Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

segunda-feira, março 03, 2008

Trilogia Piramido-Urbanística

ToxiCidade
As flores
da minha cidade
são o medo dos campos.



Help


que
não podes
mudar o mundo
muda-te a ti próprio.


Sun City

O sol
não nasce para
todos se o céu tem o mesmo
tamanho que tu e eu e é suplantado
em altura pelos mais banais prédios da cidade.

domingo, março 02, 2008

Alucinações


Na manhã daquele dia olhou-se ao espelho questionando-se quem estava no outro lado...

Sentia-se o Sol e a Lua... o dia e a noite... tudo isso e nada disso...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Suspeita


Talvez seja pretensiosismo da minha parte, mas não acredito que viajar no tempo seja um dever a que tenho direito...

A minha agência de viagens bombardeia-me com ofertas ao preço da chuva para zarpar em direcção aos períodos históricos mais apetecíveis.

Mas o que posso pedir de melhor do que o dia de hoje, se todos os meus contemporâneos vagueiam, neste rigoroso momento, nalguma zona indeterminada do passado e do futuro?

Prefiro ser um homem só no mundo do que um mundo só no meio dos homens...

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

"E ele sorria mais uma vez..."


" Hoje vieram-lhe à ideia lembranças de outros Tempos... ou talvez fosse sómente aquela imagem que o transportou para aquele preciso momento, àquele derradeiro momento em que um sim ou um não fariam toda a diferença.
Ao fechar os olhos, para relembrar aquele dia, sentiu-se do outro lado... de um lado que não mais voltaria e de onde nunca se despediu...
Ele sabia que que as despedidas eram aquilo que mais temia, sempre o soubera, desde muito cedo... mas sempre o conseguira disfarçar... porque fazemos sempre de conta que aquilo que não gostamos não existe, verdade?... havia mesmo quem pensasse que para ele tudo aquilo era fácil « - Que despegado que ele é....!» diziam as pessoas que nunca o conheceram... e ele sorria... mais uma vez ... todos estavam enganados..."

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A Genealogia do Tempo

Eu aspirava o ar puro da Rua do Horizonte, perdendo o meu olhar algures entre a terra e o mar, quando aquele estranho personagem me abordou com ar de vago mistério, tomou-me o braço e, apontando a casa do outro lado da varanda para o vale, sussurrou-me ao ouvido:

- Já reparou que nesta casa, uma vulgaríssima casa , uma casa como outra qualquer, a esta hora do dia se lê o futuro e se revelam todos os segredos do passado? É só preciso saber desvendar, é só preciso saber decifrar... Concorda?

Olhei-o como que estremunhado e respondi:

- Com corda ou com cordão interessa é agarrar o presente... o hoje... o agora...

O homem largou-me o braço abruptamente e afastou-se espreitando-me por cima do ombro com mal disfarçado despeito... Resmungou qualquer coisa entredentes... Não percebi se dizia "A corda" ou "Acorda"...

domingo, fevereiro 17, 2008

Ribeiro Lindo Rebelo


As minhas pegadas serão as tuas pegadas quando eu coloco cuidadosamente os meus pés onde os teus pés fizeram o seu caminho?

A tua voz será a minha voz sempre que dizemos "Amo-te..." à desgarrada?

O rio será o rio ou apenas o veículo por onde passa o barquito onde depositamos um único e singular olhar?

- Amo-te.

- Eu amo-te mais...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

E Se O Meu Tempo Não Fosse O Teu Tempo?


E se o meu Tempo não fosse o teu Tempo?
Se o voo do pássaro, como lhe chamavas, riscasse o céu só para mim?
E se na cidade branca só eu me perdesse?
Se o meu Tempo não fosse o teu...
nunca os meus olhos imaginariam os teus olhos...
nunca os meus lábios tocariam os teus lábios...
Se o meu Tempo não fosse o teu,
Seria o teu sol diferente do meu?
Seria a tua poesia um Universo que um dia eu descobriria?
Mas o meu Tempo é o teu Tempo...
A tua Alma é o espelho da minha Alma,
Porque eu habito o teu Tempo... e tu o meu...

domingo, fevereiro 03, 2008

Dejá vu

- Tive agora uma sensação tão estranha... - Disse ela olhando em volta. - Poderia jurar que já estive aqui... Eu já estive neste lugar com alguém, embora seja a primeira vez que piso este chão.

- E esse alguém não era eu? - Interrogou ele.

- Não. - Franziu ela o sobrolho.

