Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

terça-feira, março 31, 2009

Obras no Paraíso


No inavegável cansaço
dum inenarrável silêncio
descobri
um invulnerável pesar.

sexta-feira, março 27, 2009

[ E a noite cai... e um dia nasce... ]

"E a noite cai... um dia nasce...
e tu continuas a fazer querer parar o Tempo...
nas manhãs sonhas com a noite... nas noites desejas as manhãs...
e as noites caem e os dias nascem, uns atrás dos outros...
a Vida é isso mesmo... e o Tempo não espera por ti...

E tu renasces em todas as Primaveras, brilhando ao Sol...
Morres nos Invernos brancos...
Sonhas com as manhãs púrpura...
e deitas-te... nos entardeceres côr de fogo...
E a noite cai... e um dia nasce..."

quarta-feira, março 25, 2009

A seguir:-----------------------------------------------------------------------------------Next:


Respira. Não respira. Respira. Não respira. Deixa o silêncio envolver-te no manto negro do crepúsculo.
As coisas são o que são, as pessoas são como são.
Às vezes não vale a pena lutar, mais vale deixar-nos levar pela corrente.
A vida segue dentro de momentos...
-
Breathe. Don't breathe. Breathe. Don't breathe. Let the silence embrace you in the dark sheet of the nightfall.
Things are what they are, people are people.
Sometimes it doesn't worth a fight, its better to be taken by the stream.
Life follows in a moment...

domingo, março 22, 2009

[ ... e o Tempo passa... ]


" Movem-se as marés e os ventos...
e o Tempo passa...
Procuro nesses lugares as palavras que o vento levou... querendo tocar-te ao longe...
e o Tempo passa...
Como nos sonhos lembro-me daquele luar mágico...
e o Tempo passa...
Caminho no deserto... vagueio na mente de outrora...
e o Tempo passa...
Busco o Passado e o Presente... encontro-me e desencontro-me...
e o Tempo passa...
Atravesso montanhas e vales voando com os pássaros...
e o Tempo passa... "

quinta-feira, março 19, 2009

A cavalo dado


A cavalo dado não se olha o dente. Claro que as motivações dessa oferta podem estender-se da mais altruísta generosidade até à mais insidiosa manobra de diversão que se possa imaginar. Não é possível ter o melhor de dois mundos, embora o diabo não esteja sempre escondido atrás da porta. A suspeita será nossa aliada ou a mais feroz inimiga? A Criança do Tempo senta-se à minha frente e diz "Esta é a História até agora..."

quarta-feira, março 18, 2009

[ Universos Paralelos ]


" Caminhas lado a lado...
Mas não o fazes só...
Ao longe imaginas...
Melodias...
Universos Paralelos sem se tocarem...
São como vozes que chamam...
Sem nunca se encontrarem..."

sábado, março 14, 2009

A Decisão do Imperador


O Imperador decidira reformar-se do amor. Cansara-se das suas vicissitudes e incertezas, preferindo a melancólica tranquilidade da solidão. Decidiu partir para parte incerta, empenhado em não tornar a cair nas garras da paixão... o seu corpo exibia ainda as mal cicatrizadas feridas de 1001 noites de amor. Escolhera nas cavalariças os melhores e mais rápidos corcéis à sua disposição, não fosse dar-se a fatalidade de ser localizado pelo Amor!



Quando todos os preparativos estavam por fim assegurados (sim, que a viagem dum Imperador não é coisa que se execute de ânimo leve!) partiu na sua expedição rumo ao esquecimento. Todos os seus soldados o acompanharam na gazeta ao Amor, escolhendo servir o soberano em detrimento do mais nobre dos sentimentos... A verdade é que já não era de agora que o desencanto em relação ao Amor grassava um pouco por todo o Império.



Após algum tempo, o Tempo cristalizou-lhes o coração. O Imperador e o seu séquito tornaram-se frios e insensíveis. Dentro do peito não lhes restava mais do que um pedaço de vidro. Cansados daquele limbo emocional, sentiram saudades da Dor... Só que no dia em que pretenderam regressar ao convívio do Amor, descobriram que jamais poderiam voltar: o Amor esquecera-os, apesar de eles, malgrado todos os esforços, jamais terem esquecido o amor... "Talvez seja preferível ficarmos por aqui." Murmuraram entre si. "Quem sabe um dia o Amor não fique com saudades de nós?"

quinta-feira, março 12, 2009

[ A Melodia dos Sonhos... ]


" Entrou em casa após mais um dia de trabalho... o silêncio esperava por ele, aquela era a sua casa, no entanto a estranha sensação de que aquele não era o seu lugar tomou, de repente, conta do seu peito...
Afastou tais sentimentos rápidamente, ouvindo a música que o levaria para um lugar longe dali... desejou ser transportado naquela melodia, via-se a si mesmo bem acima do lugar onde nascera... bem acima do lugar que dizia ser a sua casa...
Fechou os olhos... e sentiu-se habitar o maior e mais secreto Sonho de sempre... viajava na melodia dos sonhos e adormeceu no cólo de quem um dia o chamou de menino..."

