
Persegui o fio do horizonte desde a minha aldeia natal.
Pisei chão e água.
Subi montanhas, desci vales, contornei desfiladeiros, atravessei rios lagos e lagoas, paguei portagens, pernoitei tanto entre lençóis como sobre montes de feno...
- Toda a busca tem um fim, toda a procura cessa um dia. - Incentivava-me entre dentes nos momentos de desalento.
Sabia o fio do horizonte como uma espada de luz que cortaria minha vida de alto a baixo, da esquerda para direita, de dentro para fora, esquartejando o Mal que há em mim.
Caminhei, corri e deixei-me cair prostado sobre a erva fofa.
Até que um dia cheguei a uma praia de onde não partia nenhum barco, nem havia barqueiro que eu pudesse comprar.
Sentei-me sobre a areia e esperei que a respiração serenasse.
Nisto, as nuvens abriram lá longe e o fio do horizonte entrou-me olhos adentro.
Só então compreendi que o mundo é feito dum material impossível.
2 comentários:
O teu texto é tocante, verdadeiramente!
Demorei bastante até poder escrever algo.
Quase me sinto nessa tua aventura... nessa busca...
Estás de parabéns!
Um grande abraço!!!!
Fiquei estonteada com estas tuas palavras ... fizeste-me entrar nesse mundo, fizeste-me pairar até conseguir pousar os pés numa praia e sentir a brisa do mar ... sentir que a vida está para além do olhar. Ás vezes também me sinto assim.
Beijinhos!!
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