
Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui
Uma viagem conduzida por:
quinta-feira, maio 22, 2008
A Voz dos Deuses

" E na montanha, lá bem alto, fez-se ouvir a voz dos Deuses, sob a forma de uma melodia... de um cântico... que rompendo o silêncio da noite, lembra aos Homens o Tempo em que nasceu o Universo... "
segunda-feira, maio 12, 2008
Nunca jogues às escondidas com o Tempo

- Nunca jogues às escondidas com o Tempo. - Advertira-o o seu mestre. - Não há como o ludibriar, nem forma de cantar vitória.
Fora ele que plantara aquele pinheiro. Se tivesse sido mais cuidadoso com certeza não teria crescido tão inclinado. Mas este era um argumento falacioso... Seria justo dizer que se o seu mestre tivesse sido mais cuidadoso ele não atravessaria momentos de tão indolente descrença e dúvida, tentando ocultar-se das garras do tempo? E para quê? Sabia que no fundo as mãos do Tempo eram suaves e macias como as duma mulher cega que tentava ler o seu rosto. Sim, porque não acreditar que o Tempo era uma mulher cega muito bela. Vistas bem as coisas o Tempo só seria masculino na palavra... palavra... palavra ela própria feminina. Era com a sua vida que ele fecundava o tempo, dando vida ao momento. Na realidade, não importava saber se o Tempo o podia ver ou não... Cego era ele para ver o tempo.
Aparte de todas as considerações sobre o estado oftalmológico do tempo, como se poderia ele esconder de algo que não vê?
Fora ele que plantara aquele pinheiro. Se tivesse sido mais cuidadoso com certeza não teria crescido tão inclinado. Mas este era um argumento falacioso... Seria justo dizer que se o seu mestre tivesse sido mais cuidadoso ele não atravessaria momentos de tão indolente descrença e dúvida, tentando ocultar-se das garras do tempo? E para quê? Sabia que no fundo as mãos do Tempo eram suaves e macias como as duma mulher cega que tentava ler o seu rosto. Sim, porque não acreditar que o Tempo era uma mulher cega muito bela. Vistas bem as coisas o Tempo só seria masculino na palavra... palavra... palavra ela própria feminina. Era com a sua vida que ele fecundava o tempo, dando vida ao momento. Na realidade, não importava saber se o Tempo o podia ver ou não... Cego era ele para ver o tempo.
Aparte de todas as considerações sobre o estado oftalmológico do tempo, como se poderia ele esconder de algo que não vê?
domingo, maio 11, 2008
Operação Espírito
O Alquimista

" Não conseguia deixar de pensar naquela noite em que o seu avô lhe contara a história do Alquimista, o senhor de barbas brancas que poderia transformar os sonhos em realidade e, também, qualquer realidade em sonho.
Só agora a uma distância tão longa no Tempo entendeu as palavras que o seu avô lhe tentara dizer... se ele fechasse os olhos poderia sentir de novo aquele olhar tão meigo que só os avós possuem e ouvir de novo a sua voz a contar-lhe a sua própria história... a história do Alquimista..."
sábado, maio 10, 2008
Amigos para sempre

Deixara escrito na parede da sala de estar da casa de um dos seus companheiros de caminho:
"Sê bem vindo à corrente
meu caro amigo Marcelo,
que nunca rebente à amizade
um único elo."
Imortalizando pelos tempos vindouros não só a celebração de mais um aniversário, mas acima de tudo a celebração daquilo que os juntara em redor duma mesa bem recheada de comida e de bebida: uma amizade à qual os anos de separação não beliscariam minimamente, uma camaradagem que funcionava por inércia e um companheirismo que nunca necessitaria do combustível das palavras para funcionar.
quinta-feira, maio 08, 2008
Recortes do Tempo
" Ao longe ele sabia o que as nuvens lhe desvendavam um segredo, mas também sabia que não era ao pé dos seus amigos que alguma vez diria algo sobre a imagem que lhe lembrava aquela manhã em que percebeu que estava sózinho no maior Caminho que o Universo poderia entregar a alguém, e que o peso de tamanha solidão só era aliviado lá bem no alto, onde as nuvens escrevem o destino de quem as sabe ler... a Luz daquela manhã pertencia-lhe e disso ele tinha a certeza... "
Sempre e ainda mais que o sempre
quarta-feira, maio 07, 2008
A Curiosidade

