Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

segunda-feira, julho 21, 2008

Labirinto Aquático


A paranóia, a confusão e o pânico não me poderão vencer enquanto as minhas pernas continuarem a investir, passada a passada, no negro chão do meu cárcere subaquático. Não sei quantas vezes já passei por aqui... Na realidade, não tem qualquer importância. Corredor após corredor vou surpreendendo porta atrás de porta, desaguando inutilmente para o fundo do oceano. Haverá uma saída?

Recordo o eco da tua voz mais e mais distante a cada segundo que passa... Será este também o teu endereço actual? Terás sido tu também trazida para aqui a coberto da noite? Não o creio. Uma qualquer barreira se interpõe entre nós, invisível, inquebrável, intransponível. Se não o fez o destino quem mais se daria ao trabalho de nos juntar? E eu que suspeito que sem ti não haja amanhã...

Terei sido raptado do conforto dos meus sonhos ou haverei escolhido vir até aqui de minha livre vontade para jogar às escondidas com o mundo?

Observo os peixes através do vidro, vejo-os como guardiões alados a esvoaçar o limbo que sitia a minha submarina prisão. Calculo que o caminho para fora deste lugar seja prosseguindo pelos corredores cheios de água aos quais os meus pulmões não me dão acesso... Era tão fácil quebrar este vidro... Acabar com tudo... Libertar-me duma vez por todas... Arrastar os peixes guardas na torrente impetuosa da minha fúria e desorientação... mas... dessa forma... como saberia eu o final da história? Era fácil demais... e eu estou demasiado vazio... a recordação da tua voz atroa nas paredes completamente vazias do meu cérebro.

Espera... Que aquáticos ruídos ecoam agora?... É como se algo ou alguém tivesse vindo para me buscar... Virão para me socorrer ou será sua missão a minha destruição?

Receio que não tarde já muito para o descobrir...

sexta-feira, julho 18, 2008

Recordações da cidade branca


" Não sei porque hoje me lembro de ti, o teu poema da cidade branca confunde-se com as minhas recordações da cidade azul...
Naquelas tardes mágicas de verão, ainda crianças, um dia o Cosmos decidiu juntar-nos... nem o Tempo, nem a distância que nos separava foram mais fortes que os desígnios escritos nas estrelas...
Agora recordo, ao longe, o teu poema da cidade branca e fria.
Talvez sejas tu quem atravessava aquela rua... enquanto... apressadas... as pessoas se escondiam tentando esquecer a tua cidade fria.


Eu também recordo a cidade azul... e eu também recordo a cidade branca... "

terça-feira, julho 15, 2008

A Temperança


A urgência do saber esperar banha a ansiedade dos emergentes desejos.
Ainda te lembras do Medo?
Poderás algum dia esquecê-lo?

segunda-feira, julho 14, 2008

O Paradoxo dos Tempos


" Existe e ao mesmo Tempo não existe,
Desse lugar, de onde a Vida um dia veio,
Olha o imenso Universo, uma parte de um Todo,
igual na essência,
mas de regras e leis de uma outra natureza...
Simples parte de uma teia, que um dia Homens sábios souberam..."

sexta-feira, julho 11, 2008

Enfim sós


Há caminhos que só conhecemos muito tempo depois de os termos atravessado,há jornadas que só compreendemos muitos passos depois de as termos terminado,há preces que só somos capazes de entoar quando a nossa voz há muito se calou, há companhias que só nos dão a mão quando todos partiram já e ficámos a sós com o silêncio

...e há momentos que ainda antes de ocorrerem já parecem ter acontecido na nossa memória.

quinta-feira, julho 10, 2008

Imagens Voláteis


Qual a duração de uma vida?

O Tempo de atravessar uma qualquer rua, num qualquer dia?

Revejo no cimo da montanha feita de sonhos, o caminho onde caminho... dentro e fora de mim...

As nuvens rodeiam-me resgatando-me da Terra que me fez existir...

Talvez o Tempo de uma vida seja isso mesmo...

O Tempo de atravessar uma rua, onde, do lado de lá...

Te aguarda aquela imagem volátil da montanha que um dia te fez sonhar...

domingo, julho 06, 2008

Sabes Onde Me Encontrar


" Escuto as tuas palavras,
tal como naquele dia,
o hoje parece-me o amanhã,
a tua despedida parece-me o teu regresso...
Olho-te e não sei... se és tu que voltas,
Se és tu... que vais...
Os meus sentidos vagueiam...
num limbo desconhecido,
onde os sentidos falham... e eu não sei se te acompanho... se espero por ti...

quinta-feira, julho 03, 2008

Orbituário


Ainda te lembras de quando o Tudo era uma parte de nós e os segredos orbitavam o nosso desejo?

Hoje não sou mais do que o resto da luz duma estrela há muito extinta, atravessando galáxias e fixando constelações de memórias que teimam em não se apagar.

E o que era o Tudo afinal?

terça-feira, julho 01, 2008

O Paradoxo do Tempo


Pergunto:

Que árvores além recortam o olhar onde as memórias vãs dos Homens um dia habitaram aquele vale?

Valerá mesmo tudo a pena?

segunda-feira, junho 30, 2008

A braços com o Tempo


"Os braços do tempo são as asas com as quais voa a Imaginação." Segredara-lhe o vento.

Nenhum dos seus Mestres tinha uma voz, e, todavia, todos lhe transmitiam preciosos ensinamentos.

