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sexta-feira, novembro 12, 2010

Prova de vida



Contava e recontava a mim próprio pequenos episódios desgarrados da minha vida.
Monologava na carícia invisível do sangue que me corria dentro das veias,
na certeza do ritmo regular e eficiente do coração que me latejava no peito,
na cega convicção de que indubitavelmente os meus olhos existiam e viam
e de que não poderia subsistir dúvida razoável de que eu ainda estava vivo.
Não me cabia na cabeça que eu fosse o fardo do pensamento duma amante perdida
ou o resquício duma saudade que jazia inerte à mercê da noite e das marés.

2 comentários:

Passageiro do Tempo disse...

Que fabuloso texto... absolutamente!!!

Grande abraço!!

Teresa disse...

As palavras correm e eu gosto de as ler...
:)

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