Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

segunda-feira, abril 14, 2008

A Imobilidade


A mão move-se sem esforço ou dificuldade nos movimentos desenhados dentro dum sonho... não se cansam as pernas e nenhuma proeza física parece impossível.

Quando te pego na mão a meio dum sonho é um toque sem tacto nem sensibilidade... é uma carícia involuntária no veludo do lençol.

E quando te olho olhos nos olhos, ainda no sonho, sei que 6 meses vividos a dois tanto podem ser 3 meses como 12 meses.

Pode-se dizer que se aprendeu tudo quando antes não se sabia nada?

sábado, abril 12, 2008

O Inventor




Quando é que foi segunda feira?

Ontem, hoje ou amanhã?

Eu devia inventar os meus próprios dias da semana ...assim escusava de andar sempre desfasado do calendário!

quinta-feira, abril 10, 2008

O Caminho do Templo do Tempo


" - Percorres um Caminho que te parece longo, ao qual muitas vezes sentes não te pertencer... mas mais vezes ainda sabes que é teu... as razões que pensas existirem na tua própria razão, para o percorreres, são para ti certezas e verdades como o amanhecer...
A Caminho do Templo do Tempo ser-te-ão desvendados os segredos das coisas mais simples, porque são essas que encerram os segredos do próprio Universo do qual fazes parte.

Após ouvirmos aquele sábio Homem todos seguimos para a nossa aldeia onde os nossos familiares nos aguardavam neste mágico entardecer.
Tínhamos pedido ao sábio para nos seguir, mas ele dissera-nos que preferia ficar no bosque, que aquela era a sua casa.

Noutro lugar do Tempo eu também segui o caminho de casa... após ouvir mais uma história do Tempo..."

sexta-feira, abril 04, 2008

O Prisioneiro


O Eremita abriu os olhos e caminhou estremunhado até à boca da gruta. Olhou a floresta a perder de vista. Respirou fundo ao mesmo tempo que se sentava numa pedra no beiral do precepício. A idade começava a fazer-se sentir, embora nunca se houvesse sentido tão jovem como agora. Compôs nos ombros a manta que o protegia do frio cortante da madrugada.

Eis senão quando uma imagem se atravessou entre o Eremita e as verdejantes montanhas.

O Professor levantou-se da cama e dirigiu-se à casa de banho. Não precisou de abrir a janela para saber que o dia estava bonito. Segundos antes do toque do despertador sonhara que se levantara da cama com o toque do despertador e abrira a janela deparando com um sol radioso. Só verificou o quão exacto fora o boletim metereológico dos sonhos quando saiu de casa e correu para o automóvel. Não queria chegar atrasado à primeira aula da manhã na sua nova escola. Acelerou avenida abaixo, ultrapassando todos os carros que conseguia.

Eis senão quando uma imagem se atravessou entre o Professor e a cidade.

O Eremita levantou-se da pedra e sorriu ao pensar em tudo o que o tinha ainda para aprender.

O professor acelerou recapitulando a matéria das aulas que tinha para dar nesse dia.



Dois homens na manhã ...e uma infinidade de outros tantos homens entre um e o outro.

Não serei eu um desses homens entre um e o outro?

quarta-feira, março 19, 2008

Ouvindo Histórias do Tempo


E se o Paraíso não fosse mais que um entardecer mágico onde tu e eu pudéssemos caminhar lado a lado ouvindo as histórias do Tempo?
Perderias tu a fé se a verdade fosse sómente essa... sentirias tu que o mundo te ofereceu pouco... que nada valeu a pena... porque sonhaste com muito mais?

A verdade pode ser tão pouco... e pode ser tanto ao mesmo tempo... cabe a ti escolheres o modo como a entendes... como a queres entender...

Talvez a verdade seja o Paraíso que julgas não ser, talvez o Paraíso seja, por isso mesmo, aquele dia em que caminhaste ao entardecer ouvindo as histórias do Tempo, olhando o mundo com os olhos de alguém que te acompanhava naquele dia... lado a lado... e sem nunca perder a fé...

quinta-feira, março 13, 2008

Metáforas do Teu Tempo


" E todas as coisas passaram a ter existência... o Tempo havia sido criado... a Luz imaginada... sonhada até então... passara a fazer parte de todo o Universo, assim como tu.
A tua própria história terá de ser contada ao Tempo... porque o Tempo a guardará no mais longínquo recanto de um Universo... e um dia... poderás encontrar de novo aquele abraço que há tanto tempo esperas e conheceste sempre... "

segunda-feira, março 10, 2008

AUTOBIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA


Estão na moda as autobiografias falsas... contar na primeira pessoa uma vida mais real do que a própria realidade dos nossos dias.