O Estrangeiro sentia como os olhos dos seus concidadãos o seguiam para onde quer que fosse.
Interrogou-se sobre se não teria levado demasiado à letra a sua velha convicção de que a melhor forma de não sofrer era deixar de se importar.
Há muitos anos que o Estrangeiro não pensava na sua pátria, nos seus pais e nos seus amigos. Apesar de saber que não estava livre da acusação de não ser um bom patriota, um bom filho ou um bom amigo, nunca questionara a justeza da sua decisão.
Deixara de se importar para não sofrer a dor à ausência de si próprio e, consequentemente, não sofrer qualquer desvio à missão a que empenhara os seus dias.
Todavia, hoje não reconhecia ninguém quando caminhava na rua ou se sentava num café.
Não se enganara em relação à terra natal a que regressara? Não estaria duas povoações ao lado daquela que o vira nascer?
Não.
Este era o velho café onde em miúdo o Estrangeiro encetara uma volta ao mundo em oitenta segundos (o embrião de outras múltiplas viagens que mais tarde concretizaria) ao redor das mesas... da forma como só uma criança poderia realizar...
A intuição dizia-lhe que o empregado de balcão escondido atrás dum bigode branco deveria ser o mesmo desses dias... o grupo de senhoras idosas duas mesas à frente teria com certeza o hábito ritual do chá das cinco naquela mesma mesa desde antes do seu nascimento...
Porém, nenhuma reminiscência lhe provocavam e nada, para além de atónita curiosidade, lia nos olhares cruzados...
O Estrangeiro esquecera-se da pátria e a pátria esquecera-se do Estrangeiro... nada mais justo ou menos óbvio.
Interrogou-se sobre se não teria levado demasiado à letra a sua velha convicção de que a melhor forma de não sofrer era deixar de se importar.
Há muitos anos que o Estrangeiro não pensava na sua pátria, nos seus pais e nos seus amigos. Apesar de saber que não estava livre da acusação de não ser um bom patriota, um bom filho ou um bom amigo, nunca questionara a justeza da sua decisão.
Deixara de se importar para não sofrer a dor à ausência de si próprio e, consequentemente, não sofrer qualquer desvio à missão a que empenhara os seus dias.
Todavia, hoje não reconhecia ninguém quando caminhava na rua ou se sentava num café.
Não se enganara em relação à terra natal a que regressara? Não estaria duas povoações ao lado daquela que o vira nascer?
Não.
Este era o velho café onde em miúdo o Estrangeiro encetara uma volta ao mundo em oitenta segundos (o embrião de outras múltiplas viagens que mais tarde concretizaria) ao redor das mesas... da forma como só uma criança poderia realizar...
A intuição dizia-lhe que o empregado de balcão escondido atrás dum bigode branco deveria ser o mesmo desses dias... o grupo de senhoras idosas duas mesas à frente teria com certeza o hábito ritual do chá das cinco naquela mesma mesa desde antes do seu nascimento...
Porém, nenhuma reminiscência lhe provocavam e nada, para além de atónita curiosidade, lia nos olhares cruzados...
O Estrangeiro esquecera-se da pátria e a pátria esquecera-se do Estrangeiro... nada mais justo ou menos óbvio.
terça-feira, maio 06, 2008
Wake up song

Quão estranho é acordar com o eco de sonhos distantes nos ouvidos... materializarmo-nos de novo sobre a cama onde nos deitámos de véspera e acreditar-nos acabadinhos de chegar duma viagem que não nos caberia nos pés... E, todavia, esta é a mesma cama onde dormimos tantas vezes na nossa juventude, palco de segredos e mistérios bem ou mal desvendados... É estranho concluir que nenhuma viagem nos poderia levar tão longe quanto a cama que alberga a ausência que precede o primeiro dia do resto das nossas vidas...
segunda-feira, maio 05, 2008
Na terra natal dum estrangeiro

O Estrangeiro gostava do portão ferrugento da casa. Gostava da pintura gasta das paredes. Gostava das telhas cheias de musgo. Gostava até das ervas daninhas que se espalhavam pelo jardim.
Eram coisas que o alegravam, mas que o alegravam duma forma comedida, duma forma na margem duma certa desconfiança, pois, lá bem no fundo, o Estrangeiro sabia-se velho demais para ser feliz.
Aquela casa pertencia-lhe. Aparentemente ninguém mais a reclamara aquando da morte dos seus pais. Sim aquela casa era a sua, mas alguma vez poderia ser o seu lar?
Eram coisas que o alegravam, mas que o alegravam duma forma comedida, duma forma na margem duma certa desconfiança, pois, lá bem no fundo, o Estrangeiro sabia-se velho demais para ser feliz.
Aquela casa pertencia-lhe. Aparentemente ninguém mais a reclamara aquando da morte dos seus pais. Sim aquela casa era a sua, mas alguma vez poderia ser o seu lar?
sábado, maio 03, 2008
Para além da madrugada

