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sexta-feira, dezembro 22, 2006

Um Segundo Natal



Era uma vez o último minuto do último dia de um certo Outono. No quadragésimo sétimo segundo desse último minuto do último dia de Outono, desprendeu-se inocentemente uma folha da sua árvore mãe. Não houve choros nem tristezas nessa despedida, pois tanto a folhinha como a árvore sabiam que era assim que o mundo funcionava há muitas e muitas luas. A folha partiu e rodopiou num passo de dança que a deveria ter depositado no chão. Soaram então as badaladas do primeiro minuto do primeiro dia de Inverno... E toda a gente sabe que as folhas só podem cair durante o Outono. Assim sendo a nossa folhinha foi impedida de tocar a erva fofa. A Polícia das 4 estações ordenou ao vento que a detivesse numa teia de aranha providencialmente teada num cartaz montado por aquele animal estranho de duas pernas que tinha o estranho hábito de destruir tudo o que amava. A folhinha nem podia acreditar! Como iria ela agora cumprir o seu papel na grande engrenagem universal, se nunca conseguisse saltar para o chão? Mas que grande problema! A folha não tardou em contratar um competente advogado para resolver a situação, mas este disse-lhe logo que seria certamente um processo longo e burocrático. E assim se deixou ficar tristemente a folhinha, à espera que as entidades competentes analisassem o seu caso. Felizmente que neste caso a situação se resolveu naturalmente, não foi preciso esperar pela Primavera, pelo Verão e pelo Outono... onde então sim teriam de deixar a nossa folhinha cair legitamente na altura certa. Dois pares de dias depois da detenção da nossa inocente amiga, chegaram dois daqueles animais estranhos com duas pernas e começaram a desmanchar o cartaz. Parece que o cartaz era alusivo a uma festa chamada Natal, que acabara nessa mesma madrugada. Assim sendo o cartaz já não era necessário e a nossa folhinha pode anichar-se confortavelmente no chão por entre o lixo deitado fora pelos tais animais de duas patas!!!

2 comentários:

Sandra Marques disse...

Os animais de duas patas são tramados, estão sempre a criar obstáculos ... de facto o ser humano invade e retarda o percurso da natureza.

Bom fim de semana!!

Passageiro do Tempo disse...

Um verdadeiro conto de Natal... mas um conto de um "segundo Natal" como muito bem dizes... porque tudo tem uma estória assim como cada um de nós tem a sua própria estória.

Grande abraço!

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