Na minha autobiografia gostaria de escrever com muitos erros ortográficos... Que melhor maneira de fingir um outro eu, se não errar deliberadamente as palavras menos simpáticas para os meus segredos mais secretos?

Iludirei a correcção ortográfica dos computadores criando equivalentes aos quais ninguém poderá apontar o dedo afirmando: "Mas isto não está mal escrito?"

Assim sendo, os meus pontos fortes passarão a pontos fostes. Neste capítulo caberão todos os episódicos heróis que eu fui em datas já não muito fáceis de identificar no calendário dos anos transactos.

E que dizer dos meus pontos fracos, agora designados de pontos frascos? Que melhor maneira de enumerar as miudezas da minha personalidade do que dizê-las engarrafadas numa catacumba perdida dum edíficio há muito demolido?

Eu sou a luz e a sombra ...o eco dos meus passos, os dos sapatos brancos e os dos sapatos pretos, confunde-se na plataforma ferrugenta duma ponte que sai de mim para mim.

São estes os prós e os contras de ser ao mesmo tempo dois homens a atravessarem uma ponte envelhecida pela idade dos meus olhos...

Tudo está bem quando acaba bem e a minha vida, a depender de mim, está muito longe de acabar.

domingo, março 09, 2008

Simplicidade



O contrário da sombra é a luz, o contrário da luz é a sombra... mas serão estes opostos inimigos? Cá para mim, nos bastidores de todos os seus desaguisados, vivem ambos pacificamente num destino paradisíaco tomando cocktails ao por do sol...

Que seria da luz sem a sombra e da sombra sem a luz?

Sombras Viventes


Num mundo onde as sombras vivem, algures, materializa-se o sonho de alguém.
Brotam flores imaginárias que, de tão reais, o próprio Mundo lhes dá vida.

quarta-feira, março 05, 2008

Deserto Exército


Quando a Guerra acabou as pessoas não bateram palmas mas viram-se muitos sorrisos.

Todas as ruas estavam cheias de sorrisos grandes que não cabiam já nas janelas e nas portas.

Lá longe o exército desintegrava-se guerreiro a guerreiro e no seu lugar nasciam flores que povoavam o deserto que jamais viria ser conhecido pelo nome de campo de batalha.

terça-feira, março 04, 2008

A Luz que segue os teus passos


Julgas escutar o som mágico das palavras de uma imagem quando únicamente és tu que habitas aquele lugar...
És a essência da côr... da Luz, do momento, da entidade a que dás vida e fazes viver...
És o momento exacto em que um poema nasce e através de ti vive...

E além, para lá do horizonte, onde ninguém te escuta... gritarás ao vento...
Serás a própria voz de um Universo que te fez nascer...
Serás o princípio e o fim...

Serás... Deus!

segunda-feira, março 03, 2008

Trilogia Piramido-Urbanística

ToxiCidade
As flores
da minha cidade
são o medo dos campos.



Help


que
não podes
mudar o mundo
muda-te a ti próprio.


Sun City

O sol
não nasce para
todos se o céu tem o mesmo
tamanho que tu e eu e é suplantado
em altura pelos mais banais prédios da cidade.

domingo, março 02, 2008

Alucinações


Na manhã daquele dia olhou-se ao espelho questionando-se quem estava no outro lado...

Sentia-se o Sol e a Lua... o dia e a noite... tudo isso e nada disso...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Suspeita


Talvez seja pretensiosismo da minha parte, mas não acredito que viajar no tempo seja um dever a que tenho direito...

A minha agência de viagens bombardeia-me com ofertas ao preço da chuva para zarpar em direcção aos períodos históricos mais apetecíveis.

Mas o que posso pedir de melhor do que o dia de hoje, se todos os meus contemporâneos vagueiam, neste rigoroso momento, nalguma zona indeterminada do passado e do futuro?

Prefiro ser um homem só no mundo do que um mundo só no meio dos homens...

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

"E ele sorria mais uma vez..."