- Talvez essa sensação não viesse do passado... - Retomou ele a palavra quebrando um curto e vagamente desconfortável período de silêncio . - Quem sabe não sonhaste há muitos anos com este dia em que tu e eu viessemos aqui... muito antes de nos conhecermos... muito antes de de acreditares que um dia estaríamos aqui com a paisagem no coração e o outro no olhar...

- Achas que sim? - Hesitou ela.

- Não sei... - Sorriu ele. - Mas às vezes parece mesmo que as premonições nada mais são do que recordações dum passado remoto e que os dejá vu são apenas e simplesmente memórias do futuro.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A Memória das Coisas


Não sei se é obra do vento ou se é o mecanismo da memória das coisas em acção: as ervas que dançam na frente do meu caminho fazem uma vénia perante o sopro do vento ou adivinham os passos que eu ainda não dei?

E se a memória fosse feita não só do passado mas também do futuro?

Pergunto-me muitas vezes se os dejá vu já aconteceram ou se ainda vão acontecer...

Quando me sento no regaço do Tempo nunca sei se eu sou o mestre ou se sou o aprendiz...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Em Busca da Chave Secreta


"Abriu os olhos naquele pequeno mundo onde tudo lhe parecia estranho... não se lembrava da razão da sua viagem, nem tão pouco do que o levara a este reino onde tudo parecia tão... intocável...
O seu mestre falara-lhe em tempos de um lugar onde habitavam as secretas lembranças de uma Humanidade sonhada... o reino de uma qualquer entidade, de onde a Vida partira, para um dia voltar a nascer.
À sua volta escutava a melodia do silêncio, o brilhar das gotas de água da chuva faziam-lhe pensar que estava entre as estrelas além no Cosmos.
Seria este o lugar mágico onde a Verdade lhe seria desvendada? Seria este o Paraíso que em tempos ouviu dizer?
Lembrava-se do seu mestre e das suas palavras... « Todas as respostas estão em ti próprio, só tens de procurar na Natureza a chave secreta... »
Levantou-se e continuou o seu caminho, embora não vislumbrasse qualquer estrada, parecia-lhe, de cada vez que dava um passo, que as árvores e plantas se desviavam para que pudesse passar. Estaria ele a sonhar?
De qualquer maneira o sol fazia-o lembrar que estava uma bela manhã de uma qualquer primavera, num qualquer lugar e num Tempo desconhecidos para ele..."

sábado, janeiro 12, 2008

O Tempo e o Vento


Os pensamentos do homem sem cabeça são transparentes.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

O Leilão


Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.

Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.


Preferes ser Rei,
Poeta
ou Guerreiro?

Saberás sequer a diferença
entre o ceptro,
a caneta
e a espada?


Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.

Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.


Quem dá mais, quem dá mais?
A moeda da felicidade não se paga a si própria.
A licitação base é o medo.
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três...

Vendida ao cavalheiro sem passado!

terça-feira, janeiro 01, 2008

.../...


Por vezes penso que esta viagem não foi feita para mim, que tudo não passa de um sonho, de um conto contado por alguém a um menino e onde tu habitavas a minha história sem que eu te conhecesse sequer...

Naquele dia, nesse conto, vivido por nós, adivinhámos um futuro que, de tão longínquo, pensámos nunca alcançar.

Éramos os heróis da nossa história, de uma história sem fim, onde a eternidade ocupava o nosso espaço e onde tudo era possível...

Fui eu que adivinhei o nosso futuro naquele dia.... quando te perguntei... " e se não der certo?".

Esquecemos a resposta mas o Tempo não...

Habitaremos até à eternidade juntos...

Até que o Tempo queira...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Maria Faria



Ninguém nasce com vocação
para carcereiro,
ninguém nasce com vocação
de prisioneiro.

Mas não é por isso menos incrível
encontar quem ache preferível
envergar as listas do prisioneiro
no lugar da farda do carcereiro.

Escolher um caminho é abrir uma porta,
deixar entrar um convidado mistério
e sentá-lo na cadeira mais torta
do nosso secreto Império.

E quem o escolheria ainda assim?

Maria Faria.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

A Fuga


" Ele encontrava-se no meio de um lugar onde teria de fazer uma escolha... a viagem a caminho da Luz ou voltar para trás, para os mesmos lugares onde as gélida manhãs e as enebriantes noites frias o aguardavam, dia após dia... hora após hora...
A sua própria sombra já o incomodava, a própria pele sentia-a como se não fosse dele... procurava uma fuga para a sua alma, corpo e mente...
Ao longe a luz azulada da cidade fazia um convite a quem a olhasse...
- Vem até mim... aqui esquecerás as tuas escolhas e sonhos..."

