Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

sábado, outubro 25, 2008

Um Tempo de Mar


É o Tempo,

É o teu Tempo,

Na imensidão que olhaste tantas vezes...

Vislumbras o exacto momento,

Em que um abraço de maresia,

Te levou ao coração do Mundo.



De novo tocaste um imenso Mar,

Onde a voz dos deuses se fazem ouvir...

E... tu sabes...

Um Tempo de Mar...

É o silêncio das palavras que não podem ser ditas...

domingo, outubro 19, 2008

Antes que anoiteça


Por vezes tenho a sensação de que tudo à minha volta está no seu devido lugar... arrumado e guardado exactamente onde era suposto estar.

Nem sempre me parece correcto o local onde encontro arquivadas algumas das histórias, episódios e pequenos nadas dos quais se fez o meu caminho.

Por outro lado, não consigo deixar de encontrar uma insólita justeza e poética ironia no destino final de algumas das minhas expectativas e esperanças.

Tudo é cíclico, embora nada se repita.

Nunca vi dois pôr do sol iguais, o que, a bem dizer, não é digno de grande espanto, já que eu sou o denominador comum entre todos os pôr do sol a que assisti.

A fúria do mar estará em eterna desvantagem perante a serenidade do Tempo.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Marítima sonolência


Longe de tudo, mais perto de mim.

Ainda assim, é difícil quebrar o transe do murmúrio do mar.

A hora é duma vaga e incerta melancolia... as vagas são elas próprias descompassadamente melancólicas e incertas.

Olhando a vila lá longe, onde a vida acontece, com os seus risos e atractivas luzes, não podia sentir-me menos grato pelo ermo e desamparado lugar onde me encontro.

Será que alguém sentiu a minha falta neste fim de tarde, princípio de noite?

Resta-me a solitária consolação de que pelo menos a fria maresia não se esquece de mim...

quarta-feira, outubro 08, 2008

A Voz Da Mente


"A voz da mente ecoa fora e dentro de nós... atravessa, cidades, oceanos, planetas... e algures dentro de nós mostra-nos a Luz do longínquo universo, de onde um dia partimos..."

domingo, outubro 05, 2008

O todo que cabe dentro do Todo


Não foi mais do que um breve momento. Estar num país estranho torna-nos também um pouco estrangeiros de nós próprios, o que explica a forma atarantada como eu cirandava pelas ruas. Eu parara no meio da rua para fotografar uma coisa qualquer, talvez um candeeiro ou um edíficio mais exótico. Inicialmente, não me apercebi da sua presença. Ela esperou que eu fizesse a fotografia e surgiu por detrás de mim. Olhou-me nos olhos e sorriu, esgueirando-se pela esquina mais próxima. Tão somente isto. E, porém, lembro-me tão bem do seu sorriso e do brilho nos seus olhos... Se não me engano enchiam por completo o todo que cabe dentro do Todo.

quarta-feira, outubro 01, 2008

O Despertar da Madrugada


" Todos aguardavam pela anunciada miragem que na primeira madrugada de Outono se materializava no horizonte...
Seria a visão que enganava os sentidos? Ou os sentidos que enganavam o que víamos?
Pouco importava se era uma coisa ou outra, todos nós ali estávamos de pedra e cal para assistir ao fenómeno do "Despertar da Madrugada" como chamaram os primeiros aldeões do vale de Syre.
Todos nos mantivémos em silêncio... quando de repente lá bem longe, o reflexo do sol ao ser reflectido nas nuvens deu à Terra uma côr púrpura a tudo quanto tocava... era essa a côr do "despertar da madrugada" como os antigos tinham chamado... era essa a côr dos deuses e o sinal que tudo estaria em Paz por mais Um Tempo..."

segunda-feira, setembro 29, 2008

A Estrutura


Permaneceram estáticos e incrédulos diante da Estrutura, incapazes de discernir o seu significado ou funcionalidade.

Era aquele por fim o destino final da sua longa jornada?

Fora por tão improvável monumento que se haviam abalançado a tão incríveis aventuras e pelo qual haviam vencido vales, montes e florestas?

Seria aquela efectivamente a única salvação possível para o mundo tal como o conheciam?