" Hoje vieram-lhe à ideia lembranças de outros Tempos... ou talvez fosse sómente aquela imagem que o transportou para aquele preciso momento, àquele derradeiro momento em que um sim ou um não fariam toda a diferença.
Ao fechar os olhos, para relembrar aquele dia, sentiu-se do outro lado... de um lado que não mais voltaria e de onde nunca se despediu...
Ele sabia que que as despedidas eram aquilo que mais temia, sempre o soubera, desde muito cedo... mas sempre o conseguira disfarçar... porque fazemos sempre de conta que aquilo que não gostamos não existe, verdade?... havia mesmo quem pensasse que para ele tudo aquilo era fácil « - Que despegado que ele é....!» diziam as pessoas que nunca o conheceram... e ele sorria... mais uma vez ... todos estavam enganados..."

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A Genealogia do Tempo

Eu aspirava o ar puro da Rua do Horizonte, perdendo o meu olhar algures entre a terra e o mar, quando aquele estranho personagem me abordou com ar de vago mistério, tomou-me o braço e, apontando a casa do outro lado da varanda para o vale, sussurrou-me ao ouvido:

- Já reparou que nesta casa, uma vulgaríssima casa , uma casa como outra qualquer, a esta hora do dia se lê o futuro e se revelam todos os segredos do passado? É só preciso saber desvendar, é só preciso saber decifrar... Concorda?

Olhei-o como que estremunhado e respondi:

- Com corda ou com cordão interessa é agarrar o presente... o hoje... o agora...

O homem largou-me o braço abruptamente e afastou-se espreitando-me por cima do ombro com mal disfarçado despeito... Resmungou qualquer coisa entredentes... Não percebi se dizia "A corda" ou "Acorda"...

domingo, fevereiro 17, 2008

Ribeiro Lindo Rebelo


As minhas pegadas serão as tuas pegadas quando eu coloco cuidadosamente os meus pés onde os teus pés fizeram o seu caminho?

A tua voz será a minha voz sempre que dizemos "Amo-te..." à desgarrada?

O rio será o rio ou apenas o veículo por onde passa o barquito onde depositamos um único e singular olhar?

- Amo-te.

- Eu amo-te mais...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

E Se O Meu Tempo Não Fosse O Teu Tempo?


E se o meu Tempo não fosse o teu Tempo?
Se o voo do pássaro, como lhe chamavas, riscasse o céu só para mim?
E se na cidade branca só eu me perdesse?
Se o meu Tempo não fosse o teu...
nunca os meus olhos imaginariam os teus olhos...
nunca os meus lábios tocariam os teus lábios...
Se o meu Tempo não fosse o teu,
Seria o teu sol diferente do meu?
Seria a tua poesia um Universo que um dia eu descobriria?
Mas o meu Tempo é o teu Tempo...
A tua Alma é o espelho da minha Alma,
Porque eu habito o teu Tempo... e tu o meu...

domingo, fevereiro 03, 2008

Dejá vu

- Tive agora uma sensação tão estranha... - Disse ela olhando em volta. - Poderia jurar que já estive aqui... Eu já estive neste lugar com alguém, embora seja a primeira vez que piso este chão.

- E esse alguém não era eu? - Interrogou ele.

- Não. - Franziu ela o sobrolho.

- Talvez essa sensação não viesse do passado... - Retomou ele a palavra quebrando um curto e vagamente desconfortável período de silêncio . - Quem sabe não sonhaste há muitos anos com este dia em que tu e eu viessemos aqui... muito antes de nos conhecermos... muito antes de de acreditares que um dia estaríamos aqui com a paisagem no coração e o outro no olhar...

- Achas que sim? - Hesitou ela.

- Não sei... - Sorriu ele. - Mas às vezes parece mesmo que as premonições nada mais são do que recordações dum passado remoto e que os dejá vu são apenas e simplesmente memórias do futuro.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A Memória das Coisas


Não sei se é obra do vento ou se é o mecanismo da memória das coisas em acção: as ervas que dançam na frente do meu caminho fazem uma vénia perante o sopro do vento ou adivinham os passos que eu ainda não dei?

E se a memória fosse feita não só do passado mas também do futuro?

Pergunto-me muitas vezes se os dejá vu já aconteceram ou se ainda vão acontecer...