Regressar a casa é como fazer o caminho da saudade ao contrário.
O estrangeiro sentou-se numa pedra do caminho.
É muito fácil ter saudade quando a distância defronte de nós é maior do que aquela que podemos percorrer num dia.
Que aconteceria ao chegar? Seria ele um estranho na sua própria terra ou um velho conhecido em casa alheia?
Não faltava muito para o descobrir...
O estrangeiro sentou-se numa pedra do caminho.
É muito fácil ter saudade quando a distância defronte de nós é maior do que aquela que podemos percorrer num dia.
Que aconteceria ao chegar? Seria ele um estranho na sua própria terra ou um velho conhecido em casa alheia?
Não faltava muito para o descobrir...
sexta-feira, maio 02, 2008
A Torre

" Despedias-te daquele dia com os olhos de quem deixa a alma para trás, como se no mais íntimo da alma humana, algo ou alguma voz, te dissesse que eras parte daquele lugar. Voltaste atrás para te certificares que não esquecerias da última visão daquela tarde, a Torre de onde os teus irmãos vigiavam o Mundo. E lá estava imponente e secreta, testemunha silenciosa dos guardiãos e das suas batalhas pelo conhecimento."
segunda-feira, abril 28, 2008
A Memória

A Memória é um conjunto de partes que todas somadas não formam um todo.
Juraria que nunca tinha feito este caminho, porém, aqui e ali, tudo me parece insolitamente familiar... Não tinha estado parado há anos naquele cruzamento com a minha mãe e o meu irmão? Afinal a Memória também perde fatias... tal qual um bolo de aniversário que se vai tornando demasiado pequeno para todas as velas que lá vamos colocando ano após ano.
Não me lembro do futuro, já não consigo prever o passado ...sobra-me o hoje, um presente que não me canso de desembrulhar.
Juraria que nunca tinha feito este caminho, porém, aqui e ali, tudo me parece insolitamente familiar... Não tinha estado parado há anos naquele cruzamento com a minha mãe e o meu irmão? Afinal a Memória também perde fatias... tal qual um bolo de aniversário que se vai tornando demasiado pequeno para todas as velas que lá vamos colocando ano após ano.
Não me lembro do futuro, já não consigo prever o passado ...sobra-me o hoje, um presente que não me canso de desembrulhar.
terça-feira, abril 22, 2008
.../...
terça-feira, abril 15, 2008
O Ciclo da Imortalidade

" Envolto numa Luz a qual me deu a Vida, dou um abraço ao meu irmão que, lado a lado, partilha comigo o campo onde cresci... e... um dia... estarei de volta a este mesmo lugar para renascer e abraçar, de novo, o meu irmão...
Serei imortal... porque habito um lugar onde tudo é possível, onde acreditar não faz parte de alguma Verdade... mas sim, onde acreditar... é a Verdade... "
segunda-feira, abril 14, 2008
A Imobilidade

A mão move-se sem esforço ou dificuldade nos movimentos desenhados dentro dum sonho... não se cansam as pernas e nenhuma proeza física parece impossível.
Quando te pego na mão a meio dum sonho é um toque sem tacto nem sensibilidade... é uma carícia involuntária no veludo do lençol.
E quando te olho olhos nos olhos, ainda no sonho, sei que 6 meses vividos a dois tanto podem ser 3 meses como 12 meses.
Pode-se dizer que se aprendeu tudo quando antes não se sabia nada?
Quando te pego na mão a meio dum sonho é um toque sem tacto nem sensibilidade... é uma carícia involuntária no veludo do lençol.
E quando te olho olhos nos olhos, ainda no sonho, sei que 6 meses vividos a dois tanto podem ser 3 meses como 12 meses.
Pode-se dizer que se aprendeu tudo quando antes não se sabia nada?
sábado, abril 12, 2008
O Inventor
quinta-feira, abril 10, 2008
O Caminho do Templo do Tempo

" - Percorres um Caminho que te parece longo, ao qual muitas vezes sentes não te pertencer... mas mais vezes ainda sabes que é teu... as razões que pensas existirem na tua própria razão, para o percorreres, são para ti certezas e verdades como o amanhecer...
A Caminho do Templo do Tempo ser-te-ão desvendados os segredos das coisas mais simples, porque são essas que encerram os segredos do próprio Universo do qual fazes parte.
Após ouvirmos aquele sábio Homem todos seguimos para a nossa aldeia onde os nossos familiares nos aguardavam neste mágico entardecer.
Tínhamos pedido ao sábio para nos seguir, mas ele dissera-nos que preferia ficar no bosque, que aquela era a sua casa.
Noutro lugar do Tempo eu também segui o caminho de casa... após ouvir mais uma história do Tempo..."
A Caminho do Templo do Tempo ser-te-ão desvendados os segredos das coisas mais simples, porque são essas que encerram os segredos do próprio Universo do qual fazes parte.
Após ouvirmos aquele sábio Homem todos seguimos para a nossa aldeia onde os nossos familiares nos aguardavam neste mágico entardecer.
Tínhamos pedido ao sábio para nos seguir, mas ele dissera-nos que preferia ficar no bosque, que aquela era a sua casa.
Noutro lugar do Tempo eu também segui o caminho de casa... após ouvir mais uma história do Tempo..."
sexta-feira, abril 04, 2008
O Prisioneiro

