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segunda-feira, dezembro 18, 2006

Vale o silêncio



Aqui, no fundo do vale do silêncio, talvez reencontre a voz que perdi na ausência daquela única e singular conversa que nunca tivemos.

Ando há tanto tempo para te dizer aquelas palavras que acho que já não me lembro exactamente daquilo que te queria dizer.

Às vezes ecoam-me certas palavras na cabeça, como fantasmas numa casa amaldiçoada... embustes duma intenção mal definida que já não consegue gerar mais do que castelos esvoaçantes sobre um vale onde só já pode mesmo reinar o silêncio.

Se eu gritasse hoje daqui, desde as profundezas deste vale esquecido, seria ouvido em todo o mundo... talvez tu ouvisses o meu grito lá longe, onde a nossa vida decorre sem notícia digna de registo ou sobressalto de maior...

...quem sabe se não o julgarias produto duma alma despedaçada por um amor sem esperança?

Poderias até invejar a intensidade desse amor, lamentar que ninguém nutrisse algo assim por ti...

... e todavia...

2 comentários:

Sandra Marques disse...

São tantas as conversas que gostariamos de ter e que acabam esquecidas numa gaveta só porque não se agarrou o momento ou porque a oportunidade nunca surgiu.
São tantos os sentimentos que não se expressam, deixando-se cair no vazio do silêncio.
São gritos que os outros não houvem ...

Beijinhos!

Passageiro do Tempo disse...

Todos os momentos poderão ser os últimos.
O teu texto é espantoso, belo e demonstra uma grande sensibilidade!
Os meus parabéns caro amigo!
Grande abraço para ti!

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