Quando me sento no regaço do Tempo nunca sei se eu sou o mestre ou se sou o aprendiz...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Em Busca da Chave Secreta


"Abriu os olhos naquele pequeno mundo onde tudo lhe parecia estranho... não se lembrava da razão da sua viagem, nem tão pouco do que o levara a este reino onde tudo parecia tão... intocável...
O seu mestre falara-lhe em tempos de um lugar onde habitavam as secretas lembranças de uma Humanidade sonhada... o reino de uma qualquer entidade, de onde a Vida partira, para um dia voltar a nascer.
À sua volta escutava a melodia do silêncio, o brilhar das gotas de água da chuva faziam-lhe pensar que estava entre as estrelas além no Cosmos.
Seria este o lugar mágico onde a Verdade lhe seria desvendada? Seria este o Paraíso que em tempos ouviu dizer?
Lembrava-se do seu mestre e das suas palavras... « Todas as respostas estão em ti próprio, só tens de procurar na Natureza a chave secreta... »
Levantou-se e continuou o seu caminho, embora não vislumbrasse qualquer estrada, parecia-lhe, de cada vez que dava um passo, que as árvores e plantas se desviavam para que pudesse passar. Estaria ele a sonhar?
De qualquer maneira o sol fazia-o lembrar que estava uma bela manhã de uma qualquer primavera, num qualquer lugar e num Tempo desconhecidos para ele..."

sábado, janeiro 12, 2008

O Tempo e o Vento


Os pensamentos do homem sem cabeça são transparentes.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

O Leilão


Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.

Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.


Preferes ser Rei,
Poeta
ou Guerreiro?

Saberás sequer a diferença
entre o ceptro,
a caneta
e a espada?


Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.

Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.


Quem dá mais, quem dá mais?
A moeda da felicidade não se paga a si própria.
A licitação base é o medo.
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três...

Vendida ao cavalheiro sem passado!

terça-feira, janeiro 01, 2008

.../...


Por vezes penso que esta viagem não foi feita para mim, que tudo não passa de um sonho, de um conto contado por alguém a um menino e onde tu habitavas a minha história sem que eu te conhecesse sequer...

Naquele dia, nesse conto, vivido por nós, adivinhámos um futuro que, de tão longínquo, pensámos nunca alcançar.

Éramos os heróis da nossa história, de uma história sem fim, onde a eternidade ocupava o nosso espaço e onde tudo era possível...

Fui eu que adivinhei o nosso futuro naquele dia.... quando te perguntei... " e se não der certo?".

Esquecemos a resposta mas o Tempo não...

Habitaremos até à eternidade juntos...

Até que o Tempo queira...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Maria Faria



Ninguém nasce com vocação
para carcereiro,
ninguém nasce com vocação
de prisioneiro.

Mas não é por isso menos incrível
encontar quem ache preferível
envergar as listas do prisioneiro
no lugar da farda do carcereiro.

Escolher um caminho é abrir uma porta,
deixar entrar um convidado mistério
e sentá-lo na cadeira mais torta
do nosso secreto Império.

E quem o escolheria ainda assim?

Maria Faria.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

A Fuga


" Ele encontrava-se no meio de um lugar onde teria de fazer uma escolha... a viagem a caminho da Luz ou voltar para trás, para os mesmos lugares onde as gélida manhãs e as enebriantes noites frias o aguardavam, dia após dia... hora após hora...
A sua própria sombra já o incomodava, a própria pele sentia-a como se não fosse dele... procurava uma fuga para a sua alma, corpo e mente...
Ao longe a luz azulada da cidade fazia um convite a quem a olhasse...
- Vem até mim... aqui esquecerás as tuas escolhas e sonhos..."

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Noites Para Além do Portal


" - A Porta abriu-se perante eles. Naquela câmara ao longe, bem distante deles, algo os fitava do alto friamente.
Não lhes pareceu humano, mas também não lhes pareceu não humano.
A Porta fechou-se.
O mais velho do grupo dirigindo-se à figura enigmática e ignóbil, perguntou:
- Quem sois?
Um eco fez-se ouvir naquela enorme sala de todos os lados, dir-se-ia que não era sua voz mas sim que dezenas de vozes vinham de um qualquer compartimento interior àquele lugar.
- Sou a Esfinge que se esconde na alma dos Homens, sou o lado submerso do iceberg da mente humana, o lado que a Humanidade tenta esconder... sou o pedaço de pão que sobra e que não é distribuído... sou o reflexo daquilo que a Humanidade não quer ser mas que nalgum lado tem de existir... e existe aqui neste lugar...
Todo o grupo pareceu incrédulo... seria todo o Mal da Humanidade culpa de uma Esfinge.... de uma Coisa? Ou esta seria a nossa consciência, a nossa própria consciência daquilo que não queremos ser, daquilo que nos envergonhamos de ser?
Tudo aquilo parecia muito estranho..."