O Eremita abriu os olhos e caminhou estremunhado até à boca da gruta. Olhou a floresta a perder de vista. Respirou fundo ao mesmo tempo que se sentava numa pedra no beiral do precepício. A idade começava a fazer-se sentir, embora nunca se houvesse sentido tão jovem como agora. Compôs nos ombros a manta que o protegia do frio cortante da madrugada.
Eis senão quando uma imagem se atravessou entre o Eremita e as verdejantes montanhas.
O Professor levantou-se da cama e dirigiu-se à casa de banho. Não precisou de abrir a janela para saber que o dia estava bonito. Segundos antes do toque do despertador sonhara que se levantara da cama com o toque do despertador e abrira a janela deparando com um sol radioso. Só verificou o quão exacto fora o boletim metereológico dos sonhos quando saiu de casa e correu para o automóvel. Não queria chegar atrasado à primeira aula da manhã na sua nova escola. Acelerou avenida abaixo, ultrapassando todos os carros que conseguia.
Eis senão quando uma imagem se atravessou entre o Professor e a cidade.
O Eremita levantou-se da pedra e sorriu ao pensar em tudo o que o tinha ainda para aprender.
O professor acelerou recapitulando a matéria das aulas que tinha para dar nesse dia.
Dois homens na manhã ...e uma infinidade de outros tantos homens entre um e o outro.
Não serei eu um desses homens entre um e o outro?
quarta-feira, março 19, 2008
Ouvindo Histórias do Tempo

E se o Paraíso não fosse mais que um entardecer mágico onde tu e eu pudéssemos caminhar lado a lado ouvindo as histórias do Tempo?
Perderias tu a fé se a verdade fosse sómente essa... sentirias tu que o mundo te ofereceu pouco... que nada valeu a pena... porque sonhaste com muito mais?
A verdade pode ser tão pouco... e pode ser tanto ao mesmo tempo... cabe a ti escolheres o modo como a entendes... como a queres entender...
Talvez a verdade seja o Paraíso que julgas não ser, talvez o Paraíso seja, por isso mesmo, aquele dia em que caminhaste ao entardecer ouvindo as histórias do Tempo, olhando o mundo com os olhos de alguém que te acompanhava naquele dia... lado a lado... e sem nunca perder a fé...
Perderias tu a fé se a verdade fosse sómente essa... sentirias tu que o mundo te ofereceu pouco... que nada valeu a pena... porque sonhaste com muito mais?
A verdade pode ser tão pouco... e pode ser tanto ao mesmo tempo... cabe a ti escolheres o modo como a entendes... como a queres entender...
Talvez a verdade seja o Paraíso que julgas não ser, talvez o Paraíso seja, por isso mesmo, aquele dia em que caminhaste ao entardecer ouvindo as histórias do Tempo, olhando o mundo com os olhos de alguém que te acompanhava naquele dia... lado a lado... e sem nunca perder a fé...
quinta-feira, março 13, 2008
Metáforas do Teu Tempo

" E todas as coisas passaram a ter existência... o Tempo havia sido criado... a Luz imaginada... sonhada até então... passara a fazer parte de todo o Universo, assim como tu.
A tua própria história terá de ser contada ao Tempo... porque o Tempo a guardará no mais longínquo recanto de um Universo... e um dia... poderás encontrar de novo aquele abraço que há tanto tempo esperas e conheceste sempre... "
segunda-feira, março 10, 2008
AUTOBIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA

