resolvi experimentar algo de novo. Porque não seguir aquele esboço de carreiro que se afundava mais ainda no vale? Pelo estado reparava-se que não era usado há muito. "Que se lixe!" Avancei destemido.
Desci e subi, subi e desci, enquanto as sombras iam tomando conta do mundo à minha volta.
A noite cercava-me como um anjo ou um demónio.
Que horas seriam já? Na realidade não importava muito... não lamentava ter trazido apenas a roupa que me cobria o corpo e a chave de casa. Não podia dizer que tivesse saudades do meu relógio ou do meu telemóvel. Sentia-me bem assim livre do tempo e do mundo.
Todavia, continuava a subir montes e descer colinas sem fazer a mínima ideia de onde estava.
Nunca me tinha afastado tanto nos meus passeios pela mata.
O som errático dos meus pés a pisar a pedra no chão (não lhe chamaria já passos) e a madeira que acariciava com a palma da minha mão numa pausa para descansar...
Esta sensação era-me familiar...
Com uma ligeira diferença... a pedra tocava-me a mão e a madeira sustentava os meus pés.
Se fechasse os olhos quase conseguia ouvir outros sons a dançar com o cantar dos grilos embalado no silêncio do fim de tarde, principio de noite na mata...
Estava parado a meio caminho das escadas de madeira da torre do castelo, uma mão poisada sobre a pedra e outra sobre o meu coração, os olhos fechados apesar da noite ir já adiantada.
Lá longe... música... Uma gaita de foles e... tambores? Sim. Outro ruído... O crepitar duma fogueira! Vozes... Pisotear... Ah! Pessoas a dançar à volta da fogueira! Copos a ser erguidos no ar, o vinho a salpicar o pó. Uma festa! Quem sabe não acabou de nascer o principe herdeiro deste reino? Ou talvez esta seja a última noite antes da derradeira batalha contra o temível inimigo aquartelado do lado de fora da muralha...
Acho que reconheço um outro som... mais em cima... este suave restolhar devem ser os estandartes e a bandeira deste jovem e imberbe país a bailar também ao sabor do vento no topo da torre.
Quem sou eu aqui parado a meio das escadas da torre? Serei um soldado que sobe para render a vigia às legiões inimigas? Talvez seja o rei que desce para se juntar às comemorações pelo nascimento do seu primogénito. Posso até ser um simples aprendiz de ferreiro à espera da amante, uma das aias da rainha, que conheci numa outra noite como esta, quando procurava alcançar o cimo da torre para experimentar as asas por mim construídas para voar e maravilhar o coração dos homens.
Talvez esta seja a altura certa para eu abrir os olhos...
Mas o que fazer quando a escuridão é tão grande com os olhos fechados quanto com eles abertos?
quinta-feira, agosto 30, 2007
Sombra colorida
Por muito que se esforçasse no contrário, era sempre defronte à fachada daquele prédio que acabavam os seus périplos nocturnos cidade fora.
Durante algum tempo acreditou que as cores que via nos diferentes apartamentos fossem um efeito colateral das suas insónias.
Procurou em vão o mesmo prédio à luz do dia, sem nunca o descobrir.
Até que uma noite um outro filho da madrugada passou por ele diante da fachada, abrandou o passo e comentou: "É curioso, parece um mosaico a marcar a posição de que nem a escuridão pode vencer as cores dos nossos sonhos... E ali também ninguém dorme."
Ele ficou atordoado pelo eco destas palavras misturado com o som dos sapatos do desconhecido afastando-se... apossara-se de si um medo mais antigo do que os próprios homens.
Não lhe chegara a ver o rosto, fascinado que estava com as sombras coloridas a executarem uma misteriosa coreografia do lado de lá do amarelo, do verde, do vermelho, do azul... desviou o olhar e ficou a ver aquela silhueta a perder-se na incógnita de mais uma esquina na cidade levemente submersa num estranho e fantasioso nevoeiro.
Todavia, aquela voz era-lhe estranhamente familiar... aquela silhueta não lhe era de todo desconhecida... como se do seu próprio pai ou do seu próprio irmão se tratasse... ou mais próximo ainda...
O desconhecido sabia mais do que ele acerca daquele intrigante edifício. Talvez o estranho fosse um deles... um daqueles que dançavam na cor do sonho...
De repente lembrou-se de onde conhecia aquela voz... Claro, como não se apercebera imediatamente!
Aquela era a sua voz! Mais madura é certo, mas era a sua voz.
Aquela era a sua silhueta! Talvez algo mais curvada pelos anos, sem dúvida, mas era a sua silhueta.
Sorriu e voltou a olhar para a fachada.
Sim, lá estava Ele-Eu num apartamento a ver televisão... A que programa assistiria? Uma série policial? Um reality show? Não, esperem... Ele sabia... Naquele aparelho passava a desoras o filme que contava a história dum homem parado diante da fachada dum certo e determinado prédio, travando um braço de ferro entre a escuridão e as sombras dos seus sonhos.
Encolheu os ombros, bocejando. Era a altura de regressar a casa.
Apercebia-se agora que um dia saberia as respostas para as dúvidas, questões e perguntas que hoje não o deixavam dormir.
segunda-feira, agosto 27, 2007
Anjos Na Noite