sábado, dezembro 15, 2007

O Mensageiro


Eu não sei quando os meus amigos precisam de mim...
Eu não sei se os meus amigos sabem que eu preciso deles...
Do mesmo modo, eu não sei quando vou precisar dos meus amigos,
Nem tão pouco sei ler no Tempo as mensagens que me são dadas conhecer,
Quando um amigo precisa de outro.
Uma coisa sei... a amizade é algo que une caminhos, mundos e sonhos,
E se o meu caminho um dia se ligou ao de alguém,
Saberei sempre, haja o que houver, lá ir ter...
Mesmo na mais escura noite haverá um mensageiro para me guiar,
Os olhos de uma qualquer ave serão os meus...
E...
Até Sempre!

sábado, dezembro 08, 2007

Biografia dos Deuses



É nesta e noutras alturas do ano que é possível assistir ao insólito fenómeno da migração das árvores.

Ao invés de buscarem paragens mais quentes, onde aguardassem prazenteiramente pela primavera, as árvores aproximam-se de nós e aquecem-nos o coração.

A biografia dos deuses lê-a a rugosidade da casca duma árvore quando lá passas com a mão...

Os segredos da vida de todos nós vão-se revelando no preencher dos espaços em branco...

Se a palavra FIM estiver escrita a caneta de luz sobre uma página em branco não é possível saber se a história já terminou ou não.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Num Imenso Azul Existes


"Sei que um dia partirás... mas... sabes... no dia em que queiras voltar estarei aqui, perto do mar, tocando o imenso azul, onde o céu e a Terra são um só como eu e tu.
Sabes onde me encontraste, sabes onde eu pertenço, sabes a quem me dou, sabes que tens o teu lugar comigo além onde escuto a melodia do mar e da Terra.
E naquele vale onde habito caminhas lado a lado comigo, não que algum dia me tenhas acompanhado, mas porque em sonhos te sonhei junto a mim...
E os ventos nessa tarde, enquanto te abraçava, ouviram um pensamento secreto que um dia imaginei dizer-te...
- Eu amar-te-ei para sempre..."

sábado, dezembro 01, 2007

Love story


Será que todos temos uma história de vida personalizada e intransmíssivel, como os passes dos transportes públicos, identificados com a nossa fotografia e nome, ou todos compramos um anónimo bilhete de ida e volta, válido apenas até ao exalar do derradeiro suspiro?

Não é por nada, mas se por acaso estiver correcta esta última hipótese, todos teremos de viver o mesmo cardápio de experiências, sensações e emoções.

Não posso crer que o filme de amor que vi ontem na televisão descreva exactamente aquilo que sinto por ti, aquilo que sentes por mim, aquilo que acontece cada vez que estamos juntos... mas acaso não me emocionou como se por artes mágicos não fossemos nós aquele casal do outro lado do ecran?

Viveremos nós todos a mesma história de amor ou haverá tantas histórias de amor quanto o número das pessoas que se amam?

Não sei responder... mas quero dizer-te uma coisa...

Sempre que estiveres triste lembra que te amo e que cada segundo é a argamassa que prende os tijolos ao muro das horas que teimam em separar-nos... porém o melhor que essa barreira conseguirá será adiar uma e outra vez a inevitabilidade do nosso reencontro.

sexta-feira, novembro 30, 2007

A Linha do Destino


Entre o existir,

e o não existir,

há uma linha a ser cumprida.

Ou se cumpre,

ou não se cumpre,

é sempre o destino que a dita...

domingo, novembro 25, 2007

Astronomia para principiantes


Entre salvar o mundo e salvar-me a mim próprio escolho salvar o sonho
...entre o ontem e o hoje opto, sem pensar duas vezes, pelo amanhã.
Sempre gostei da cirúrgica precisão das grandes engrenagens
e a grande máquina cósmica merece todo o meu respeito e confiança.

Para provar o que digo proponho-me cartografar a superfície da lua.
Agora não sei se faça um mapa lunar
ou um mapa lunático.

Nos dias que correm é mais fácil ser louco
do que chegar a ser um cientista...

Mas não será a loucura também uma forma de ciência?

terça-feira, novembro 20, 2007

Labirinto


" Perdido num labirinto onde nem as palavras lhe pareciam reais, cansado da envolvente e enebriante névoa que parecia tomar-lhe a mente dia após dia... buscava em cada imagem a fuga de um outro eu...
Parecia-lhe poder vislumbrar a côr do silêncio, a magia que encerra cada palavra... o lugar onde cada poema nasce e morre. "

quinta-feira, novembro 15, 2007

Na encruzilhada

Eu não sei ver o futuro, eu não sei ler as palmas das mãos... Ainda assim, ainda que o pudesse fazer, creio que o meu pessimismo natural não me impediria de olhar para o amanhã com despeitada desconfiança.