Talvez a Estrutura os olhasse com imperceptíveis olhos de pedra e se interrogasse de igual modo sobre o que significariam aqueles bizarros e estranhos seres diante de si.

quarta-feira, setembro 24, 2008

[ À Terra Prometida ]

" À Terra prometida se dirigiram as maiores caravanas de todos os Tempos... profetas e não profetas anunciaram uma nova esperança... falsa ou não, "...uma Nova Era aguarda-nos..." diziam, longe ou perto no Tempo, ninguém sabe... a promessa vagueia pela Humanidade...
Editaram-se livros, inventaram-se profecias, falsos reis e falsas esperanças rasgam a história dos homens numa sangrenta Humanidade onde todos aguardam a entrada triunfante numa Terra que ninguém sabe existir... mas que Todos habitam e renegam ao mesmo Tempo..."

segunda-feira, setembro 22, 2008

Aqui e além onde as coisas não têm nome



Despojei-me do meu nome,
abdiquei do meu orgulho,
escorracei todos os segredos do meu coração
e,
subitamente,
encontrei-me
aqui
e
além
onde as coisas não têm nome.

sábado, setembro 20, 2008

[ A Terra Sem Nome ]


" Existe uma Terra longe da Humanidade e que não tem nome porque não é de ninguém.

Lá só entram os esquecidos pelo Tempo, os que também não têm nome, porque são esses que não pertencem a ninguém... "

sexta-feira, setembro 19, 2008

Saudades do sol


Estive a ver a previsão metereológica. Aquilo que descobri não foi muito animador... Os metereologistas anunciam chuva para amanhã. Custa a acreditar, espreitando pela minha janela. Segundo as previsões, o mau tempo prolongar-se-à pelos próximos dez dias. Já sinto saudades do sol, embora ele ainda me escalde a pele.

Fiz mal em ler o jornal. Teria sido mais excitante ir acordando e ser surpreendido pelo som da chuva a cair do telhado. Talvez acreditasse estar a sonhar que acordava numa manhã de chuva e desse meia volta na cama, esperando que quando acordasse a sério não estivesse a chover.

Vivo numa época em que se conhece excessivamente o desconhecimento das coisas.

Resta-me o consolo de haver mistérios para os quais não se prevêm respostas tão cedo. A não ser que amanhã alguém venha apresentar provas indiscutíveis de vida em Marte, ou provas irrefutáveis da vida depois da morte...

Em má hora terei celebrado o aniversário que me pôs termo à idade das descobertas
.

domingo, setembro 14, 2008

Em busca da palavra Amar


" Há algum Tempo atrás procurei o significado da palavra Amar,
Não que eu soubesse, até ao dia que me foi desvendada, o que significava,
Nem tão pouco o seu significado me dizia alguma coisa...
Até ao dia em que, mesmo não sabendo o que significava, a encontrei...
O que encontrei era, para mim, maior que o próprio Universo que a criou,
Talvez fosse o próprio Universo o seu significado... talvez "

quinta-feira, setembro 11, 2008

Noite e Dia


Na noite dos meus dias as Palavras são um beijo cerimonial na Eternidade.

quarta-feira, setembro 10, 2008

As palavras dos dias passados


" As palavras dos dias passados passaram a ser imagens dos dias presentes onde, nalgum labirinto, ainda te procuro... "

sexta-feira, setembro 05, 2008

Um Sinal do Tempo


" É um Tempo onde as verdades estão guardadas nalgum Templo desconhecido, onde o Homem em nome de uma qualquer verdade aniquila a própria Vida que nele habita...
Sonhamos com os anjos que nunca nos virão resgatar da mentira que vivemos, do abismo em que teimamos existir... e... seria tão fácil estender uma mão que nos acompanhasse num Caminho onde não podemos desbravar sózinhos...
Há muito Tempo que os profetas aguardam as imagens que um dia viram gravadas nas lápides das cidades de outrora..."

sábado, agosto 30, 2008

O adorador do amanhã


O adorador do amanhã não morre
nas muitas mortes que morre a morte.
A todos os filhos do Medo acorre
sem ambicionar uma melhor sorte.

Gosta de cometer os mesmos velhos erros
sempre que se proporcione a oportunidade.
Para quê evitar um bom enterro,
se um cemitério é uma outra cidade?

Lapidares verdades?
A verdade é uma lápide.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Desfile de marés


A personagem principal da minha vida não sou eu,
é o mar...
embora o navegue apenas com o olhar.