Estão na moda as autobiografias falsas... contar na primeira pessoa uma vida mais real do que a própria realidade dos nossos dias.
Na minha autobiografia gostaria de escrever com muitos erros ortográficos... Que melhor maneira de fingir um outro eu, se não errar deliberadamente as palavras menos simpáticas para os meus segredos mais secretos?
Iludirei a correcção ortográfica dos computadores criando equivalentes aos quais ninguém poderá apontar o dedo afirmando: "Mas isto não está mal escrito?"
Assim sendo, os meus pontos fortes passarão a pontos fostes. Neste capítulo caberão todos os episódicos heróis que eu fui em datas já não muito fáceis de identificar no calendário dos anos transactos.
E que dizer dos meus pontos fracos, agora designados de pontos frascos? Que melhor maneira de enumerar as miudezas da minha personalidade do que dizê-las engarrafadas numa catacumba perdida dum edíficio há muito demolido?
Eu sou a luz e a sombra ...o eco dos meus passos, os dos sapatos brancos e os dos sapatos pretos, confunde-se na plataforma ferrugenta duma ponte que sai de mim para mim.
São estes os prós e os contras de ser ao mesmo tempo dois homens a atravessarem uma ponte envelhecida pela idade dos meus olhos...
Tudo está bem quando acaba bem e a minha vida, a depender de mim, está muito longe de acabar.
Na minha autobiografia gostaria de escrever com muitos erros ortográficos... Que melhor maneira de fingir um outro eu, se não errar deliberadamente as palavras menos simpáticas para os meus segredos mais secretos?
Iludirei a correcção ortográfica dos computadores criando equivalentes aos quais ninguém poderá apontar o dedo afirmando: "Mas isto não está mal escrito?"
Assim sendo, os meus pontos fortes passarão a pontos fostes. Neste capítulo caberão todos os episódicos heróis que eu fui em datas já não muito fáceis de identificar no calendário dos anos transactos.
E que dizer dos meus pontos fracos, agora designados de pontos frascos? Que melhor maneira de enumerar as miudezas da minha personalidade do que dizê-las engarrafadas numa catacumba perdida dum edíficio há muito demolido?
Eu sou a luz e a sombra ...o eco dos meus passos, os dos sapatos brancos e os dos sapatos pretos, confunde-se na plataforma ferrugenta duma ponte que sai de mim para mim.
São estes os prós e os contras de ser ao mesmo tempo dois homens a atravessarem uma ponte envelhecida pela idade dos meus olhos...
Tudo está bem quando acaba bem e a minha vida, a depender de mim, está muito longe de acabar.
domingo, março 09, 2008
Simplicidade
Sombras Viventes
quarta-feira, março 05, 2008
Deserto Exército

Quando a Guerra acabou as pessoas não bateram palmas mas viram-se muitos sorrisos.
Todas as ruas estavam cheias de sorrisos grandes que não cabiam já nas janelas e nas portas.
Lá longe o exército desintegrava-se guerreiro a guerreiro e no seu lugar nasciam flores que povoavam o deserto que jamais viria ser conhecido pelo nome de campo de batalha.
Todas as ruas estavam cheias de sorrisos grandes que não cabiam já nas janelas e nas portas.
Lá longe o exército desintegrava-se guerreiro a guerreiro e no seu lugar nasciam flores que povoavam o deserto que jamais viria ser conhecido pelo nome de campo de batalha.
terça-feira, março 04, 2008
A Luz que segue os teus passos

Julgas escutar o som mágico das palavras de uma imagem quando únicamente és tu que habitas aquele lugar...
És a essência da côr... da Luz, do momento, da entidade a que dás vida e fazes viver...
És o momento exacto em que um poema nasce e através de ti vive...
E além, para lá do horizonte, onde ninguém te escuta... gritarás ao vento...
Serás a própria voz de um Universo que te fez nascer...
Serás o princípio e o fim...
Serás... Deus!
segunda-feira, março 03, 2008
Trilogia Piramido-Urbanística
ToxiCidade

As flores
da minha cidade
são o medo dos campos.
Help

Já
que
não podes
mudar o mundo
muda-te a ti próprio.
Sun City
O sol
não nasce para
todos se o céu tem o mesmo
tamanho que tu e eu e é suplantado
em altura pelos mais banais prédios da cidade.
domingo, março 02, 2008
Alucinações
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Suspeita

Talvez seja pretensiosismo da minha parte, mas não acredito que viajar no tempo seja um dever a que tenho direito...
A minha agência de viagens bombardeia-me com ofertas ao preço da chuva para zarpar em direcção aos períodos históricos mais apetecíveis.
Mas o que posso pedir de melhor do que o dia de hoje, se todos os meus contemporâneos vagueiam, neste rigoroso momento, nalguma zona indeterminada do passado e do futuro?
Prefiro ser um homem só no mundo do que um mundo só no meio dos homens...
A minha agência de viagens bombardeia-me com ofertas ao preço da chuva para zarpar em direcção aos períodos históricos mais apetecíveis.
Mas o que posso pedir de melhor do que o dia de hoje, se todos os meus contemporâneos vagueiam, neste rigoroso momento, nalguma zona indeterminada do passado e do futuro?
Prefiro ser um homem só no mundo do que um mundo só no meio dos homens...
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
"E ele sorria mais uma vez..."