Por isso não te posso prometer que o nosso amor ascenda a alturas tão elevadas quanto as que atingem as asas dum pássaro...

A vertigem é difícil de suportar quando os nossos pés nunca se elevaram do chão... e é mais difícil voar quando o desfiladeiro de onde nos queremos lançar nos fica do lado de dentro dos olhos.

Para te sossegar não posso fazer melhor do que dar-te a mão e convidar-te a caminhar comigo... dizer-te que o medo é bom ...desde que não nos deixemos dominar por ele.

Eu sou a tua asa esquerda e tu és a minha asa direita, é minha a tua asa direita e tua a minha asa esquerda.

Porém, não existe pássaro algum que jamais volte poisar a terra mãe... um dia, mais tarde ou mais cedo, lá teremos de aterrar desajeitadamente nos escombros dum qualquer castelo em ruínas...

Ah! Se pudessemos manter o fôlego num abrasador e eterno beijo que devorasse e digerisse o mundo à nossa volta! Então tudo seria tão diferente!...


O teu corpo é o relógio mágico do tempo presente... é na tua pele que salto do passado para o futuro... os teus lábios são os ponteiros que misturam o som distante do mundo com o arfar da minha respiração...

É na magia da tua presença que me sinto mais vivo do que aquilo que alguma vez me atrevi a imaginar...

Tu és o habitat natural onde vive o meu verdadeiro Eu...

Houve uma noite, há muitos anos atrás, em que sonhei com uma esfinge misteriosa da mulher da minha vida, mas o despertador tocou e deixou-me sem saber se a minha love story tinha ou não um happy end... desculpa se não consigo evitar estar constantemente a espreitar por cima do meu ombro à procura do momento em que o despertador comece a tocar...

Mas, curiosamente, na noite em que me esqueci de ligar o despertador, acordei mais cedo do que aquilo que pretendia...

domingo, novembro 11, 2007

A Guardiã


" - Além habita a guardiã dos teus sonhos,

aquela que um dia te guardou da noite fria da madrugada,

quando o vazio tomou conta da tua alma... "

quinta-feira, novembro 08, 2007

O Aviador sem Brevet



Não me lembro da última vez que poisei os pés no chão.

Já não falo há tanto tempo que receio esquecer o som das palavras.

Nem sei entender se o tédio é tédio ou simplesmente a ausência das distrações do mundo.

Por outro lado, aprendi que as horas mortas são contadas por um cronómetro que corre no sentido contrário e me leva ao antes do antes do princípio.

Se me entrevistasse a mim próprio, que perguntas me colocaria de modo a explicar ao mundo a minha proeza?

A que perguntas deveria eu responder para conseguir dizer que eu sou os olhos dum cego, as pernas dum paralítico, os ouvidos e a boca dum surdo-mudo no projecto impossível duma volta ao mundo em 80 palavras?

Na realidade, as perguntas que me faça não interessam minimamente.

Por esta razão não poderia deixar de dar uma mesma e única resposta a todas as hipotéticas perguntas:

- Ao voo rasante dos dias nada sobrevive para além do medo e do amor.

quarta-feira, novembro 07, 2007

[ O Canto dos Mares ]



A melodia da imensidão dos Mares convida-nos a entrar num Universo onde tudo é possível.
Os Mares cantam as melodias da nossa infância, relatam as histórias que os nossos avós nos contaram e que nós ouvíamos atentamente, abrem as portas do nosso castelo mais íntimo onde um imenso tesouro espera para ser tocado... desvendam-nos o dia em que o nosso próprio reflexo brilha nos olhos de alguém... e onde caminhar na água se revela, não como um milagre, mas como uma certeza.

domingo, novembro 04, 2007

Entreposto



Posso ver a luz da madrugada dum novo dia a espreitar por detrás da montanha secreta da minha alma...

Noutros tempos passaria este dia a tentar corrigir os erros do passado, pois amanhã poderia sempre corrigir os erros que cometesse hoje a tentar corrigir os do passado... mas contigo aprendi que é menos importante corrigir os erros do passado do que evitar os erros do presente...

Estás a tornar-te a minha fraqueza predilecta... o meu calcanhar de Aquiles de eleição...