sexta-feira, agosto 24, 2007
Um Dia
sábado, agosto 18, 2007
Os Adoradores do Sol

Só tinha uma certeza, fosse qual fosse o seu destino, tinha que seguir em frente... para onde? Com que missão?
Apesar de na sua mente se sentir desconfortável quando alguma destas perguntas imaginárias lhe ocorriam, algo maior que si próprio se sobrepunha, como uma verdade, uma absoluta verdade... este é o seu caminho, este era o caminho certo...
Parou e tentou vislumbrar por entre um nevoeiro denso, algo enigmático, prenúncio de um acontecimento que por momentos o atemorizava e ao mesmo tempo o deixava numa expectativa tranquilizadora, um local para descansar.
Após uns instantes levantou-se e seguiu, agora mais confiante, mais seguro de si mesmo, aquele seria o caminho certo.
O nevoeiro haveria de desaparecer nos minutos mais próximos, sentia a presença da luz do Sol, da presença de uma Luz muito maior...
Instantes depois as nuvens subiram, a cada passo que dava o caminho à sua frente abria-se, de tal modo que conseguiu ver, ao longe, sombras debruçadas sob um muro de onde uma Luz intensa rasgava os céus...
No exacto momento em que se juntou aos outros nada, na sua longa caminhada, o tinha preparado para o momento da chegada ao Templo dos Adoradores do Sol.
Foi então que compreendeu aquela imensa verdade que esteve sempre com ele, a verdade que sempre o fez caminhar, a verdade que o fez não desistir... essa sua verdade brilhava como aquela Luz...
sábado, agosto 11, 2007
Verdade Secreta...

Viajamos no Tempo, no nosso Tempo, à procura de uma qualquer Verdade, de uma qualquer sabedoria algures escondida num lugar secreto, no entanto essa Verdade está nos sonhos, essa Verdade sempre esteve connosco...
Um dia ao olharmos para o lado vislumbramos o momento certo, o momento em que um sinal é dado pelo próprio Universo... e esse sinal é para nós...
A Barca dos Sonhos sempre existiu no Universo que nos fez existir, está à nossa disposição, pronta a levar-nos numa imensa viagem em que o limite somos nós próprios.
Embarquemos então nos sonhos, naquela barca que há tanto Tempo acompanha a Humanidade na sua viagem.
O Sinal foi dado... porque esperamos então?
segunda-feira, agosto 06, 2007
Sagrada Caligrafia dos Dias
Desejei tirar um curso sobre a ancestral e sagrada arte da caligrafia dos dias... procurar por mestre um renomado artista da arte de lançar o olhar para além do momento.
Almejei aprender e desenvolver o meu conhecimento do alfabeto dos dias, a língua original dos segredos escondidos no rumorejar dos rios, no sopro do vento, no silêncio dos meus pensamentos...
Sonhei evoluir na expressão artística e gráfica dos elegantes movimentos da caligrafia que não desenham as palavras que escolho e desprezo sempre que minto um Eu que apresento ao mundo no baile de debutantes dos olhos da minha mãe, do meu pai, do meu irmão, da mulher que amo, dos meus amigos, dos meus colegas de trabalho, do pedinte que espera à saída do supermercado, do desconhecido com quem me cruzo fugazmente na rua.
Acreditei viver numa terra sem espelhos nem reflexos e que os meus olhos sendo parte da minha cara desconheciam por completo o meu rosto... e ainda assim não era segredo para mim quem eu era.
sábado, agosto 04, 2007
Pensamentos Ao Entardecer
quarta-feira, agosto 01, 2007
Realidade Irreal