" Hoje vieram-lhe à ideia lembranças de outros Tempos... ou talvez fosse sómente aquela imagem que o transportou para aquele preciso momento, àquele derradeiro momento em que um sim ou um não fariam toda a diferença.
Ao fechar os olhos, para relembrar aquele dia, sentiu-se do outro lado... de um lado que não mais voltaria e de onde nunca se despediu...
Ele sabia que que as despedidas eram aquilo que mais temia, sempre o soubera, desde muito cedo... mas sempre o conseguira disfarçar... porque fazemos sempre de conta que aquilo que não gostamos não existe, verdade?... havia mesmo quem pensasse que para ele tudo aquilo era fácil « - Que despegado que ele é....!» diziam as pessoas que nunca o conheceram... e ele sorria... mais uma vez ... todos estavam enganados..."
terça-feira, fevereiro 19, 2008
A Genealogia do Tempo
Eu aspirava o ar puro da Rua do Horizonte, perdendo o meu olhar algures entre a terra e o mar, quando aquele estranho personagem me abordou com ar de vago mistério, tomou-me o braço e, apontando a casa do outro lado da varanda para o vale, sussurrou-me ao ouvido:- Já reparou que nesta casa, uma vulgaríssima casa , uma casa como outra qualquer, a esta hora do dia se lê o futuro e se revelam todos os segredos do passado? É só preciso saber desvendar, é só preciso saber decifrar... Concorda?
Olhei-o como que estremunhado e respondi:
- Com corda ou com cordão interessa é agarrar o presente... o hoje... o agora...
O homem largou-me o braço abruptamente e afastou-se espreitando-me por cima do ombro com mal disfarçado despeito... Resmungou qualquer coisa entredentes... Não percebi se dizia "A corda" ou "Acorda"...
domingo, fevereiro 17, 2008
Ribeiro Lindo Rebelo
As minhas pegadas serão as tuas pegadas quando eu coloco cuidadosamente os meus pés onde os teus pés fizeram o seu caminho?
A tua voz será a minha voz sempre que dizemos "Amo-te..." à desgarrada?
O rio será o rio ou apenas o veículo por onde passa o barquito onde depositamos um único e singular olhar?
- Amo-te.
- Eu amo-te mais...
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
E Se O Meu Tempo Não Fosse O Teu Tempo?

E se o meu Tempo não fosse o teu Tempo?
Se o voo do pássaro, como lhe chamavas, riscasse o céu só para mim?
E se na cidade branca só eu me perdesse?
Se o meu Tempo não fosse o teu...
nunca os meus olhos imaginariam os teus olhos...
nunca os meus lábios tocariam os teus lábios...
Se o meu Tempo não fosse o teu,
Seria o teu sol diferente do meu?
Seria a tua poesia um Universo que um dia eu descobriria?
Mas o meu Tempo é o teu Tempo...
A tua Alma é o espelho da minha Alma,
Porque eu habito o teu Tempo... e tu o meu...
domingo, fevereiro 03, 2008
Dejá vu
- Tive agora uma sensação tão estranha... - Disse ela olhando em volta. - Poderia jurar que já estive aqui... Eu já estive neste lugar com alguém, embora seja a primeira vez que piso este chão.- E esse alguém não era eu? - Interrogou ele.
- Não. - Franziu ela o sobrolho.
- Talvez essa sensação não viesse do passado... - Retomou ele a palavra quebrando um curto e vagamente desconfortável período de silêncio . - Quem sabe não sonhaste há muitos anos com este dia em que tu e eu viessemos aqui... muito antes de nos conhecermos... muito antes de de acreditares que um dia estaríamos aqui com a paisagem no coração e o outro no olhar...
- Achas que sim? - Hesitou ela.
- Não sei... - Sorriu ele. - Mas às vezes parece mesmo que as premonições nada mais são do que recordações dum passado remoto e que os dejá vu são apenas e simplesmente memórias do futuro.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
A Memória das Coisas

Não sei se é obra do vento ou se é o mecanismo da memória das coisas em acção: as ervas que dançam na frente do meu caminho fazem uma vénia perante o sopro do vento ou adivinham os passos que eu ainda não dei?
E se a memória fosse feita não só do passado mas também do futuro?
Pergunto-me muitas vezes se os dejá vu já aconteceram ou se ainda vão acontecer...
Quando me sento no regaço do Tempo nunca sei se eu sou o mestre ou se sou o aprendiz...
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Em Busca da Chave Secreta