Eu já tinha aprendido a viver sem medo, a não esperar nada, nem de bom nem de mau... mas então apareceste tu... e, quando chegaste, viajava um medo bom no brilho do teu olhar, sentado lado a lado com um medo mau, que se vem apeando no beijo de despedida da tua sombra à minha sombra...

Cada vez que me despeço de ti sinto um aperto no coração como se esta tivesse sido a última vez que nos vissemos...

Sempre que a tua mão escorrega da minha, agarro-te com o meu olhar num sublime e derradeiro esforço de não te perder ainda mais esta vez...

Porém, cada vez que dobras a esquina do tempo, sobra-me a vontade de desmascarar o mito de que comigo as coisas boas até acontecem, embora aconteçam por muito pouco tempo...

segunda-feira, outubro 29, 2007

A Aniquilação do Mundo


" - Formas mutantes do lado secreto da Lua enchem as noites há muito Tempo, desde que o primeiro Homem decidiu ser dono do Mundo... "

quarta-feira, outubro 24, 2007

A Cúpula Mágica

Eu sou o passageiro involuntário... o convidado inesperado... o hóspede na minha própria casa...

Por mais que o tente, não consigo deixar de olhar desconfiadamente para o amanhã, tal qual um jornalista preguiçoso que de véspera escreve uma notícia na cama, fiado num palpite, deduzindo a realidade dos factos que se avizinham com cega confiança nos seus falíveis instintos... Que embaraço olhar para a manchete do dia seguinte depois de fracassadas todas as minhas melhores intenções...

Ah!, mundo cruel que não se compadece da minha imaginação!...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Uma pequena viagem interior...


Depois da travessia do grande estuário onde conheceu e ouviu histórias de outros companheiros de viagem, pareceu-lhe ser tão igual aos demais, nos sentimentos, angustias, desesperos e desejos que seguiu o caminho sózinho apesar dos convites para estar acompanhado.
Havia algo que o impedia de prosseguir com alguém ao lado... algo que o fazia pensar ser diferente. Ou então o seu caminho era o de um solitário onde lhe cabia uma história ainda por contar num Tempo ainda por desvendar...
A verdade é que ainda tentava saber o seu lugar num mundo desconhecido para ele, onde até o voo do pássaro lhe parecia mágico...

segunda-feira, outubro 15, 2007

O Regresso Adiado


" Ele sabia que tinha lá o seu lugar, a voz do seu passado tinha-lhe dito que poderia regressar quando desejasse.
O dia desse regresso ainda vinha longe, ainda estava de partida, mal tinha começado a sua viagem, a sua missão... porque todos temos uma...
Habitava agora em dois mundos e dois Tempos, um Tempo passado e um Tempo futuro...
Voltou ao caminho.
À sua frente um imenso Mar iria separá-lo ainda mais do improvável regresso, tentou não pensar nisso concentrando-se no modo como conseguiria atravessar mais este obstáculo que se deparava diante dele.
Nada o conseguiria deter e aquele não era mais que um momento de aprendizagem como tantos outros que se tinham deparado.
Ao seu lado outros como ele esperavam pelo barco que os levaria para a outra margem, o lugar "mágico" onde estranhos homens faziam "milagres".
Entrou no barco e ao mesmo Tempo o sol deitou-se no horizonte... "

quarta-feira, outubro 10, 2007

Terra de Ninguém

Querem saber porque é que eu vendi a minha casa e comprei uma autocaravana? Não é segredo, não o escondo de ninguém. Espero até que a minha história vos possa ser de alguma utilidade.

Eu trabalho em três lugares diferentes. Não vou dizer os nomes, adiantarei apenas as distâncias a que ficavam da minha antiga casa: 21 kms, 30 kms e 50 kms. Estas eram as coordenadas mágicas duma pirâmide imaginária que tinha como coração (um hipotético centro geográfico) o meu lar, herança dos meus pais que viviam apenas já na minha memória. Muitos eram os dias em que tinha de percorrer os três vértices da pirâmide que me pagava as contas: estava de manhã a 50 kms, à tarde a 21 kms e de noite a 30 kms. No início não me incomodava muito este périplo ...recordo que me regojizava até por ter o que me impedisse de ter pensamentos menos felizes ao longo do dia. Porém, certa vez olhei-me ao espelho retrovisor do meu carro e apercebi-me de que já não tinha 20 anos... Ao entardecer quando regressava dos 30 kms surgia a inesperada dúvida se percorrera aquele mesmo caminho naquela manhã ou na manhã de ontem ou anteontem... Apossava-se de mim um intrigante sentido de desorientação e inquietação... Os dias deixaram de parecer compridos para serem sempre o mesmo dia... continua e initerruptamente...