Tanto aprendera com as árvores, com os rios, com os rochedos, com as próprias cidades... tudo existia à semelhança do homem: nascia, crescia e, inevitavelmente declinava.

Esta era afinal a história das Coisas, dos Homens e dos Impérios.

E que melhor ensinamento do que este?

quinta-feira, junho 26, 2008

Salto Alto


De pulinho em pulinho se rasgam as distâncias, ouvira dizer em criança. E ela era fatalmente uma mulher de distâncias... a sua vida era feita de curtas, médias e longas distâncias. Mas no dia seguinte os mapas perdiam as anotações das coordenadas da jornada anterior. A página de ontem do diário de bordo revelava-se constrangedoramente em branco. Magia? Mistério? Ou esquecera-se simplesmente da caneta em casa? "A tinta permanente pode ser a mais terrível das armas de sedução." Lamentou. "Quem diabo é que disse que todas as mulheres fatais gostam de saltos altos?"

segunda-feira, junho 16, 2008

Nas asas do Tempo

No voo interrompido dum pássaro em cativeiro é contada
a história do ar, do vento e do tempo.



sábado, junho 14, 2008

"Imponderabilidade"


" As imagens que falas mudam com o Tempo, todos mudamos... quais viajantes de uma carruagem em que embarcámos um dia...
Imagino o meu primeiro dia de viagem, em que o próprio sol era eu, onde os castelos eram os meus sonhos e onde o céu era a estrada que me aguardava numa viagem ao Cosmos..."

segunda-feira, maio 26, 2008

Um lugar no Tempo



E se não fosse a primeira vez que viajas por entre estas montanhas? O sentir que, de algum modo, pertences a este lugar, a este espaço de onde um dia partiste de asas ao vento...
No silêncio da madrugada tens a certeza de que parte dos sonhos o Tempo os guardou, nalgum recanto da imagem que guardas na tua memória...
E perguntas ao Tempo qual o teu lugar na imensidão...
Um dia... tu sabes... o Tempo te responderá...

quinta-feira, maio 22, 2008

A Voz dos Deuses


" E na montanha, lá bem alto, fez-se ouvir a voz dos Deuses, sob a forma de uma melodia... de um cântico... que rompendo o silêncio da noite, lembra aos Homens o Tempo em que nasceu o Universo... "

segunda-feira, maio 12, 2008

Nunca jogues às escondidas com o Tempo


- Nunca jogues às escondidas com o Tempo. - Advertira-o o seu mestre. - Não há como o ludibriar, nem forma de cantar vitória.

Fora ele que plantara aquele pinheiro. Se tivesse sido mais cuidadoso com certeza não teria crescido tão inclinado. Mas este era um argumento falacioso... Seria justo dizer que se o seu mestre tivesse sido mais cuidadoso ele não atravessaria momentos de tão indolente descrença e dúvida, tentando ocultar-se das garras do tempo? E para quê? Sabia que no fundo as mãos do Tempo eram suaves e macias como as duma mulher cega que tentava ler o seu rosto. Sim, porque não acreditar que o Tempo era uma mulher cega muito bela. Vistas bem as coisas o Tempo só seria masculino na palavra... palavra... palavra ela própria feminina. Era com a sua vida que ele fecundava o tempo, dando vida ao momento. Na realidade, não importava saber se o Tempo o podia ver ou não... Cego era ele para ver o tempo.

Aparte de todas as considerações sobre o estado oftalmológico do tempo, como se poderia ele esconder de algo que não vê?

domingo, maio 11, 2008

Operação Espírito


Descer ao fundo de nós pode ser a mais terrível e mais aliciante das aventuras... Como não nos perdermos nas escarpas e labirintos daquilo que somos?

O Alquimista


" Não conseguia deixar de pensar naquela noite em que o seu avô lhe contara a história do Alquimista, o senhor de barbas brancas que poderia transformar os sonhos em realidade e, também, qualquer realidade em sonho.
Só agora a uma distância tão longa no Tempo entendeu as palavras que o seu avô lhe tentara dizer... se ele fechasse os olhos poderia sentir de novo aquele olhar tão meigo que só os avós possuem e ouvir de novo a sua voz a contar-lhe a sua própria história... a história do Alquimista..."

sábado, maio 10, 2008

Amigos para sempre


Deixara escrito na parede da sala de estar da casa de um dos seus companheiros de caminho:
"Sê bem vindo à corrente
meu caro amigo Marcelo,
que nunca rebente à amizade
um único elo."
Imortalizando pelos tempos vindouros não só a celebração de mais um aniversário, mas acima de tudo a celebração daquilo que os juntara em redor duma mesa bem recheada de comida e de bebida: uma amizade à qual os anos de separação não beliscariam minimamente, uma camaradagem que funcionava por inércia e um companheirismo que nunca necessitaria do combustível das palavras para funcionar.

quinta-feira, maio 08, 2008

Recortes do Tempo


" Ao longe ele sabia o que as nuvens lhe desvendavam um segredo, mas também sabia que não era ao pé dos seus amigos que alguma vez diria algo sobre a imagem que lhe lembrava aquela manhã em que percebeu que estava sózinho no maior Caminho que o Universo poderia entregar a alguém, e que o peso de tamanha solidão só era aliviado lá bem no alto, onde as nuvens escrevem o destino de quem as sabe ler... a Luz daquela manhã pertencia-lhe e disso ele tinha a certeza... "

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