quarta-feira, março 11, 2009

O Convite


Era ali? Seria este o lugar que procurava? A coordenada mágica onde todos os sonhos se tornavam realidade? Não podia acreditar que a sua busca chegara ao fim!... Quantos não haviam perecido tentando chegar até ali? Quantos não haviam perecido sem sequer se atreverem a sonhar com um local como este? Quantos não haviam perecido sem chegar a compreender que este lugar era um momento e não um espaço? E, todavia, o convite estava escrito na paisagem desde o princípio dos Tempos...

[ Eu acredito em Anjos]

" A Luz que procuras está no olhar de quem amas - dizias tu ao olhares o horizonte enquanto buscavas as palavras certas que pudessem traduzir exactamente o que sentias... e... ao mesmo Tempo... vislumbravas no horizonte quem sempre procuraste...
Seriam os Deuses que materializavam esse teu sonho?
Quem sabe... "

quinta-feira, março 05, 2009

[ O Brilho da Alma... ]


" Ele acordou no vale... a seu lado uma gota de água guardava o brilho da estrela da noite...
Olhou-a mais uma vez e lembrou-se daquele dia em que andaram de mão dada à noite no jardim à beira-mar... pela primeira vez...
Mais alguém saberia o segredo que pode guardar uma pequena gota de água? Quantos saberiam que aquele cintilar era o brilho da sua Alma, guardiã do seu amor, eterna testemunha das suas palavras ditas em segredo... ?"

quarta-feira, março 04, 2009

O Inferno


Na noite em que a Morte morreu, todos os homens e mulheres rejubilaram, julgando-se livres para viver para sempre... crianças planejavam nunca abandonar a escola primária, apaixonados renovavam juras de amor eterno, avós congratulavam-se com a futura oportunidade de conhecerem os trinetos, quadrinetos, etc.
As vozes elevaram-se aos céus, o vinho correu pelas avenidas, o fogo de artifício foi visto a partir dos desertos mais recônditos e inacessíveis.
Todos se alegravam excepto um homem de semblante carregado: ele já sabia que o Tempo parara no momento em que a Morte exalara o último suspiro... Este homem despedia-se do seu passado e perdia qualquer esperança no futuro.
Quando o sol nasceu no dia seguinte só esse homem permanecia acordado, com o olhar fixo nas cores da manhã...
Se algum dia um dia a nave mensageira de alguma civilização escondida por detrás das estrelas chegar à Terra, surpreender-se-à com o olhar vago e indefinido desta estátua. Irá compará-la com todas as outras figuras adormecidas pelo chão das cidades e dos campos, decidindo-se finalmente por levar consigo apenas esta outra mais estranha e insólita como legado final da humanidade.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A Árvore Fantasma


No caminho de regresso tomou a mata em que tantos e belos momentos haviam partilhado... Foi com algum choque e surpresa que se apercebeu que a árvore onde haviam gravado com um canivete os seus nomes dentro dum coração havia sido cortada. Estendeu a mão e tocou o vazio. De alguma maneira a promessa vivia ainda no fantasma da memória... em certa medida aquela árvore era indestrutível e estava para além do alcance do machado de qualquer lenhador. Sentiu os pingos duma chuva miudinha a escorrerem-lhe pelo rosto. Retomou o caminho, não se podia atrasar para o encontro. Ao dobrar a esquina da estrada que descia o monte virou-se para olhar o coto da outrora viçosa árvore. Talvez fosse um efeito de luz provocado pelo vento e pelas nuvens, mas poderia jurar que a chuva desenhava o contorno do tronco, ramos e folhagem da imponente gigante.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

[ Pensamentos ao anoitecer... ]


" Tinha-lhe prometido que regressaria... nunca poderia faltar a quem consigo partilhou o luar... as estrelas... o vale... o seu secreto mundo...
Tinham passado alguns anos e uma pergunta surgia sempre na sua mente... encontraria a mesma pessoa? Aquele olhar seria o mesmo?
Qual o Tempo Cósmico para se viver um momento como o que viveu?
A música que escutou.... há algum tempo atrás, dizia isso mesmo... «... há quem espere uma vida inteira por um momento como aquele....» e hoje relembrava aquela música... "

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

A Peregrinação


Não sabia como voltar a encará-la... Seria mais fácil voltar atrás e esquecer tudo. Ao fim e ao cabo, embora tivesse ficado no ar a promessa duma promessa, não lhe prometera nada.

