
" As estradas e caminhos onde me encontrei, não pertencem a este Tempo... nem tão pouco os rostos que me sorriram...jamais existirão...
As histórias que me foram contadas pertencem a outro passado, àquele Tempo em que tudo era eterno, quente e luminoso...
O Tempo do sonho todos o tivémos, e, algures, perdura na ténue linha intemporal do passado, presente e futuro... sem ser nem de um, nem de outro...
Ao mesmo Tempo que sou eu, ao mesmo Tempo não sou eu... desligo-me e volto a ligar-me à realidade do passado e do presente...
Não esqueço as marcas que as pedras do caminho para a escola, quando era criança, me davam a conhecer, nem tão pouco esqueço o meu destino nelas escrito e bem gravado...
Naquele lugar onde um dia me sentei na areia, talvez a meu lado ainda estejas tu num outro futuro... num outro presente...
E nessa praia branca eu tentava adivinhar o meu caminho no voo das aves...
E, ao mesmo Tempo, eras tu que o escrevias no teu caderno, sem saber, o teu próprio destino...
«Quem parte, pode nunca voltar um dia... » escreveste tu naquela tarde no teu poema..."