Parei o carro naquela avenida e saí, no horizonte os Deuses do Olimpo pareciam acenar-me, aquele Tempo não era o meu Tempo, eu estava não estando ali.
Ao longe, a todo o momento, anjos poderiam surgir no horizonte anunciando alguma salvação, ouvindo, finalmente, as preces do mundo...
Seria este o lugar em que desembarcariam os Guerreiros da Luz? O lugar escolhido por magos e feiticeiros?
Imaginei tudo isso... perdi a noção do Tempo, do local onde estava e de toda a realidade(?) à minha volta... tinha passado mais de uma hora... que inquietante! Nem dei por isso, seria possível?
Por alguma razão olhei de novo para o horizonte e lembro-me de sorrir... e... do lado de lá... algo me sorriu também...
Gatrioskos

Era uma noite como outra qualquer. Ficara até mais tarde no trabalho e regressava a casa já pela noite dentro. O meu carro já tinha a obrigação de saber o caminho de cor e salteado, mas como aquela parte da estrada atravessava uma zona rural sem qualquer iluminação e nela mal caberiam dois carros que se cruzassem, mantinha-me alerta e vigilante.
De repento observo dois olhos a brilhar lá longe na berma esquerda. Galgados mais alguns metro os faróis iluminaram um gatinho branco, quase bebé ainda. Abrandei a velocidade. O animalzinho mirou-me desconfiado e saltou para dentro da vegetação, perdendo-se a sua alvura na escuridão da noite.
Sorri e prossegui o meu caminho. Não muitos quilómetros à frente, novo par de olhos brilhou na noite também na berma esquerda. Desta vez os faróis revelaram-me um gato branco ainda jovem, ligeiramente maior que o anterior.
Ainda que surpreso com a coincidência não abrandei.
Alguns metros antes do clarão que anunciava o regresso à estrada com as duas faixas perfeitamente demarcadas e bem iluminada, ainda um outro par de olhos brilhou algures na escuridão da berma esquerda. Engoli em seco ao perceber que se tratava de um enorme gato branco adulto. Escapuliu-se nas trevas assim que que sentiu o motor do carro a engasgar quando eu levantei o pé do acelerador.
Arranquei de novo sem deixar o carro imobilizar-se completamente e parei no cruzamento que me devolvia à estrada que em poucos minutos me colocaria em casa.
Que estranha coincidência fora aquela?
Como intitular o relato desta noite?
O Tempo dos 3 gatos?
O Gato dos 3 tempos?
Na realidade que garantia tinha eu de que esta história se passava numa única noite com a participação de 3 gatos brancos? E porque não aceitar que o gato fora só um e as noites se tinham prolongado por semanas? Não fazia eu aquele caminho todas as noites? Ou talvez tivesse sido apenas um gato numa única noite... Que sabia eu efectivamente do tempo para além daquilo que marcava o mostrador do meu relógio de pulso? Que data era a daquele dia, que idade tinha eu, quem era eu?
1 gato, 1 noite? 2 gatos, 2 noites? 3 gatos, 3 noites? 1 gato, 2 noites? 2 gatos, 1 noite? 3 gatos, 1 noite? 1 gato, 3 noites? 2 gatos, 3 noites? 3 gatos, 2 noites?
Mas mais que isso: seria de todo despropositado acreditar que esta história não se passara de dia e que os gatos fossem pretos?
Diria eu o que sabia ou saberia o que dizia?
sábado, julho 28, 2007
O Aprendiz

quinta-feira, julho 26, 2007
Sonhas Com O Dia Em Que Saberás Voar...

terça-feira, julho 24, 2007
Coroa de Nuvens
segunda-feira, julho 23, 2007
A Chegada

" Após chegar olhou aquele lugar... tinha superado mais uma etapa na longa caminhada que ainda o aguardava. A Luz estava na posição certa, indicando-lhe onde deveria aguardar pelos companheiros.
Ali nada teria a recear, aquele lugar representava o seu próprio Universo, aquela era a sua casa, mas também era a casa dos seus próprios companheiros.
Uma melodia pareceu encher o ar... e ao som dessa melodia adormeceu, cansado da longa jornada.
A Luz vinda de fora inundou a sala parecendo parar o Tempo.
O primeiro Guerreiro da Luz tinha chegado à Casa da Aprendizagem... "