Deve ser por isso que exibo
uma fuga bronzeada no rosto.

terça-feira, agosto 26, 2008

[ O Chão Sagrado ]


" Sentes o brilho daquela Luz imensa a tocar-te bem fundo... aquele lugar irradia o secreto saber ancestral que em todos nós habita, mas que de algum modo adormece nalgum recanto dos sonhos que aguardam por nós...
Eu sou este lugar, eu sou aquele que caminha para a Luz... sou aquele a quem foi permitido andar no Chão Sagrado...

Eu serei o guardião da Verdade, da Luz e do Caminho... "

quinta-feira, agosto 21, 2008

O que será de nós quando deixarmos de ser?


O que será de nós quando deixarmos de ser?

Ainda nos puderemos encantar com o chilrear dos pássaros? Ainda nos deixaremos enlevar pelo rumorejar dum regato? Ainda ficaremos inebriados pelo perfume duma flor? Ainda seremos capazes de vislumbrar no mundo a beleza? Ainda seremos, por pouco que seja, um bocadinho daquilo que fomos?

Ah! Inimaginável deixar de ser o que somos!...

E teremos sido alguma vez?

quarta-feira, agosto 20, 2008


" Alguma voz lhe dizia que não estava só, naquele dia em que não falara com ninguém, quem poderia ser, senão a sua mente, a pregar-lhe aquela partida? Olhou para o banco ao seu lado... pessentiu que algo o olhava demoradamente... estaria louco? Os bancos estavam vazios de olhares, de gente e até de pássaros... só ele estava ali... ele e aqueles bancos... mas claro também aquele Tempo e espaço que ocupava... e... claro que sim... aquela folha...
De repente aquele espaço encheu-se para o espectáculo para o qual entrou a meio... aquele lugar era tudo menos vazio... por cima as árvores cantavam ao vento, o Cosmos cintilava para lá do azul onde nascem as estrelas e onde as folhas são desenhadas, por alguém, sentado num banco igual ao seu... de Pedra onde dormem as folhas..."

segunda-feira, agosto 11, 2008

Jorge Desce À Terra

Jorge não é o mais apressado a levantar-se nem o mais despachado a vestir-se e, definitivamente, não é o mais lesto a sair para a rua.

Não é para admirar... pois vive num sonho desperto e em adormecida vigília.

Jorge é um bom dador de Tempo, como outros o são de sangue - oferece o seu tempo a causas nobres e dignas, fazendo a prospecção de perguntas tão pertinentes como:

"Porque é que nos dias de hoje ética é a mesma coisa do que estética?"

"Porque é que choramos e donde nascem as lágrimas?"

"Porque é que se gaba o amor dos pais quando eles preferem a estabilidade dos filhos àquilo que realmente os faria felizes?"

"Porque é que a guerra é tão impopular quando historicamente sempre teve muito mais saída do que a paz?"

"Porque é que as mulheres se apaixonam através do coração embora depois amem com a cabeça?"

"Porque é que surgem rachas nas paredes duma casa nova?"

"Porque é que tanta gente confunde tão orgulhosamente a sua realidade com o real?"

"Porque é que..."

Sei lá!... tanta coisa que a mim me deixaria perplexo e siderado...

Mas não a Jorge. Nada o perturba ou inquieta. Ele não receia o legado das profundezas das angústias e das dúvidas de todos os homens... Os labirintos infinitos de túneis impossíveis recebem-no com os braços abertos do vento e ele deixa-se perder por entre as imprevistas galerias que mergulham fundo no ventre do lado escuro da sua imaginação.

Só uma coisa: não lhe falem em solidão.

Não, não lhe falem em solidão. A solidão é uma condição sine qua non para o sucesso da sua missão, o que não a torna necessariamente mais aprazível.

E assim continua Jorge a sua jornada pelas grandes questões do imaginário do homem!

Até fazer 50 anos de vida conta fazer o levantamento exaustivo de todas as inquietações da humanidade... das inquietações, pois as suas respostas e soluções terão de ficar a cargo de outro dador benévolo de tempo...

É claro que este estado de situação durou apenas até que alguém já avisado da irreprimível propensão de Jorge para deambulantes pensamentos clamou:

- Jorge, desce à terra!