"Abriu os olhos naquele pequeno mundo onde tudo lhe parecia estranho... não se lembrava da razão da sua viagem, nem tão pouco do que o levara a este reino onde tudo parecia tão... intocável...
O seu mestre falara-lhe em tempos de um lugar onde habitavam as secretas lembranças de uma Humanidade sonhada... o reino de uma qualquer entidade, de onde a Vida partira, para um dia voltar a nascer.
À sua volta escutava a melodia do silêncio, o brilhar das gotas de água da chuva faziam-lhe pensar que estava entre as estrelas além no Cosmos.
Seria este o lugar mágico onde a Verdade lhe seria desvendada? Seria este o Paraíso que em tempos ouviu dizer?
Lembrava-se do seu mestre e das suas palavras... « Todas as respostas estão em ti próprio, só tens de procurar na Natureza a chave secreta... »
Levantou-se e continuou o seu caminho, embora não vislumbrasse qualquer estrada, parecia-lhe, de cada vez que dava um passo, que as árvores e plantas se desviavam para que pudesse passar. Estaria ele a sonhar?
De qualquer maneira o sol fazia-o lembrar que estava uma bela manhã de uma qualquer primavera, num qualquer lugar e num Tempo desconhecidos para ele..."
sábado, janeiro 12, 2008
quinta-feira, janeiro 03, 2008
O Leilão
Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.
Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.
Preferes ser Rei,
Poeta
ou Guerreiro?
Saberás sequer a diferença
entre o ceptro,
a caneta
e a espada?
Apressa-te!
Não te atrases!
Está prestes a arrancar o Leilão de Futuros.
Lá compras o que queres, mas nunca o que desejas.
Quem dá mais, quem dá mais?
A moeda da felicidade não se paga a si própria.
A licitação base é o medo.
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três...
Vendida ao cavalheiro sem passado!
terça-feira, janeiro 01, 2008
.../...

Por vezes penso que esta viagem não foi feita para mim, que tudo não passa de um sonho, de um conto contado por alguém a um menino e onde tu habitavas a minha história sem que eu te conhecesse sequer...
Naquele dia, nesse conto, vivido por nós, adivinhámos um futuro que, de tão longínquo, pensámos nunca alcançar.
Éramos os heróis da nossa história, de uma história sem fim, onde a eternidade ocupava o nosso espaço e onde tudo era possível...
Fui eu que adivinhei o nosso futuro naquele dia.... quando te perguntei... " e se não der certo?".
Esquecemos a resposta mas o Tempo não...
Habitaremos até à eternidade juntos...
Até que o Tempo queira...
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Maria Faria

Ninguém nasce com vocação
para carcereiro,
ninguém nasce com vocação
de prisioneiro.
Mas não é por isso menos incrível
encontar quem ache preferível
envergar as listas do prisioneiro
no lugar da farda do carcereiro.
Escolher um caminho é abrir uma porta,
deixar entrar um convidado mistério
e sentá-lo na cadeira mais torta
do nosso secreto Império.
E quem o escolheria ainda assim?
Maria Faria.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
A Fuga

" Ele encontrava-se no meio de um lugar onde teria de fazer uma escolha... a viagem a caminho da Luz ou voltar para trás, para os mesmos lugares onde as gélida manhãs e as enebriantes noites frias o aguardavam, dia após dia... hora após hora...
A sua própria sombra já o incomodava, a própria pele sentia-a como se não fosse dele... procurava uma fuga para a sua alma, corpo e mente...
Ao longe a luz azulada da cidade fazia um convite a quem a olhasse...
- Vem até mim... aqui esquecerás as tuas escolhas e sonhos..."
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Noites Para Além do Portal

" - A Porta abriu-se perante eles. Naquela câmara ao longe, bem distante deles, algo os fitava do alto friamente.
Não lhes pareceu humano, mas também não lhes pareceu não humano.
A Porta fechou-se.
O mais velho do grupo dirigindo-se à figura enigmática e ignóbil, perguntou:
- Quem sois?
Um eco fez-se ouvir naquela enorme sala de todos os lados, dir-se-ia que não era sua voz mas sim que dezenas de vozes vinham de um qualquer compartimento interior àquele lugar.
- Sou a Esfinge que se esconde na alma dos Homens, sou o lado submerso do iceberg da mente humana, o lado que a Humanidade tenta esconder... sou o pedaço de pão que sobra e que não é distribuído... sou o reflexo daquilo que a Humanidade não quer ser mas que nalgum lado tem de existir... e existe aqui neste lugar...
Não lhes pareceu humano, mas também não lhes pareceu não humano.
A Porta fechou-se.
O mais velho do grupo dirigindo-se à figura enigmática e ignóbil, perguntou:
- Quem sois?
Um eco fez-se ouvir naquela enorme sala de todos os lados, dir-se-ia que não era sua voz mas sim que dezenas de vozes vinham de um qualquer compartimento interior àquele lugar.
- Sou a Esfinge que se esconde na alma dos Homens, sou o lado submerso do iceberg da mente humana, o lado que a Humanidade tenta esconder... sou o pedaço de pão que sobra e que não é distribuído... sou o reflexo daquilo que a Humanidade não quer ser mas que nalgum lado tem de existir... e existe aqui neste lugar...
Todo o grupo pareceu incrédulo... seria todo o Mal da Humanidade culpa de uma Esfinge.... de uma Coisa? Ou esta seria a nossa consciência, a nossa própria consciência daquilo que não queremos ser, daquilo que nos envergonhamos de ser?
Tudo aquilo parecia muito estranho..."
sábado, dezembro 15, 2007
O Mensageiro