Os pés colavam-se-lhe ao chão como se presos por uma força maior do que a própria gravidade: o medo.

E se ela não estivesse lá? E se ela, muito legitimamente, não tivesse acreditado nele? Afinal que nome dar a estas hesitações de última hora que não cobardia?

[ Eu estarei lá... haja o que houver... venha o que vier... ]



" Aquela promessa feita pelo profeta deu-lhe um ânimo à alma que nunca sentira antes... «Eu estarei lá... haja o que houver... venha o que vier...»... seria mesmo assim? Seria uma promessa eterna? Ou teria um Tempo... como tudo no Cosmos?
Pelo modo como o ouvira dizer, pelo olhar intenso olhando nos seus olhos não teve qualquer dúvida... aquela promessa teria um Tempo de Eternidade maior do que qualquer outra coisa que já existiu ou existirá...
Subiu a colina e olhou o farol, testemunha silenciosa do que acabara de relembrar, e pensou «Eu sei que estarás lá... espera por mim... eu irei ter contigo, haja o que houver venha o que vier... »

domingo, fevereiro 15, 2009

[ O sentido sem sentido de um caminho... ]


“ E ele seguia o caminho que tantas vezes percorria, passo a passo, ouvindo o respirar do Tempo…
Nunca questionou a razão de ser daquela sua vida, daquele seu destino, nem sequer duvidava que pudesse ser diferente… «acomodara-se» pensava ele enquanto, devagar, o seu olhar se fixava nas aves que voavam ao longe, da côr do pôr-do-sol, daquela tarde de inverno...
Ele sabia que dentro de si havia perguntas às quais não queria responder, até o simples facto de pensar nelas lhe fazia um certo mal-estar, e, por isso mesmo, a solução de momento era sentir-se da côr daquelas aves que via todos os dias ao entardecer e esquecer a resposta às suas perguntas... “

sábado, fevereiro 14, 2009

A Visita


Durante a visita ao Palácio, uma mulher grávida acompanhava o grupo à distância de dois passos. O professor reparava nela pelo canto do olho de tempos a tempos, quando voltava ou levantava a cabeça para observar mais atentamente algum pormenor da imponente arquitectura ou da majestosa decoração do Palácio. Confessaria mais tarde que não lhe despertara grande atenção, pelo que não chegara a olhar bem para a cara dela. Ao subir a escada o professor reparou que a mulher afinal não estava grávida. Mais peculiar do que isso era o facto de se fazer acompanhar por uma criança muito pequena, mas que já andava pelo seu próprio pé. Voltou a não fitá-la com atenção, até porque não queria dar muito nas vistas. Enganara-se, com certeza. Algumas salas mais adiante, enquanto observava um magnífico castiçal, voltou a dar pela mulher pelo canto do olho... grávida! Ficou tão espantado que desta vez demorou os olhos nela. Apesar de a ter apanhado de perfil, a sua figura despertou-lhe um estranho sentimento de familiaridade. Donde é que a conhecia? Desviou o olhar antes que ela se apercebesse do seu interesse e seguiu para a sala seguinte. Alguns passos adiante, não resistiu... virou-se disfarçadamente para trás. E lá estava ela com o mesmo largo vestido, mas com o ventre liso. Dizia qualquer coisa à criança que com um ar traquinas mexia num cortinado... "Não mexas aí, senão ralham connosco." O miúdo também não era de todo estranho ao professor, embora não conseguisse recordar de onde o conhecia. Embasbacado e desconcertado seguiu caminho e não se atreveu a olhar de novo para trás.

Nessa noite, o professor acordou a meio dum sonho em que recordava quando a sua falecida mãe lhe dissera que visitara aquele palácio apenas por duas vezes: uma enquanto estava grávida dele e a outra quando o professor não tinha mais de três anos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

[ Lugares de Outrora... ]


" Por onde quer que eu vá... caminho como se fossemos só um... "

sábado, janeiro 31, 2009

A Biblioteca Real


Eram cerca de 40 mil livros, explicava a guia, embora o número total de volumes fosse desconhecido, pois cada livro podia ser constituído por vários volumes. A Biblioteca Real viera de todo o mundo, incluía livros de todos os temas em todas as línguas. Olhei com admiração os corredores a perder de vista, recheados de belíssimas encadernações. Interroguei-me sobre se não constaria da colecção uma enciclopédia universal da história de todos os homens. Imaginei-me a percorrer os corredores procurando nas antiquíssimas lombadas este título, até encontrar o primeiro volume, que desfolharia até encontrar o meu nome, verificaria se a minha história até este dia estava correctamente descrita e devolveria o grosso compêndio à estante assim que chegasse ao dia de hoje. Não me interessava conhecer o futuro, desejava apenas ver o passado à luz da sabedoria dos Mestres… haveria melhor forma que essa de adivinhar o futuro?

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