E, na realidade, que melhor reparo se poderia fazer de modo a contrariar a errática natureza dos homens?

sexta-feira, agosto 01, 2008

Na boda entre Sua Majestade o Sol, o Rei do Dia, e Sua Realeza a Lua, a Princesa da Noite


Hoje não vou dizer aquela palavra…

Hoje não vou dizer aquela palavra que é Fogo e é Gelo.

Hoje não vou dizer aquela palavra que do dia faz noite e da noite faz dia.

Hoje não vou dizer aquela palavra em que o sonho adivinha a realidade e a realidade se torna digna dum sonho.

Hoje não vou dizer aquela palavra que tanto nos faz sentir o peso do mundo nos ombros como nos liberta tal qual uma pluma a dançar por entre as estrelas.

Hoje não vou dizer aquela palavra que é escuridão e é Luz.

Hoje não vou dizer aquela palavra que torna as certezas em incertezas e as incertezas em certezas.

Hoje não vou dizer aquela palavra que de alguma forma estranha e misteriosa faz sacrifício rimar com altruísmo.

Hoje não vou dizer aquela palavra que sem sair do mesmo lugar nos faz sentir tão longe e tão perto.

Hoje não vou dizer aquela palavra que confunde os sentidos e reescreve as sensações.

Hoje não vou dizer aquela palavra que alivia a dor do Ser através duma outra dor saborosamente maior.

Hoje não vou dizer aquela palavra onde a Felicidade tem um encontro marcado com cada um de nós.

Há coisas que parecem espantosamente mais simples depois de terem acontecido do que aquilo que nos teríamos atrevido a sonhar ou imaginar antes de terem acontecido.

Não, hoje não vou dizer essa palavra que tem alimentado o imaginário da humanidade e povoado as palavras dos poetas ...mas todos pensamos nela quando olhamos para vocês.

quarta-feira, julho 30, 2008

Versus



" Não, não moras em Marte nem tão pouco a subtileza das palavras querem dizer mais do que julgas... é a tua imaginação que te faz existir... ser está para além da realidade... da tua própria realidade... quando ao espelho tentas reconhecer um poema que está para nascer... esse sim é o mais breve contacto que terás com a realidade não imaginada..."

segunda-feira, julho 21, 2008

Labirinto Aquático


A paranóia, a confusão e o pânico não me poderão vencer enquanto as minhas pernas continuarem a investir, passada a passada, no negro chão do meu cárcere subaquático. Não sei quantas vezes já passei por aqui... Na realidade, não tem qualquer importância. Corredor após corredor vou surpreendendo porta atrás de porta, desaguando inutilmente para o fundo do oceano. Haverá uma saída?

Recordo o eco da tua voz mais e mais distante a cada segundo que passa... Será este também o teu endereço actual? Terás sido tu também trazida para aqui a coberto da noite? Não o creio. Uma qualquer barreira se interpõe entre nós, invisível, inquebrável, intransponível. Se não o fez o destino quem mais se daria ao trabalho de nos juntar? E eu que suspeito que sem ti não haja amanhã...

Terei sido raptado do conforto dos meus sonhos ou haverei escolhido vir até aqui de minha livre vontade para jogar às escondidas com o mundo?

Observo os peixes através do vidro, vejo-os como guardiões alados a esvoaçar o limbo que sitia a minha submarina prisão. Calculo que o caminho para fora deste lugar seja prosseguindo pelos corredores cheios de água aos quais os meus pulmões não me dão acesso... Era tão fácil quebrar este vidro... Acabar com tudo... Libertar-me duma vez por todas... Arrastar os peixes guardas na torrente impetuosa da minha fúria e desorientação... mas... dessa forma... como saberia eu o final da história? Era fácil demais... e eu estou demasiado vazio... a recordação da tua voz atroa nas paredes completamente vazias do meu cérebro.

Espera... Que aquáticos ruídos ecoam agora?... É como se algo ou alguém tivesse vindo para me buscar... Virão para me socorrer ou será sua missão a minha destruição?