Eu não sei quando os meus amigos precisam de mim...
Eu não sei se os meus amigos sabem que eu preciso deles...
Do mesmo modo, eu não sei quando vou precisar dos meus amigos,
Nem tão pouco sei ler no Tempo as mensagens que me são dadas conhecer,
Quando um amigo precisa de outro.
Uma coisa sei... a amizade é algo que une caminhos, mundos e sonhos,
E se o meu caminho um dia se ligou ao de alguém,
Saberei sempre, haja o que houver, lá ir ter...
Mesmo na mais escura noite haverá um mensageiro para me guiar,
Os olhos de uma qualquer ave serão os meus...
E...
Até Sempre!
sábado, dezembro 08, 2007
Biografia dos Deuses

É nesta e noutras alturas do ano que é possível assistir ao insólito fenómeno da migração das árvores.
Ao invés de buscarem paragens mais quentes, onde aguardassem prazenteiramente pela primavera, as árvores aproximam-se de nós e aquecem-nos o coração.
A biografia dos deuses lê-a a rugosidade da casca duma árvore quando lá passas com a mão...
Os segredos da vida de todos nós vão-se revelando no preencher dos espaços em branco...
Se a palavra FIM estiver escrita a caneta de luz sobre uma página em branco não é possível saber se a história já terminou ou não.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Num Imenso Azul Existes

"Sei que um dia partirás... mas... sabes... no dia em que queiras voltar estarei aqui, perto do mar, tocando o imenso azul, onde o céu e a Terra são um só como eu e tu.
Sabes onde me encontraste, sabes onde eu pertenço, sabes a quem me dou, sabes que tens o teu lugar comigo além onde escuto a melodia do mar e da Terra.
E naquele vale onde habito caminhas lado a lado comigo, não que algum dia me tenhas acompanhado, mas porque em sonhos te sonhei junto a mim...
E os ventos nessa tarde, enquanto te abraçava, ouviram um pensamento secreto que um dia imaginei dizer-te...
- Eu amar-te-ei para sempre..."
sábado, dezembro 01, 2007
Love story
Será que todos temos uma história de vida personalizada e intransmíssivel, como os passes dos transportes públicos, identificados com a nossa fotografia e nome, ou todos compramos um anónimo bilhete de ida e volta, válido apenas até ao exalar do derradeiro suspiro?
Não é por nada, mas se por acaso estiver correcta esta última hipótese, todos teremos de viver o mesmo cardápio de experiências, sensações e emoções.
Não posso crer que o filme de amor que vi ontem na televisão descreva exactamente aquilo que sinto por ti, aquilo que sentes por mim, aquilo que acontece cada vez que estamos juntos... mas acaso não me emocionou como se por artes mágicos não fossemos nós aquele casal do outro lado do ecran?
Viveremos nós todos a mesma história de amor ou haverá tantas histórias de amor quanto o número das pessoas que se amam?
Não sei responder... mas quero dizer-te uma coisa...
Sempre que estiveres triste lembra que te amo e que cada segundo é a argamassa que prende os tijolos ao muro das horas que teimam em separar-nos... porém o melhor que essa barreira conseguirá será adiar uma e outra vez a inevitabilidade do nosso reencontro.
sexta-feira, novembro 30, 2007
A Linha do Destino
domingo, novembro 25, 2007
Astronomia para principiantes
Entre salvar o mundo e salvar-me a mim próprio escolho salvar o sonho
...entre o ontem e o hoje opto, sem pensar duas vezes, pelo amanhã.
Sempre gostei da cirúrgica precisão das grandes engrenagens
e a grande máquina cósmica merece todo o meu respeito e confiança.
Para provar o que digo proponho-me cartografar a superfície da lua.
Agora não sei se faça um mapa lunar
ou um mapa lunático.
Nos dias que correm é mais fácil ser louco
do que chegar a ser um cientista...
Mas não será a loucura também uma forma de ciência?
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