A páginas tantas a minha casa não era mais do que um lugar aonde eu ia dormir. Quantas vezes não percorria eu os 30 kms apenas para regressar outros 30 kms poucas horas depois? Que sentido tinha perder meia hora para um lado e para o outro se podia beneficiar muito mais dessa hora se me deitasse imediatamente? Quantas noites praticamente não adormeci com as mãos sobre o volante e não acordei com um arrepio na espinha?

Não lamento o que fiz... não me arrependo de ter cortado as raízes que me prendiam ao meu passado pessoal e familiar: não sei se isto é a liberdade, mas os meus valores, os meus ideais, a minha bandeira e a minha história são hoje a sombra da árvore que me abriga...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Uma história em silêncio


"Lembrou-se dos dias passados na sua casa, na casa onde nasceu... tudo agora lhe parecia tão distante mas ao mesmo Tempo tão perto.
Olhou para o horizonte e pareceu-lhe que não conseguiria alcançar o cume daquele monte onde duas pequenas árvores o aguardavam... seriam reais? Ou apenas realidades de um outro Tempo, do seu próprio Tempo?
A sua caminhada tinha de continuar, agora aquele lugar era a sua casa... e... apesar de tudo sabia que não estava só... algo ou alguém o acompanhava e disso estava certo...
Sentou-se numa pedra, demoradamente olhou de novo a planície que deixou atrás de si.
Por momentos sentiu-se abalado com imagens do seu passado... dentro dele o Mundo parecia sufocá-lo.
Percebeu então que este era o seu Caminho, não seria possível voltar atrás... alguém, um dia, ao ouvir o seu silêncio entenderia, porque o silêncio fala mais que a própria verdade.
Deitou-se na erva verdejante daquele prado e olhou o céu até adormecer... aquela era a sua casa disso estava certo agora...
As árvores curvaram-se protegendo-o da noite... ao mesmo tempo entraram no seu sonho desvendando-lhe uma outra forma de sentir... agora também lhe era concedido viajar no Tempo... e de novo sentir-se embalado, olhando um sorriso que lhe era familiar..."

quinta-feira, outubro 04, 2007

"Uma árvore não esquece..."


Naquele Tempo ele não sabia se aquelas árvores algum dia serviriam de sombra ao caminho de alguém. Simplesmente as plantou lado a lado e, por debaixo das pequenas árvores, ainda com troncos frágeis, imaginou alguém que se sentaria naqueles bancos de jardim, conversando...
De repente lembrou-se que tudo aquilo... daquele espaço... seria visitado por quem nunca o viu nem nunca saberia quem ele era?... por momentos sentiu algo estranho... estaria ele esquecido no Tempo? Perdido num labirinto de uma qualquer existência?
Fez o que tinha a fazer...
Pensou para si mesmo... " O Tempo me lembrará... aquelas árvores sabem quem sou, e, de cada vez que uma criança brincar debaixo de uma árvore, plantada por mim, o vento fará ouvir o meu nome, porque uma árvore não esquece..."

domingo, setembro 30, 2007

O Turista Acidental


Os pés não nos podem levar levar tão longe quanto o desejam os pensamentos.
Os caminhos nem sempre deixam pedras nos sapatos.
Os lugares servem-se das pessoas para viajarem a seu bel-prazer: a Itália perguntou-me hoje onde ficava o multibanco mais próximo, no outro dia a Inglaterra pediu-me para lhe tirar uma foto com a praia ao fundo.

Nem todas as histórias precisam de palavras para se escreverem - a arte é o suor da alma.

sábado, setembro 29, 2007

Onde o teu céu existe...


Ao longe todos temos um Deus secreto em quem confiamos as palavras da poesia mais secreta e íntima... que nos embala nos momentos em que procuramos uma melodia para nos esquecermos das imagens pérfidas que os dias teimam em mostrar, das palavras que receamos dizer, do mundo que parecemos ignorar, do abraço que fica por dar...
Tu não precisas de paraíso... o teu lugar, a tua casa, o teu quarto, a tua poesia, a tua cama e a tua música levam-te a esse céu... pela tua janela espreitas o teu Deus, secretamente... longe de todos os outros... mas lado a lado com os Deuses de todos nós... porque... o teu céu existe onde o meu céu existe...

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