Receio que não tarde já muito para o descobrir...

sexta-feira, julho 18, 2008

Recordações da cidade branca


" Não sei porque hoje me lembro de ti, o teu poema da cidade branca confunde-se com as minhas recordações da cidade azul...
Naquelas tardes mágicas de verão, ainda crianças, um dia o Cosmos decidiu juntar-nos... nem o Tempo, nem a distância que nos separava foram mais fortes que os desígnios escritos nas estrelas...
Agora recordo, ao longe, o teu poema da cidade branca e fria.
Talvez sejas tu quem atravessava aquela rua... enquanto... apressadas... as pessoas se escondiam tentando esquecer a tua cidade fria.


Eu também recordo a cidade azul... e eu também recordo a cidade branca... "

terça-feira, julho 15, 2008

A Temperança


A urgência do saber esperar banha a ansiedade dos emergentes desejos.
Ainda te lembras do Medo?
Poderás algum dia esquecê-lo?

segunda-feira, julho 14, 2008

O Paradoxo dos Tempos


" Existe e ao mesmo Tempo não existe,
Desse lugar, de onde a Vida um dia veio,
Olha o imenso Universo, uma parte de um Todo,
igual na essência,
mas de regras e leis de uma outra natureza...
Simples parte de uma teia, que um dia Homens sábios souberam..."

sexta-feira, julho 11, 2008

Enfim sós


Há caminhos que só conhecemos muito tempo depois de os termos atravessado,há jornadas que só compreendemos muitos passos depois de as termos terminado,há preces que só somos capazes de entoar quando a nossa voz há muito se calou, há companhias que só nos dão a mão quando todos partiram já e ficámos a sós com o silêncio

...e há momentos que ainda antes de ocorrerem já parecem ter acontecido na nossa memória.

quinta-feira, julho 10, 2008

Imagens Voláteis


Qual a duração de uma vida?

O Tempo de atravessar uma qualquer rua, num qualquer dia?

Revejo no cimo da montanha feita de sonhos, o caminho onde caminho... dentro e fora de mim...

As nuvens rodeiam-me resgatando-me da Terra que me fez existir...

Talvez o Tempo de uma vida seja isso mesmo...

O Tempo de atravessar uma rua, onde, do lado de lá...

Te aguarda aquela imagem volátil da montanha que um dia te fez sonhar...

domingo, julho 06, 2008

Sabes Onde Me Encontrar


" Escuto as tuas palavras,
tal como naquele dia,
o hoje parece-me o amanhã,
a tua despedida parece-me o teu regresso...
Olho-te e não sei... se és tu que voltas,
Se és tu... que vais...
Os meus sentidos vagueiam...
num limbo desconhecido,
onde os sentidos falham... e eu não sei se te acompanho... se espero por ti...

quinta-feira, julho 03, 2008

Orbituário


Ainda te lembras de quando o Tudo era uma parte de nós e os segredos orbitavam o nosso desejo?

Hoje não sou mais do que o resto da luz duma estrela há muito extinta, atravessando galáxias e fixando constelações de memórias que teimam em não se apagar.

E o que era o Tudo afinal?

terça-feira, julho 01, 2008

O Paradoxo do Tempo


Pergunto:

Que árvores além recortam o olhar onde as memórias vãs dos Homens um dia habitaram aquele vale?

Valerá mesmo tudo a pena?

segunda-feira, junho 30, 2008

A braços com o Tempo


"Os braços do tempo são as asas com as quais voa a Imaginação." Segredara-lhe o vento.

Nenhum dos seus Mestres tinha uma voz, e, todavia, todos lhe transmitiam preciosos ensinamentos.

Tanto aprendera com as árvores, com os rios, com os rochedos, com as próprias cidades... tudo existia à semelhança do homem: nascia, crescia e, inevitavelmente declinava.

Esta era afinal a história das Coisas, dos Homens e dos Impérios.

E que melhor ensinamento do que este?

quinta-feira, junho 26, 2008

Salto Alto


De pulinho em pulinho se rasgam as distâncias, ouvira dizer em criança. E ela era fatalmente uma mulher de distâncias... a sua vida era feita de curtas, médias e longas distâncias. Mas no dia seguinte os mapas perdiam as anotações das coordenadas da jornada anterior. A página de ontem do diário de bordo revelava-se constrangedoramente em branco. Magia? Mistério? Ou esquecera-se simplesmente da caneta em casa? "A tinta permanente pode ser a mais terrível das armas de sedução." Lamentou. "Quem diabo é que disse que todas as mulheres fatais gostam de saltos altos?"