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Noites Para Além do Portal


" - A Porta abriu-se perante eles. Naquela câmara ao longe, bem distante deles, algo os fitava do alto friamente.
Não lhes pareceu humano, mas também não lhes pareceu não humano.
A Porta fechou-se.
O mais velho do grupo dirigindo-se à figura enigmática e ignóbil, perguntou:
- Quem sois?
Um eco fez-se ouvir naquela enorme sala de todos os lados, dir-se-ia que não era sua voz mas sim que dezenas de vozes vinham de um qualquer compartimento interior àquele lugar.
- Sou a Esfinge que se esconde na alma dos Homens, sou o lado submerso do iceberg da mente humana, o lado que a Humanidade tenta esconder... sou o pedaço de pão que sobra e que não é distribuído... sou o reflexo daquilo que a Humanidade não quer ser mas que nalgum lado tem de existir... e existe aqui neste lugar...
Todo o grupo pareceu incrédulo... seria todo o Mal da Humanidade culpa de uma Esfinge.... de uma Coisa? Ou esta seria a nossa consciência, a nossa própria consciência daquilo que não queremos ser, daquilo que nos envergonhamos de ser?
Tudo aquilo parecia muito estranho..."

sábado, dezembro 15, 2007

O Mensageiro


Eu não sei quando os meus amigos precisam de mim...
Eu não sei se os meus amigos sabem que eu preciso deles...
Do mesmo modo, eu não sei quando vou precisar dos meus amigos,
Nem tão pouco sei ler no Tempo as mensagens que me são dadas conhecer,
Quando um amigo precisa de outro.
Uma coisa sei... a amizade é algo que une caminhos, mundos e sonhos,
E se o meu caminho um dia se ligou ao de alguém,
Saberei sempre, haja o que houver, lá ir ter...
Mesmo na mais escura noite haverá um mensageiro para me guiar,
Os olhos de uma qualquer ave serão os meus...
E...
Até Sempre!

sábado, dezembro 08, 2007

Biografia dos Deuses



É nesta e noutras alturas do ano que é possível assistir ao insólito fenómeno da migração das árvores.

Ao invés de buscarem paragens mais quentes, onde aguardassem prazenteiramente pela primavera, as árvores aproximam-se de nós e aquecem-nos o coração.

A biografia dos deuses lê-a a rugosidade da casca duma árvore quando lá passas com a mão...

Os segredos da vida de todos nós vão-se revelando no preencher dos espaços em branco...

Se a palavra FIM estiver escrita a caneta de luz sobre uma página em branco não é possível saber se a história já terminou ou não.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Num Imenso Azul Existes


"Sei que um dia partirás... mas... sabes... no dia em que queiras voltar estarei aqui, perto do mar, tocando o imenso azul, onde o céu e a Terra são um só como eu e tu.
Sabes onde me encontraste, sabes onde eu pertenço, sabes a quem me dou, sabes que tens o teu lugar comigo além onde escuto a melodia do mar e da Terra.
E naquele vale onde habito caminhas lado a lado comigo, não que algum dia me tenhas acompanhado, mas porque em sonhos te sonhei junto a mim...
E os ventos nessa tarde, enquanto te abraçava, ouviram um pensamento secreto que um dia imaginei dizer-te...
- Eu amar-te-ei para sempre..."

sábado, dezembro 01, 2007

Love story


Será que todos temos uma história de vida personalizada e intransmíssivel, como os passes dos transportes públicos, identificados com a nossa fotografia e nome, ou todos compramos um anónimo bilhete de ida e volta, válido apenas até ao exalar do derradeiro suspiro?

Não é por nada, mas se por acaso estiver correcta esta última hipótese, todos teremos de viver o mesmo cardápio de experiências, sensações e emoções.

Não posso crer que o filme de amor que vi ontem na televisão descreva exactamente aquilo que sinto por ti, aquilo que sentes por mim, aquilo que acontece cada vez que estamos juntos... mas acaso não me emocionou como se por artes mágicos não fossemos nós aquele casal do outro lado do ecran?

Viveremos nós todos a mesma história de amor ou haverá tantas histórias de amor quanto o número das pessoas que se amam?

Não sei responder... mas quero dizer-te uma coisa...

Sempre que estiveres triste lembra que te amo e que cada segundo é a argamassa que prende os tijolos ao muro das horas que teimam em separar-nos... porém o melhor que essa barreira conseguirá será adiar uma e outra vez a inevitabilidade do nosso reencontro.

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