Nem tudo começa aqui e nem tudo acaba aqui

Uma viagem conduzida por:

domingo, dezembro 17, 2006

O fio do horizonte



Persegui o fio do horizonte desde a minha aldeia natal.

Pisei chão e água.

Subi montanhas, desci vales, contornei desfiladeiros, atravessei rios lagos e lagoas, paguei portagens, pernoitei tanto entre lençóis como sobre montes de feno...

- Toda a busca tem um fim, toda a procura cessa um dia. - Incentivava-me entre dentes nos momentos de desalento.

Sabia o fio do horizonte como uma espada de luz que cortaria minha vida de alto a baixo, da esquerda para direita, de dentro para fora, esquartejando o Mal que há em mim.

Caminhei, corri e deixei-me cair prostado sobre a erva fofa.

Até que um dia cheguei a uma praia de onde não partia nenhum barco, nem havia barqueiro que eu pudesse comprar.

Sentei-me sobre a areia e esperei que a respiração serenasse.

Nisto, as nuvens abriram lá longe e o fio do horizonte entrou-me olhos adentro.

Só então compreendi que o mundo é feito dum material impossível.

2 comentários:

Passageiro do Tempo disse...

O teu texto é tocante, verdadeiramente!
Demorei bastante até poder escrever algo.
Quase me sinto nessa tua aventura... nessa busca...
Estás de parabéns!
Um grande abraço!!!!

Sandra Marques disse...

Fiquei estonteada com estas tuas palavras ... fizeste-me entrar nesse mundo, fizeste-me pairar até conseguir pousar os pés numa praia e sentir a brisa do mar ... sentir que a vida está para além do olhar. Ás vezes também me sinto assim.
Beijinhos!!

Arquivo do blogue