segunda-feira, junho 16, 2008

Nas asas do Tempo

No voo interrompido dum pássaro em cativeiro é contada
a história do ar, do vento e do tempo.



sábado, junho 14, 2008

"Imponderabilidade"


" As imagens que falas mudam com o Tempo, todos mudamos... quais viajantes de uma carruagem em que embarcámos um dia...
Imagino o meu primeiro dia de viagem, em que o próprio sol era eu, onde os castelos eram os meus sonhos e onde o céu era a estrada que me aguardava numa viagem ao Cosmos..."

segunda-feira, maio 26, 2008

Um lugar no Tempo



E se não fosse a primeira vez que viajas por entre estas montanhas? O sentir que, de algum modo, pertences a este lugar, a este espaço de onde um dia partiste de asas ao vento...
No silêncio da madrugada tens a certeza de que parte dos sonhos o Tempo os guardou, nalgum recanto da imagem que guardas na tua memória...
E perguntas ao Tempo qual o teu lugar na imensidão...
Um dia... tu sabes... o Tempo te responderá...

quinta-feira, maio 22, 2008

A Voz dos Deuses


" E na montanha, lá bem alto, fez-se ouvir a voz dos Deuses, sob a forma de uma melodia... de um cântico... que rompendo o silêncio da noite, lembra aos Homens o Tempo em que nasceu o Universo... "

segunda-feira, maio 12, 2008

Nunca jogues às escondidas com o Tempo


- Nunca jogues às escondidas com o Tempo. - Advertira-o o seu mestre. - Não há como o ludibriar, nem forma de cantar vitória.

Fora ele que plantara aquele pinheiro. Se tivesse sido mais cuidadoso com certeza não teria crescido tão inclinado. Mas este era um argumento falacioso... Seria justo dizer que se o seu mestre tivesse sido mais cuidadoso ele não atravessaria momentos de tão indolente descrença e dúvida, tentando ocultar-se das garras do tempo? E para quê? Sabia que no fundo as mãos do Tempo eram suaves e macias como as duma mulher cega que tentava ler o seu rosto. Sim, porque não acreditar que o Tempo era uma mulher cega muito bela. Vistas bem as coisas o Tempo só seria masculino na palavra... palavra... palavra ela própria feminina. Era com a sua vida que ele fecundava o tempo, dando vida ao momento. Na realidade, não importava saber se o Tempo o podia ver ou não... Cego era ele para ver o tempo.

Aparte de todas as considerações sobre o estado oftalmológico do tempo, como se poderia ele esconder de algo que não vê?

domingo, maio 11, 2008

Operação Espírito


Descer ao fundo de nós pode ser a mais terrível e mais aliciante das aventuras... Como não nos perdermos nas escarpas e labirintos daquilo que somos?

O Alquimista


" Não conseguia deixar de pensar naquela noite em que o seu avô lhe contara a história do Alquimista, o senhor de barbas brancas que poderia transformar os sonhos em realidade e, também, qualquer realidade em sonho.
Só agora a uma distância tão longa no Tempo entendeu as palavras que o seu avô lhe tentara dizer... se ele fechasse os olhos poderia sentir de novo aquele olhar tão meigo que só os avós possuem e ouvir de novo a sua voz a contar-lhe a sua própria história... a história do Alquimista..."

sábado, maio 10, 2008

Amigos para sempre


Deixara escrito na parede da sala de estar da casa de um dos seus companheiros de caminho:
"Sê bem vindo à corrente
meu caro amigo Marcelo,
que nunca rebente à amizade
um único elo."
Imortalizando pelos tempos vindouros não só a celebração de mais um aniversário, mas acima de tudo a celebração daquilo que os juntara em redor duma mesa bem recheada de comida e de bebida: uma amizade à qual os anos de separação não beliscariam minimamente, uma camaradagem que funcionava por inércia e um companheirismo que nunca necessitaria do combustível das palavras para funcionar.

quinta-feira, maio 08, 2008

Recortes do Tempo


" Ao longe ele sabia o que as nuvens lhe desvendavam um segredo, mas também sabia que não era ao pé dos seus amigos que alguma vez diria algo sobre a imagem que lhe lembrava aquela manhã em que percebeu que estava sózinho no maior Caminho que o Universo poderia entregar a alguém, e que o peso de tamanha solidão só era aliviado lá bem no alto, onde as nuvens escrevem o destino de quem as sabe ler... a Luz daquela manhã pertencia-lhe e disso ele tinha a certeza... "

Sempre e ainda mais que o sempre


E poderia o Estrangeiro, agora regressado, esquecer as lições e aprendizagens das suas viagens? Nunca! Recordá-las-ia sempre e ainda mais que o sempre.

quarta-feira, maio 07, 2008

A Curiosidade


O Estrangeiro sentia como os olhos dos seus concidadãos o seguiam para onde quer que fosse.

