Paralelo 77

Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

Domingo, Fevereiro 12, 2012

[ Incessantemente ]





" Caminhas de novo à beira mar como em tempos... tu bem sabes...
As tuas perguntas de hoje, ecoam no passado em que, sem o saberes, respondias na perfeição... 
Cada vez mais te questionas quem és tu... ou... talvez não passe de cansaço...
Como tudo se repete... e repete... e repete... incessantemente...
Como o Mundo em que habitas está cansado dessa repetição... ou, talvez sejas sómente tu a te cansares de o ver repetir-se...
Hoje, para ti próprio, não há luar, mesmo que a Lua brilhe...
Amanhã o Sol iluminará as pedras da calçada, mas não a tua alma..."











Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

Universos Paralelos

Às vezes pergunto-me porque razão não será tão simples como o acto de atravessar uma porta... Se fosse possível chegar ao fim do corredor e encontrar-me do outro lado... Sentirá esta mesma angústia o meu Eu do outro lado? Quão diferentes seremos nós na verdade? Enquanto eu passo a mão pelo queixo com a mão direita ele cofiará a barba com a mão esquerda, num reflexo perfeito daquilo que sou? Terá ele conseguido evitar todos os erros por mim cometidos? Tardará muito o dia em que finalmente acabe por surpreender o meu reflexo num gesto em falso? Será esse momento a almejada porta de entrada?

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Pórtico para Fantásmia




Não conseguiria dizer quanto tempo passara de pé, imobilizado diante do
pórtico, com a maresia a adocicar-lhe a respiração, a ouvir o som do vaivém das
ondas como um metrónomo a marcar o ritmo à grande melodia cósmica. O tempo
parecera imobilizar-se consigo. O dia transfigurara-se em noite, sem que desse
por isso. As luzes da povoação lá em baixo iluminavam espectralmente os céus.
Da ancestral igreja restavam apenas ruínas. Ruínas duma ruína, pois o pórtico
era bem mais antigo do que as paredes que se esboroavam pelo chão. Várias
religiões haviam feito daquele lugar de culto para diferentes divindades.
Sentiu a pele arrepiar-se ao pensar em todos aqueles, sangue do seu sangue, que
se teriam ao longo de incontáveis eras apresentado solenemente perante aquela venerável
arcada. Sabia que todos haviam regressado de cabeça baixa e ombros descaídos.
Gerações de candidatos que haviam falhado a passagem. Seria a suprema vergonha
ver-se obrigado a perpetuar o nome da sua família, gerando um filho que um dia
se apresentasse também diante daquele arco imemorial. Todos os outros clãs
haviam já abandonado esta terra, apenas a sua heráldica não conseguira ainda
empreender a grande travessia. Não se despedira nem do pai nem do avô, não
toleraria ver a esperança a brilhar-lhes nos olhos. Fitou as desgastadas pedras
até finalmente distinguir o reflexo da fosforescência do brilho de Fantásmia.
Só então avançou de passo firme, ficando encadeado com a luz envolvente.
Percorreu-o uma estranha sensação de calma e tranquilidade. Uma serenidade como
nunca antes sentira relaxou-lhe o corpo dos pés à cabeça. Ainda cego pelo
brilho das estrelas, ouviu uma voz sábia dizer "Bem-vindo a casa."

Sábado, Janeiro 21, 2012

Para Lá Do Tempo



" Ninguém te disse que iria ser fácil... dizer adeus... sabes tão bem quanto eu...
Para lá do Tempo há uma outra forma de existência, de estar, de sentir e ser...
Sabes... é-te permitido, por breves instantes, quando sonhas... entrar...
É um lugar para além de ti próprio...
É o lugar que profetas, nos primeiros Tempos da Humanidade, escreveram...
É... um som de silêncio... e Luz...
É o lugar onde dar as mãos é criar mundos e sonhos...
Um dia, prometo, te encontrarei lá... e de mãos dadas o Tempo iremos contemplar... "

Domingo, Dezembro 25, 2011

O Apelo Do Firmamento



" Hoje não sei como escrever, nem a quem escrever... no entanto, algo me diz para o fazer...
Por várias vezes me recordo de em criança estar em casa dos meus avós e de escutar as histórias que, em especial, o meu avô me contava... sem o saber, ele era bem especial para mim... que sensação de segurança nos dava sempre que nos ia visitar ou, de cada vez que aparecia...
Sei lá se ele me lê neste momento, mas se ler, dirá que saí a ele, ele escrevia também, secretamente, poemas...
Talvez  um dia em consiga ler no Tempo...
Talvez um dia as minhas palavras ganhem Vida e faça voltar o Tempo atrás...
Queria tanto abraçar-te, hoje e agora avô... "


Terça-feira, Dezembro 13, 2011

Tempo Sem Tempo



"Um vazio imenso transbordava naquela noite,
Quem lhe diria que a solidão, um dia, seria a sua companheira?
Hoje, mais que nunca, adoraria que a sua casa fosse desarrumada...
Que mãos pequenas e frenéticas sujassem as paredes...
Precisava ouvir e escutar os gritos de crianças a brincar...
Mas...
... já ninguém esperava por si...
...já não havia pressa...
...de viver...
...ou ser...
...as amarras foram libertas...
De recordações e saudade era o seu mundo feito..."

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

Tudo no seu lugar

Está tudo no seu devido lugar, como sempre esteve, como sempre deveria estar.
As coisas mudam, confundindo-nos a memória.
Sei que havia uma árvore.
Sei que foi debaixo duma árvore.
Sei que era algures por aqui.
Será este tronco cortado, vestindo uma pele de musgo, tudo o que sobra dessa árvore?
Pobre marco geodésico do prazer e da dor, o que foi que te aconteceu?
Caíste por ti, derrubou-te o vento, foste serrada por algum lenhador?
Embora já só sobre um coto desta árvore, embrulhado em musgo, ela está onde sempre deveria estar.
Foi aqui?
Foi mais para ali?
Foi onde tinha de ser.

Sonho em Azul



" Quando despertaste do sonho, naquela noite... estavas tão certo...
Deverias seguir a tua alma...
Longos são os dias, longas são as noites... mas a alma não esquece...
Aprisionada a ti, seguir-te-á para sempre...
Que inquietações te atormentam quando nada há para te atormentar?
Que sinais buscas no teu passado, no teu futuro?
Aquele lugar é o teu guia, mais do que julgas ou pensas...
Conta-me a tua história que ficou por contar...
Não fales ou sequer digas nada... ou diz-me tudo...
No imenso azul índigo daquela gruta, o Tempo éramos todos nós...
E... escutei o poema que há muito me escreveste...
Mas confesso-te... tenho saudades da tua voz... "

Arquivo do blogue