Interrogou-se sobre se não teria levado demasiado à letra a sua velha convicção de que a melhor forma de não sofrer era deixar de se importar.

Há muitos anos que o Estrangeiro não pensava na sua pátria, nos seus pais e nos seus amigos. Apesar de saber que não estava livre da acusação de não ser um bom patriota, um bom filho ou um bom amigo, nunca questionara a justeza da sua decisão.

Deixara de se importar para não sofrer a dor à ausência de si próprio e, consequentemente, não sofrer qualquer desvio à missão a que empenhara os seus dias.

Todavia, hoje não reconhecia ninguém quando caminhava na rua ou se sentava num café.

Não se enganara em relação à terra natal a que regressara? Não estaria duas povoações ao lado daquela que o vira nascer?

Não.

Este era o velho café onde em miúdo o Estrangeiro encetara uma volta ao mundo em oitenta segundos (o embrião de outras múltiplas viagens que mais tarde concretizaria) ao redor das mesas... da forma como só uma criança poderia realizar...

A intuição dizia-lhe que o empregado de balcão escondido atrás dum bigode branco deveria ser o mesmo desses dias... o grupo de senhoras idosas duas mesas à frente teria com certeza o hábito ritual do chá das cinco naquela mesma mesa desde antes do seu nascimento...

Porém, nenhuma reminiscência lhe provocavam e nada, para além de atónita curiosidade, lia nos olhares cruzados...

O Estrangeiro esquecera-se da pátria e a pátria esquecera-se do Estrangeiro... nada mais justo ou menos óbvio.

terça-feira, maio 06, 2008

Wake up song


Quão estranho é acordar com o eco de sonhos distantes nos ouvidos... materializarmo-nos de novo sobre a cama onde nos deitámos de véspera e acreditar-nos acabadinhos de chegar duma viagem que não nos caberia nos pés... E, todavia, esta é a mesma cama onde dormimos tantas vezes na nossa juventude, palco de segredos e mistérios bem ou mal desvendados... É estranho concluir que nenhuma viagem nos poderia levar tão longe quanto a cama que alberga a ausência que precede o primeiro dia do resto das nossas vidas...

segunda-feira, maio 05, 2008

Na terra natal dum estrangeiro


O Estrangeiro gostava do portão ferrugento da casa. Gostava da pintura gasta das paredes. Gostava das telhas cheias de musgo. Gostava até das ervas daninhas que se espalhavam pelo jardim.

Eram coisas que o alegravam, mas que o alegravam duma forma comedida, duma forma na margem duma certa desconfiança, pois, lá bem no fundo, o Estrangeiro sabia-se velho demais para ser feliz.

Aquela casa pertencia-lhe. Aparentemente ninguém mais a reclamara aquando da morte dos seus pais. Sim aquela casa era a sua, mas alguma vez poderia ser o seu lar?

sábado, maio 03, 2008

Para além da madrugada


Regressar a casa é como fazer o caminho da saudade ao contrário.

O estrangeiro sentou-se numa pedra do caminho.

É muito fácil ter saudade quando a distância defronte de nós é maior do que aquela que podemos percorrer num dia.

Que aconteceria ao chegar? Seria ele um estranho na sua própria terra ou um velho conhecido em casa alheia?

Não faltava muito para o descobrir...

sexta-feira, maio 02, 2008

A Torre


" Despedias-te daquele dia com os olhos de quem deixa a alma para trás, como se no mais íntimo da alma humana, algo ou alguma voz, te dissesse que eras parte daquele lugar. Voltaste atrás para te certificares que não esquecerias da última visão daquela tarde, a Torre de onde os teus irmãos vigiavam o Mundo. E lá estava imponente e secreta, testemunha silenciosa dos guardiãos e das suas batalhas pelo conhecimento."

Arquivo do blogue